Artigo da seção pessoas Leonilson

Leonilson

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deLeonilson: 01-03-1957 Local de nascimento: (Brasil / Ceará / Fortaleza) | Data de morte 28-05-1993 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Sem Título , 1983 , Leonilson
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Biografia

José Leonilson Bezerra Dias (Fortaleza, Ceará, 1957 - São Paulo, São Paulo, 1993). Pintor, desenhista, escultor. Em 1961, muda-se com a família para São Paulo. Entre 1977 e 1980, cursa educação artística na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), onde é aluno de Julio Plaza (1938-2003), Nelson Leirner (1932). Tem aulas de aquarela com Dudi Maia Rosa (1946) na escola de artes Aster, que frequenta de 1978 a 1981. Nesse último ano, em Madri, realiza sua primeira individual na galeria Casa do Brasil e viaja para outras cidades da Europa. Em Milão tem contato com Antonio Dias (1944), que o apresenta ao crítico de arte ligado à transvanguarda italiana Achille Bonito Oliva (1939).

Retorna ao Brasil em 1982. A obra de Leonilson é predominantemente autobiográfica e está concentrada nos últimos dez anos de sua vida. Segundo a crítica Lisette Lagnado, cada peça realizada pelo artista é construída como uma carta para um diário íntimo. Em 1989, começa a fazer uso de costuras e bordados, que passam a ser recorrentes em sua produção.

Em 1991, descobre estar vivendo com HIV, e o fato repercute de forma dominante em sua obra. Seu último trabalho, uma instalação concebida para a Capela do Morumbi, em São Paulo, em 1993, tem um sentido espiritual e alude à fragilidade da vida. Por essa mostra e por outra individual realizada no mesmo ano, recebe, em 1994, homenagem póstuma e prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). No mesmo ano de sua morte, familiares e amigos fundam o Projeto Leonilson, com o objetivo de organizar os arquivos do artista e de pesquisar, catalogar e divulgar suas obras.

Análise

A obra de Leonilson inclui pinturas, desenhos, bordados e algumas esculturas e instalações. Para a crítica Lisette Lagnado, o artista foi movido pela necessidade de registrar sua subjetividade. Assim suas peças são construídas como cartas para um diário íntimo. A princípio, sua obra aproxima-se da visualidade dos trabalhos de Antonio Dias, porém com mais potência erótica. As formas nos desenhos são envoltas por um contorno escuro, como no grafite norte-americano. Em paralelo, começa a elaborar elementos que são permanentemente retomados até o fim de sua vida: o livro aberto, a torre, o radar, o átomo, o coração, a espiral, o relógio, a bússola e a ampulheta, entre outros.

Em 1989, expõe Anotações de Viagem na Galeria Luisa Strina, em São Paulo, apresentando peças feitas com botões, pedras semipreciosas e bordados, que introduzem um novo e fundamental procedimento em seu trabalho: a costura. As peças sugerem correspondência com os bordados de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), que Leonilson admirava. Entretanto, o universo da costura lhe é familiar, por ser filho de um comerciante de tecidos e ter também o hábito de ver a mãe bordar. Para Lagnado, além  destes dados há em sua obra certas similitudes com o modo de vida dos shakers, membros de seita religiosa norte-americana, como o uso marcante de mapas ou o costume de bordar a roupa de cama com iniciais ou números.

Na constituição de uma expressão pessoal e subjetiva, desde 1984, Leonilson realiza formas orgânicas em seus desenhos e pinturas, que se aproximam cada vez mais de cartografias do corpo. Toma também consciência da necessidade de constituir com as palavras uma linguagem própria, tema de O Pescador de Palavras (1986). Nas obras Sua Montanha Interior Protetora (1989) e Oceano, Aceita-Me? (1991) aparece a visão da natureza incomensurável, como o abismo, o vulcão, a corredeira com pedras, o oceano. A postura romântica do artista é revelada também na pintura O Inconformado (1988), na qual um personagem é representado dentro de um carro em que não cabe, devido a suas proporções desmedidas, e em Leo não Consegue Mudar o Mundo (1989), em que o inconformismo se liga à impotência. Sua produção começa a sofrer, então, um despojamento formal, mas o conteúdo não muda: usa palavras carregadas de valor moral como "sinceridade", "honestidade" e "integridade". Por outro lado, as palavras servem para manifestação de estados íntimos: "alegre", "tímido", "solitário", "hipócrita", "deslocado", "cheio e vazio", "cético", "ansioso" ou "confuso".

Em 1991, descobre estar vivendo com HIV, e a relação com o vírus domina por completo a sua obra. Em O Perigoso (1992), série de sete desenhos, trata com ironia a própria condição. No primeiro desenho, há uma gota do seu sangue, infectado. Nos outros, pequenas figuras de mãos associadas a procedimentos médicos ou crucifixos são mescladas a diversas palavras, como nomes de flores, adquirindo uma dimensão alegórica relacionada à simbologia cristã da pureza e da morte. Alguns trabalhos desta fase podem ser vistos como autorretratos. Por exemplo, em El Puerto (1992), um espelho coberto com retalho de uma camisa do artista contém, bordadas com linha azul, informações sobre sua idade, peso e altura. É uma obra que versa sobre o luto e a ausência da figura. A instalação na Capela do Morumbi, de 1993, seu último trabalho, tem um sentido espiritual. Nos tecidos leves e brancos expressa  a fragilidade da vida. Há referências irônicas à autoridade e à hipocrisia, nas camisas moles que revestem as cadeiras e nos bordados "da falsa moral" e "do bom coração", mas também à esperança, em "Lázaro".

