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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

John Graz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.06.2022
12.04.1891 Suíça / a definir / Genebra
27.10.1980 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Três Cavalos, 1972
John Graz
Óleo sobre tela, c.i.e.
62,40 cm x 115,00 cm

John Louis Graz (Genebra, Suíça 1891 – São Paulo, São Paulo, 1980). Pintor, desenhista, escultor, designer, artista gráfico, decorador. Ainda que seja mais conhecido por ser um dos precursores do art déco no Brasil, é um dos nomes que, ao lado de famosos modernistas, participa da Semana de 22 e revoluciona o modo de fazer arte no país. 

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John Louis Graz (Genebra, Suíça 1891 – São Paulo, São Paulo, 1980). Pintor, desenhista, escultor, designer, artista gráfico, decorador. Ainda que seja mais conhecido por ser um dos precursores do art déco no Brasil, é um dos nomes que, ao lado de famosos modernistas, participa da Semana de 22 e revoluciona o modo de fazer arte no país. 

Tem formação multidisciplinar, passando por diferentes países da Europa. Ingressa no curso de arquitetura, decoração e desenho da Escola de Belas Artes de Genebra em 1908, onde é aluno de Eugène Gilliard (1861-1921), Gabriel Vernet e Daniel Baud-Bovy (1870-1958). De 1911 a 1913, na Escola de Belas Artes de Munique, estuda decoração, design e publicidade com Carl Moos (1878-1959). Entre 1913 a 1915, retorna à Escola de Belas Artes de Genebra e finaliza seus estudos. 

Na cidade suíça, desenha vitrais e faz ilustrações para cartazes publicitários. Trava amizade com o escritor Sérgio Milliet (1898-1966) e conhece Regina Gomide (1897-1973), com quem se casa em 1920, e seu irmão, Antonio Gomide (1895-1967), seu colega na Escola de Belas Artes. Muda-se para o Brasil em 1920 e, por intermédio de Oswald de Andrade (1890-1954), que o define como “Graz, o futurista”, passa a integrar o grupo modernista de São Paulo, constituído por Anita Malfatti (1889-1964), Di Cavalcanti (1897-1976), Victor Brecheret (1894-1955) e Mário de Andrade (1893-1945)

Em 1922, participa da Semana de Arte Moderna com sete quadros. Uma das obras mais comentadas é Paisagem da Espanha (1920), pintura em óleo sobre tela produzida em uma das viagens de Graz à Espanha, realizadas com a bolsa de estudos Lissignol. Comentando sua participação, Aracy Amaral (1930), importante estudiosa do tema, chama atenção para a dramaticidade dessa obra, construída a partir da articulação entre “uma preocupação tectônica”, observada na estruturação dos elementos do quadro, e “uma sensível alteração cromática”. Para a crítica de arte, apesar de não causar grande repercussão à época, Graz é “um dos pintores mais interessantes da semana”1.  

Além de pintar, o artista se dedica ao design de mobiliário e à arquitetura de interiores. Executa projetos de decoração de diversas residências da elite paulistana, projetando vitrais, móveis e peças como portas, fechaduras, luminárias, tapetes e afrescos. De acordo com Maria Cecília Loschiavo dos Santos, Graz é um dos principais nomes do momento de transição para a constituição do mobiliário moderno no Brasil, em que a arte perde seu caráter “sagrado”, conferido pelo museu, e passa a fazer parte do cotidiano. É considerado, com Regina Gomide Graz e Antônio Gomide, um dos introdutores do estilo art déco em São Paulo. Juntos, realizam diversos trabalhos de decoração das casas projetadas pelo arquiteto russo Gregori Warchavchik (1896-1972), recém-chegado ao país.

John Graz é considerado pioneiro não apenas pela estética moderna que caracteriza seus móveis, mas também pelo uso que faz do metal, bem como pela mistura de materiais, introduzindo móveis tubulares, feitos de canos metálicos e laminados de madeira, com formas geometrizadas. Dotado de grande conhecimento técnico e fabril, acompanha pessoalmente a produção de suas peças no Liceu de Artes e Ofícios, onde conta com a colaboração de Federico Oppido (1877-1950)

O artista suíço é inovador também na decoração de ambientes. Ao projetar os móveis, prevê sua distribuição no espaço e sua relação com painéis, vitrais e afrescos. A integração dos elementos é uma característica das casas decoradas por Graz: a mesma proposta se estende dos painéis pintados aos móveis, objetos e iluminação. Para o artista, decoração e edificação devem constituir uma unidade. A residência Cunha Bueno, no bairro paulistano Jardim América, é exemplo do seu pioneirismo: para a decoração, o artista elabora inclusive o desenho geométrico do piso dos jardins. 

