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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Jandyra Waters

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.07.2021
10.03.1921 Brasil / São Paulo / Sertãozinho

Sem Título, 1962
Jandyra Waters
Óleo sobre tela
116,00 cm x 89,00 cm

Jandyra Ramos Waters (Sertãozinho, São Paulo, 1921). Pintora, escultora, gravadora e poeta. Inicia a carreira fazendo pinturas figurativas. Considerada uma das pioneiras do abstracionismo no Brasil, suas composições trabalham com o conceito de simetria e cores contrastantes.  

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Jandyra Ramos Waters (Sertãozinho, São Paulo, 1921). Pintora, escultora, gravadora e poeta. Inicia a carreira fazendo pinturas figurativas. Considerada uma das pioneiras do abstracionismo no Brasil, suas composições trabalham com o conceito de simetria e cores contrastantes.  

Depois de concluir os cursos de secretariado e de inglês, viaja para a Europa em 1945, para trabalhar na Administração das Nações Unidas para Assistência e Reabilitação (UNRRA) como membro da equipe brasileira de auxílio às vítimas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Após essa experiência, estabelece-se em Sussex, na Inglaterra, onde realiza um sonho antigo: estudar pintura. Suas primeiras lições são tomadas no County Council Art School, onde faz sua primeira pintura, uma natureza-morta, em 1948.

Em 1951, de volta a São Paulo, retoma seus estudos de arte em cursos de escultura e cerâmica com André Osze; gravura com Darel (1924-2017) e Marcelo Grassmann (1925-2013); história da arte na Universidade de São Paulo (USP); e pintura com o pintor japonês Yoshiya Takaoka (1909-1978), de quem é perceptível uma influência nas cores e na luz em algumas de suas telas figurativas. 

Participa de sua primeira exposição em 1956, no 21º Salão Paulista de Belas-Artes, em São Paulo. Os temas mais comuns de seus trabalhos dessa época são paisagens, naturezas mortas florais e cenas domésticas em que se destacam indícios associados ao cuidado feminino, como um ferro de passar em Sem Título (1957). 

Sua fase figurativa, no entanto, dura poucos anos. No início da década de 1960, faz uma breve incursão na abstração informal, realizando telas bastante matéricas, com grossas camadas de tintas, e uma ousada e luminosa pesquisa de cores, combinando amarelo com rosa-choque, laranja com azul, por exemplo. A preferência por uma paleta cromática contrastante acompanha Waters em toda a sua carreira, em diferentes fases.

No fim dos anos 1960, participa de importantes mostras coletivas, como a 9ª Bienal de São Paulo, em 1967, e a 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, em 1968. Na mesma época, vive uma fase de transição da abstração orgânica para a racionalização na cor e a geometrização das superfícies. Suas telas preenchidas com formas orgânicas – que lembram recortes de papel colorido, como a técnica usada pelo francês Henri Matisse (1869-1954) –, trazem a ambiguidade entre figura e fundo. Ela continua trabalhando com essas figuras orgânicas nos anos 1970, mas de maneira isolada, em recortes em madeira, criando caixas com baixo relevo. Ação que se repete na série de esculturas Metamorfose, nos anos 2000. 

Aos poucos, partindo de um desejo de simplificação e organização das formas que enfatizem as relações entre cores, Jandyra dá espaço para abstrações geométricas, como na composição Pseudo-projeção (1970), uma sobreposição de duas peças de madeira, pintadas de rosa e azul com um fundo fendi. Suas composições geométricas, que transparecem um profundo interesse pela simetria, sugerem movimento interno das formas intensificado pelo contraste entre cores. O crítico José Geraldo Vieira (1897-1977) chama essa sua fase construtiva de  “neomondrianismo”. 

Assim como o pintor Piet Mondrian (1972-1944), Jandyra trabalha questões metafísicas com referências místicas. A combinação entre linhas, cores e formas geométricas busca uma harmonia por meio de uma relação com o sagrado, como  na série de objetos tridimensionais Templo (1982), em que a artista explora em sua geometria o sagrado e o metafísico em cores vivas. 

Embora a partir dos anos 1970 se dedique a trabalhos de características concretas, segundo a curadora Denise Matar (1948), "Jandyra, com sua inteligência visual intuitiva, é uma artista construtiva, mas nunca concreta”1. Primeiro pelo fato de aderir à estética geométrica anos mais tarde. E segundo porque seu trabalho não é guiado pelo radicalismo racional dos artistas dos grupos concretos. 
Além da pintura, Jandyra se dedica à poesia e tem três livros publicados: Pedras Nuas (1974), Desvendador (1977) e Ritmo do Tempo (2001). Seus poemas, segundo Denise Mattar, são como seu trabalho plástico, sintético, porém com muitas camadas e possibilidades de leitura. 

Jandyra Waters, em sua trajetória iniciada com a pintura figurativa, explora a estética construtivista tanto de forma plana, nas pinturas, quanto tridimensional, em esculturas de madeiras. Em suas composições, utiliza-se de formas, linhas e superfícies que induzem movimento, experimentando nesses elementos combinações de cores ousadas que estimulam a percepção do espectador.

Nota

1. ALMEIDA E DALE. Jandyra Waters - Ritmo do Tempo. São Paulo: Almeida e Dale, 2015. p. 5. Exposição realizada no período de 27 ago a 23 set. 2015. Disponível em: https://www.almeidaedale.com.br/pt/exposicoes/5_expo_jandyra_2015.php. Acesso em: 5 jun. 2021.

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