A obra de Leonilson, ao voltar-se para o corpo do artista, aproxima-se dos trabalhos de Louise Bourgeois (1911-2010), Eva Hesse (1936-1970), Lygia Clark (1920-1988) e Hélio Oiticica (1937-1980), entre outros, e tem ressonância na produção artística mais recente, como nos trabalhos de Efrain Almeida (1964) e Sandra Cinto (1968), que lidam com uma linguagem igualmente intimista.

Outras informações de Leonilson:

  • Outros nomes
    • José Leonilson Bezerra Dias
    • José Leonilson Dias
  • Habilidades
    • Desenhista
    • Pintor
    • Gravador
    • Artista visual

Obras de Leonilson: (59) obras disponíveis:

Título da obra: Sem Título

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoSem Título : 1983
Autores da obra:
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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini/Itaú Cultural

Título da obra: Chapéus

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Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoChapéus : 1983
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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Título da obra: Estádio

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoEstádio : 1983
Autores da obra:
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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Título da obra: Sem Título

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoSem Título : 1987
Autores da obra:
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Legenda da imagem representativa:

Reprodução fotográfica Edouard Fraipont/Itaú Cultural

Todas as obras de Leonilson:

Midias (1)

Seminário: "Projeto Leonilson e a Internacionalização da Obra"
Itaú Cultural

Espetáculos (1)

Exposições (244)

Artigo sobre Desenho Jovem

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioDesenho Jovem: 08-07-1980
Resumo do artigo Desenho Jovem:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArte na Rua: 1983  |  Data de término | 1983
Resumo do artigo Arte na Rua:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Todas as exposições

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Resumo do artigo sp-arte 2011:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (17)

  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • BRASIL já: Beispiele zeitgenossischer brasilianischer Malerei. Apresentação de Roberto Costa de Abreu Sodré. Textos de Paulo Estellita Herkenhoff Filho e Carlos von Schmidt. Leverkusen: Museum Morsbroich, 1988. 159p. il. p.b. color.
  • CHIARELLI, Tadeu (org). Alegoria. São Paulo: MAM, [2002].
  • ESPELHO cego : seleções de uma coleção contemporânea. Tradução Rogério Hafez; apresentação Milú Villela. São Paulo : MAM, 2001.
  • FONTES: LAGNADO, Lisette. São tantas as verdades CAT-G Le585 1995; R750.81*A973d; Spmam 1996/q; Gomp1998; CAT-G Rjmam 1995/ao; Rjpi 1997/ar; Spmam 1996/a; Spmam 19998/ab; SPpmr 1988; Bienal Brasil Século XX; Spici 1991; SPgsp 1992; Le 585 1997, 1993, 1989, 1988, 1990, 1987, 1985, 1983, 1991, 1998; 741.981 Le585m; 708.981 M986mam
  • LAGNADO, Lisette. Leonilson: são tantas as verdades. Apresentação Carlos Eduardo Moreira Ferreira; versão em inglês Adriano Pedrosa, Alberto Dwek, Ann Puntch e Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1995. 223 p., il. color.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEONILSON. Leonilson. Belo Horizonte: Gesto Gráfico Galeria e Escola de Arte, 1990. folha dobrada, il. color.
  • LEONILSON. Leonilson. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1987. [8] p., il. color, p&b.
  • LEONILSON. Leonilson. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1989. folha dobrada, il. p&b. color.
  • LEONILSON. Leonilson. Texto Casimiro Xavier de Mendonça. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1991. [12] p., il. color.
  • LEONILSON. Leonilson. Texto Felipe Chaimovich. São Paulo: Thomas Cohn Arte Contemporânea, 1998. 40 p., il. color. p&b.
  • LEONILSON. Leonilson: Brasília. Texto Jan Fjeld. Brasília: Espaço Capital Arte Contemporânea, 1985. folha dobrada, il. p&b. color.
  • LEONILSON. Leonilson: o solitário inconformado. Texto Rejane Cintrão. Americana: MAC, 1997. folha dobrada, il. p&b. color.
  • LEONILSON. Leonilson: pinturas e desenhos. Porto Alegre: Galeria Tina Presser, 1983. folha dobrada, il. p&b.
  • LEONILSON: use, é lindo, eu garanto. Concepção editorial Ivo Mesquita, Lisette Lagnado, Marcelo Mattos Araújo. Tradução John Norman. São Paulo: Cosac & Naify, 1997. 239p. il., 102 figs.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LEONILSON . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8742/leonilson>. Acesso em: 25 de Out. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7