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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Maria Leontina

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.09.2021
22.07.1917 Brasil / São Paulo / São Paulo
06.07.1984 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Projeções, 1977
Maria Leontina
Têmpera sobre tela, c.s.d.
130,00 cm x 110,00 cm

Maria Leontina Mendes Franco da Costa (São Paulo SP 1917 - Rio de Janeiro RJ 1984). Pintora, gravadora, desenhista. Inicia estudos de desenho com Antônio Covello, em São Paulo, em 1938, e na primeira metade da década de 1940 estuda pintura com Waldemar da Costa (1904-1982). Em 1946, no Rio de Janeiro, freqüenta o ateliê de Bruno Giorgi (1905-199...

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Biografia
Maria Leontina Mendes Franco da Costa (São Paulo SP 1917 - Rio de Janeiro RJ 1984). Pintora, gravadora, desenhista. Inicia estudos de desenho com Antônio Covello, em São Paulo, em 1938, e na primeira metade da década de 1940 estuda pintura com Waldemar da Costa (1904-1982). Em 1946, no Rio de Janeiro, freqüenta o ateliê de Bruno Giorgi (1905-1993) e faz curso de museologia no Museu Histórico Nacional (MHN), entre 1946 e 1948. Em 1947, participa da exposição 19 Pintores, na Galeria Prestes Maia, em São Paulo. Em 1951, é convidada pelo psiquiatra e crítico de arte Osório César (1895-1983) para orientar o setor de artes plásticas do Hospital Psiquiátrico do Juqueri. No mesmo ano, organiza uma mostra dos internos no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 1952, com bolsa de estudo do governo francês, viaja para a Europa, acompanhada pelo marido, o pintor Milton Dacosta (1915-1988). Em Paris, entre 1952 e 1954, frequenta o ateliê de gravura de Johnny Friedlaender (1912-1992). Na década de 1960, realiza painel de azulejos para o Edifício Copan e vitrais para a Igreja Episcopal Brasileira da Santíssima Trindade, ambos em São Paulo. Inicialmente, sua obra é pautada no figurativismo de cunho expressionista, mas paulatinamente passa ao abstrato, sem seguir o rigor da geometria pura. Em 1960, em Nova York, recebe o prêmio nacional da Fundação Guggenheim e, em 1975, o prêmio pintura da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA).

Comentário Crítico
Nascida numa tradicional família paulistana, Maria Leontina se interessa por pintura após visita à exposição de Flávio Carvalho (1899-1973). Inicia a formação artística estudando desenho com o pintor acadêmico Antônio Covello. A aproximação ao ambiente moderno e a dedicação com afinco à pintura ocorrem em 1940, quando passa a freqüentar o ateliê de Waldemar da Costa, artista co-fundador da Família Artística Paulista (FAP). Durante os anos de estudo com o artista (até 1946), Leontina apresenta produção de tendência expressionista próxima à de Flávio de Carvalho e Iberê Camargo (1914-1994). Em 1947 participa da exposição 19 Pintores, idealizada por sua irmã e crítica de arte Maria Eugênia Franco, e recebe o segundo prêmio do júri, formado por Anita Malfatti (1889-1964)Di Cavalcanti (1897-1976) e Lasar Segall (1891-1957). Entre os jovens artistas expositores encontram-se nomes importantes da arte brasileira como Lothar Charoux (1912-1987), Marcelo Grassmann (1925-2013), Aldemir Martins (1922-2006), Luiz Sacilotto (1924-2003) e Flávio-Shiró (1928), todos ligados, naquele momento, à iconografia expressionista. Como afirma a artista, já no fim da vida, em depoimento ao crítico Frederico Morais: "Eu era expressionista, como quase todos os artistas naquela época".

Seu trabalho suscita a atenção mais intensa da crítica com a série de naturezas-mortas, iniciada em 1949, nas quais se percebe uma reflexão sobre o cubismo. Nelas o espaço pictórico autônomo, não preocupado com a representação da realidade, começa a se impor e as figuras tornam-se cada vez mais sintéticas. Em 1949, casa-se com o pintor Milton Dacosta. Com bolsa concedida pelo governo francês, viaja com o marido para a Europa, em 1952. Freqüenta o curso de gravura de Johnny Friedlaender, em Paris, onde vive até 1954. Nesse período, viaja por diversos países.

Mediante o desenvolvimento sem rupturas de sua pintura, chega à abstração geométrica em meados dos anos 1950, com base na depuração dos elementos figurativos. Naturalmente a artista é afetada pelo clima de discussão em torno da abstração, vigente no Brasil, e por sua experiência no exterior, onde provavelmente entra em contato com o movimento construtivo e a pintura abstrata européia. Relacionadas com as poéticas abstrato-geométricas, estão as séries como Os jogos e os Enigmas, Da Paisagem e do Tempo, Narrativas e Episódios. Muitas de suas pinturas evocam o espaço urbano e suas construções. Em obras como Os Enigmas (1955) a cidade aparece como uma construção de formas geométricas que lembra a série Castelos e Cidades realizada por Milton Dacosta a partir de 1955. Possivelmente, a artista teria sofrido influência do marido pintor, compondo na segunda metade dos anos de 1950 trabalhos com formas geométricas mais rigorosas. Contudo, não segue a exatidão artesanal das linhas de Dacosta, preferindo uma tendência mais leve, abrandando os limites das formas e permitindo a sobreposição de cores, em uma pintura repleta de transparências.

