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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Joan Ponç

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.04.2017
28.11.1927 Espanha / Catalunha / Barcelona
04.04.1984 França / Provença-Alpes-Cote d'Azur / Saint Paul de Vence
Reprodução fotográfica Rômulo Fialdini

Sem Título, 1953
Joan Ponç
c.i.d.
62,50 cm x 47,70 cm

Joan Ponç (Barcelona, Espanha, 1927 - Saint Paul de Vence, França, 1984). Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, professor. Inicia a formação artística em 1944, com estudos de desenho e pintura no ateliê de Ramón Rogent (1920 - 1958) e na Academia de Artes Plásticas, aluno de López Obrero. Participa da mostra Tres Pintors y Un Escultor, com A...

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Biografia

Joan Ponç (Barcelona, Espanha, 1927 - Saint Paul de Vence, França, 1984). Pintor, gravador, desenhista, ilustrador, professor. Inicia a formação artística em 1944, com estudos de desenho e pintura no ateliê de Ramón Rogent (1920 - 1958) e na Academia de Artes Plásticas, aluno de López Obrero. Participa da mostra Tres Pintors y Un Escultor, com Augusto Puig, Pedro Tort (1916-2006) e Francesc Boadella, em 1946, organizada pela Societat Excursionista Els Blaus, de Barcelona. Em setembro de 1947, associa-se ao poeta Joan Brossa, ao filósofo Arnau Puig e aos pintores Antoni Tapiès (1923-2012), Modest Cuixart (1925) e Joan Joseph Tharrats (1918) na revista Dau al Set. Em 1948, conhece Joan Miró (1893-1983) e Salvador Dalí (1904-1989) e tem um álbum de litografias editado por Eric Tormo e João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Com Tapiès e Cuixart participa da exposição Un Aspecto de la Joven Pintura Catalana, em 1949, organizada no Cercle Maillol do Instituto Francês de Barcelona, com apoio da revista Cobalto 49, e texto de João Cabral Melo Neto. Ponç vai para o Brasil em 1953, com carta de recomendação de Miró endereçada a Ciccillo Matarazzo (1898-1977), então responsável pela Bienal Internacional de São Paulo. Nos dez anos vividos em São Paulo dedica-se ao ensino das artes: funda e dirige a Escola de Arte L' Espai ("o espaço", em catalão), por onde passam Jeanette Musatti (1944), José Nemirowski, e outros. Das exposições que realiza destacam-se as individuais no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), em 1955 e 1957. O retorno à Espanha, em 1963, é marcado pelo grande reconhecimento internacional de sua obra, como atestam as diversas mostras pela Europa e Estados Unidos, além do grande prêmio de desenho da Bienal Internacional de São Paulo, em 1965. Datam também desse período diversos livros por ele ilustrados. Um de seus últimos trabalhos, feito em 1982, é o teto do aeroporto de Barajas, em Madri.

Análise

A obra e o percurso de Joan Ponç estão ligados aos experimentos de vanguarda no contexto espanhol posterior à guerra civil. O contato com Tapiès, depois com Miró e Dalí, aproxima-o do vocabulário surrealista, do qual ele jamais se afasta. Outro elemento fundamental, presente desde o início, é a literatura e as relações com os escritores. As etapas de sua produção podem ser seguidas pelas séries de desenhos, gravuras e pinturas realizadas no decorrer do tempo: Inquietudes, Alucinações, Perversidades, Morte, Sonhos, Insetos, Torturas. No Brasil, especificamente, faz as séries Touros, 1952 - 1953, Cabezas e Pássaros, 1959, e Cabezas Clásicas, 1960. As composições mesclam elementos retirados de repertórios variados: do mundo animal e vegetal; dos universos onírico e sobrenatural; da mitologia medieval e da anatomia; do gótico e do românico. Linhas entrelaçadas, ondulações, arabescos e pequenos toques de cor articulam as "narrativas pictóricas", cujo motivo central é sempre a figura. Corpos humanos - suas motivações sexuais e eróticas, mas também deformações e mutilações - convivem com animais de todos os tipos, dos seres minúsculos aos mais agigantados. Luas, sóis e flores (que remetem às telas de Miró) compõem as paisagens, em que também se fazem presentes "verdadeiros cortejos de monstros saídos de um delírio excitado pela solidão", indica o crítico Jacques Lassaigne. Entre o sombrio e o fantástico, o grotesco e o maravilhoso, a força visionária de Ponç produz sucessivas alegorias da vida e da morte. A consideração dessa obra obriga a uma reflexão sobre os rendimentos do surrealismo na arte contemporânea em geral e na produção brasileira, em particular.

Obras 1

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Exposições 6

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Fontes de pesquisa 8

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  • AMARAL, Aracy (org.). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p., il.color.
  • AMARANTE, Leonor. As Bienais de São Paulo: 1951-1987. Apresentação Roger Hernandez. São Paulo: Projeto, 1989. 408 p., il. p&b., color.
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 8., 1965, São Paulo, SP. Surrealismo e Arte Fantástica. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1965.
  • COLEÇÃO Leirner. São Paulo: Galeria de Arte da Folha, 1960. , il. p&b.
  • ESPANHÓIS no acervo do MAC USP. Texto Cristina Freire, Helouise Costa. São Paulo: MAC, 1995. folha dobrada, il. p&b.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pintores Espanhóis no Brasil. São Paulo: Espaço Cultural Sérgio Barcellos, 1996.
  • PONÇ, Joan. Joan Ponç, obra gráfica. Barcelona: Ediciones Polígrafa S. A., 1975. 31 p. il. color.
  • PONÇ, Joan. Joan Ponç. Tradução Ana Lucia B. Ottoni; tradução Sônia Salzstein, Manolo Moran. São Paulo: MAC/USP, 1984. , il. p.b.

Como citar

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