Após consolidar a carreira na arquitetura de interiores, volta a se dedicar à pintura a partir da década de 1960. Em suas telas, predominam personagens e elementos do cotidiano nacional, retratando indígenas (Índios, 1975) e trabalhadores [Canoeiros (1975) e Mulheres Rendeiras, (1980)], festividades populares [Carnaval em Olinda (1976)], e a natureza tropical, em toda exuberância e exotismo que se desnuda ao olhar estrangeiro [Amazônia (1970), e Floresta Tropical (sem data)). Nesse sentido, para Fernanda Pitta (1973), curadora da exposição John Graz: idílio tropical e moderno, realizada em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna na Pinacoteca de São Paulo em 2021, a obra de John Graz reflete a visão romantizada que o pintor tem do Brasil, bastante comum entre artistas de origem europeia, e cria o imaginário de terra paradisíaca, fundindo o primitivo (natural/tropical) ao moderno. Essa fusão é percebida especialmente nas obras de temática indígena, em que a concepção romântica se articula à estética das vanguardas europeias no emprego de formas primitivas, quase abstratas, observada, por exemplo, no alongamento que faz das figuras representadas2

A fluidez em diferentes áreas aliada a uma formação cosmopolita fazem de John Graz um artista verdadeiramente versátil, cuja obra não se restringe ao espaço historicamente destinado à arte, penetrando a cidade e transformando o cotidiano do meio urbano em ascensão no Brasil. Nessa trajetória, procura cumprir a promessa do modernismo de romper com o passado em direção a um futuro sem, contudo, esquecer das raízes, contribuindo, assim, com a arte brasileira moderna.
 
Notas

1. AMARAL, Aracy Abreu. Artes plásticas na Semana de 22. São Paulo, Perspectiva, 1970, p. 190-192. Citado por: INSTITUTO JOHN GRAZ. John Graz na Semana de 22. Disponível em: http://www.institutojohngraz.org.br/pesquisas/john-graz-na-semana-de-22/. Acesso em: 23 out. 2021. 

2. PINACOTECA DE SÃO PAULO. John Graz: idílio tropical e moderno. Disponível em: http://pinacoteca.org.br/programacao/john-graz/. Acesso em: 23 out. 2021. 

Obras 60

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Reprodução fotográfica Fernando Silveira

Abstrato

Óleo sobre compensado
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Aguadeiros

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Amazonia

Guache
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Baianas

Óleo sobre tela

Exposições 86

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Exposições virtuais 1

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Fontes de pesquisa 34

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  • 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • A FAMÍLIA Graz-Gomide: o art-deco no Brasil. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1976.
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  • DA antropofagia a Brasília: Brasil 1920-1950. Curadoria geral Jorge Schwartz; curadoria Annateresa Fabris, Carlos Augusto Calil, Carlos A. Ferreira Martins, Jean-Claude Bernardet, Jorge Schwartz, Rubens Fernandes Júnior, José Miguel Wisnik; tradução Elizabeth Power, Gênese Andrade, Karel Clapshaw, Lucia Wataghin, Marianne Fischer, Regina Salgado Campos, Stella E. O. Tagnin. São Paulo: FAAP : Cosac & Naif, 2002.
  • FERNANDES, Luiz Felipe. John Graz. Rio de Janeiro: [s.n.], 1985. 67 p., il. p.b. color.
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  • IMPRESSÕES: a arte da gravura brasileira. Curadoria Heloísa de Queiroz Telles Arrobas Martins. São Paulo: Espaço Cultural Banespa - Paulista, 1998.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
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  • O CAFÉ. Curadoria Emanoel Araújo, Carlos Eugênio Marcondes de Moura, Ruth Sprung Tarasantchi, Carlos Alberto Cerqueira Lemos. São Paulo: Banco Real, 2000. 123 p., il. color.
  • O DESENHO moderno no Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1993.
  • O MODERNISMO no Museu de Arte Brasileira: pintura. Texto Alberto Beuttenmüller. São Paulo: MAB, 1993. il. color.
  • OS COLECIONADORES - Guita e José Mindlin: matrizes e gravuras. Curadoria Jacob Klintowitz. São Paulo: Centro Cultural FIESP, 1998.
  • OS SALÕES: da família artística paulista, de maio e do sindicato dos artistas plásticos de São Paulo. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1976. (Ciclo de Exposições de Pintura Brasileira Contemporânea).
  • PERFIL da Coleção Itaú. Curadoria Stella Teixeira de Barros. São Paulo: Itaú Cultural, 1998.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • RODRIGUES, Ana Maria (coord.). Brasil Brasis, cousas notáveis e espantosas: olhares modernistas. Curadoria Joaquim Romero Magalhães, Tiago C. P. dos Reis Miranda. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2000.
  • RODRIGUES, Ana Maria (coord.). Brasil Brasis, cousas notáveis e espantosas: olhares modernistas. Curadoria Joaquim Romero Magalhães, Tiago C. P. dos Reis Miranda. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2000.
  • TRINCHEIRAS: arte e política no Brasil. Texto Marcus de Lontra Costa. Rio de Janeiro: MAM, 1994. 16 p., il. p&b.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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