A fase "construtiva" de Maria Leontina, que dura até 1961, é considerada por diversos críticos como o momento de maior singularidade em seu percurso artístico. Permanecendo à margem das vertentes construtivas brasileiras, a artista desenvolve uma peculiar "geometria sensível", na qual a rigidez da linha e o rigor matemático da composição são substituídos por uma ordenação intuitiva e formas geométricas imprecisas. Como afirma o crítico Frederico Morais, nesses trabalhos ocorre "o justo equilíbrio entre expressão e construção, cálculo e emoção". Para o crítico Paulo Venâncio Filho certo aspecto mágico e espiritual - a que muitos chamaram de teor metafísico no sentido da concepção de pintura como a apresentação do invisível pelo visível - permeia suas estruturas, abrandando o senso ordenador mais radical. Não é à toa que o crítico Ferreira Gullar (1930) remete a produção abstrata de Leontina aos trabalhos de Paul Klee (1879-1940) e Joán Miró (1893-1980). Também em relação às cores, a artista, uma das maiores coloristas da arte brasileira, não se restringe aos dogmas construtivos das cores primárias, trabalhando com igual destreza tanto tonalidades mais quentes quanto tons mais sóbrios.

Em 1961, com a série Formas, é inaugurada uma nova fase em sua trajetória, na qual as formas passam por um processo de arredondamento, posteriormente transformadas em manchas. A partir de então, e até o fim de sua vida, Maria Leontina realiza diversas séries em que ora predomina a abstração, geométrica ou não, ora a figuração sintética de cunho simbólico. Destaca-se a longa série de Estandartes, iniciada em 1963, considerada "um tema plástico infinito em suas possibilidades de variações de forma, linha e cor", segundo depoimento da artista. Os elementos são reduzidos cada vez mais ao essencial e a atmosfera metafísica e lírica presente desde seus primeiros trabalhos, assim como a qualidade silenciosa de suas pinturas, persistem.

Nota-se que a artista possui uma produção em desenho pouco conhecida e a ser mais bem investigada. Sobre o papel do desenho em seu método de criação, declara: "Quando vejo a montanha, o contorno me parece inicialmente definido. Depois surgem duas, três linhas. O mesmo ocorre em nosso relacionamento com os seres humanos. O que era nítido de início, cede lugar à imprecisão [...] Eu desenho muito. Gosto de elaborar o desenho dentro de mim, para que ele surja espontâneo. O desenho é muito útil, sempre. Sobretudo para captar as nuanças e as sensações".

Obras 37

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Auto-Retrato

Óleo sobre madeira
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Composição

Guache sobre papel
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Composição I

Óleo sobre tela

Exposições 248

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 24

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  • 19 Pintores. São Paulo: MAM, 1978. 40p. il. color.
  • AMARAL, Aracy (org.). Arte construtiva no Brasil - Constructive art in Brazil. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Companhia Gráfica Melhoramentos: DBA Artes Gráficas, 1998. (Coleção Adolpho Leirner).
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v. R759.981 A973d v.2
  • BRASIL Europa: encontros no século XX. Curadoria Marc Pottier. Curadoria Jena Boghici; texto Aracy Amaral, Frederico Morais, Antonio Callado, et. al. Brasília: Caixa Cultural, 2000. 79 p.
  • CHIARELLI, Tadeu. Arte internacional brasileira. São Paulo: Lemos, 1999.
  • COCCHIARALE, Fernando; GEIGER, Anna Bella. Abstracionismo geométrico e informal: a vanguarda brasileira nos anos cinquenta. Rio de Janeiro: Funarte, Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1987.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DO SILÊNCIO: vers Leonilson. São Paulo: Galeria Marilia Razuk, 2017. Disponível em: www.galeriamariliarazuk.com.br/exposicoes/do-silencio-vers-leonilson. Acesso em: 29 set. 2021. Exposição realizada de 11 ago. 2017 a 29 out. 2017.
  • ENCONTROS: Maria Leontina. Apresentação de Frederico Morais, Lélia Coelho Frota e Maria. Rio de Janeiro: Espaço Petite Galerie, 1985.
  • EXPOSIÇÃO de Artistas Brasileiros. Rio de Janeiro: MAM, 1952.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEONTINA, Maria. Maria Leontina. Apresentação Eduardo Alfredo Levy Jr. São Paulo: MAM, 1994. 43 p., il. color., foto.
  • LEONTINA, Maria. Maria Leontina. São Paulo: Galeria Arte Global, 1975. , il. color.
  • LEONTINA, Maria. Maria Leontina. São Paulo: Grifo Galeria de Arte, 1977. il. color.
  • LEONTINA, Maria. Maria Leontina. São Paulo: Petite Galerie, 1961. , 1 foto p&b.
  • LEONTINA, Maria. Maria Leontina: desenho em risco. Curadoria Sérgio Pizoli; texto Sérgio Pizoli. São Paulo: Caixa Cultural, 2009. [124] p., il. L586 2009
  • MILTON DACOSTA/ MARIA LEONTINA: um diálogo. Rio de Janeiro: Centro Cultural do Banco do Brasil, 1999.
  • PINTURA abstrata efeito Bienal: 1954-1963: sala especial. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1989.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • PROJETO Arte Brasileira: abstração geométrica 2. Rio de Janeiro: Funarte. Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1988.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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