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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Francisco Rebolo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.04.2017
22.08.1902 Brasil / São Paulo / São Paulo
10.07.1980 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Paisagem com Crianças, 1973
Francisco Rebolo
Óleo sobre duratex, c.i.d.
47,00 cm x 34,00 cm

Francisco Rebolo Gonsales (São Paulo, São Paulo, 1902 - São Paulo, São Paulo, 1980). Pintor e gravador. Inicia seus estudos em artes na Escola Profissional Masculina do Brás, onde tem aula de desenho com o professor Giuseppe Barquita, entre 1915 e 1917. Aos 14 anos, trabalha como aprendiz de decorador de paredes. Paralelamente à sua atividade co...

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Biografia

Francisco Rebolo Gonsales (São Paulo, São Paulo, 1902 - São Paulo, São Paulo, 1980). Pintor e gravador. Inicia seus estudos em artes na Escola Profissional Masculina do Brás, onde tem aula de desenho com o professor Giuseppe Barquita, entre 1915 e 1917. Aos 14 anos, trabalha como aprendiz de decorador de paredes. Paralelamente à sua atividade como decorador, atua como jogador de futebol, passando pela Associação Atlética São Bento, de 1917 a 1922, pelo Sport Club Corinthians Paulista, de 1922 a 1927, e pelo Clube Atlético Ypiranga, de 1927 a 1934. Em 1926, monta ateliê de decoração na Rua São Bento. A partir 1933, transfere seu ateliê para uma sala no Palacete Santa Helena, quando inicia-se na pintura. A partir de 1935, partilha seu ateliê com Mário Zanini (1907-1971). Posteriormente, outras salas do Palacete são transformadas em ateliês e ocupadas por vários pintores. Mais tarde, este grupo de artistas passa a ser denominado Grupo Santa Helena. Rebolo desenvolve uma obra pautada na figuração, mas, a partir da década de 1950, esboça algumas experiências no abstracionsimo e posteriormente no construtivismo. Em 1937, participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e integra a Família Artística Paulista (FAP). Em 1945, trabalha com outros artistas para a criação do Clube dos Artistas e Amigos da Arte (Clubinho), do qual é diretor por várias vezes. Com prêmio de viagem ao exterior, obtido no 3º Salão Nacional de Arte Moderna, embarca para a Europa em 1955. Em 1956, faz curso de restauração no Vaticano, participando da recuperação de uma obra de Raphael (1483-1520). A partir de 1959, incentivado por Marcelo Grassmann (1925-2013), inicia uma série de experiências como gravador.  

Análise

Filho de imigrantes espanhóis de origem humilde, Francisco Rebolo entra em contato com a pintura no ofício de pintor-decorador. Crescendo no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, cedo precisa trabalhar. Em 1915, emprega-se como aprendiz de decorador de paredes. Entre 1915 e 1917, freqüenta o curso de iniciação ao desenho na Escola Profissional Masculina do Brás. Ajuda na decoração das Igrejas de Santa Cecília e Santa Efigênia, onde faz pintura mural imitando couro e mármore. A partir de 1917, passa a trabalhar independentemente como pintor de residência, realizando frisos decorativos de diversos estilos. Em 1926, monta escritório na rua São Bento. Entre 1917 e 1934, Rebolo desenvolve relativa carreira de sucesso no futebol paulistano, jogando no Sport Club Corinthians (é responsável pela elaboração definitiva do emblema do clube na década de 1930).

A partir dos anos 1930 a pintura de cavalete começa a ter crescente importância na vida de Rebolo. Em 1935 convida o pintor Mario Zanini, com quem tem aulas informais de desenho desde 1933, a partilhar com ele uma sala-ateliê no Edifício Santa Helena, na Sé, no qual se instala em 1933. Outros artistas como, Fulvio Pennacchi (1905-1992)Bonadei (1906-1974)Humberto Rosa (1908-1948)Clóvis Graciano (1907-1988)Alfredo Volpi (1896-1988)Rizzotti (1909-1972) e Manoel Martins (1911-1979) juntam-se a eles para dividir o aluguel das salas e as sessões de modelo vivo (no ateliê e na Escola de Belas Artes), trocar conhecimentos técnicos e históricos sobre pintura e organizar excursões às regiões periféricas da cidade nos fins de semana para praticar a pintura de paisagem ao ar livre. Dessa forma, surge o que veio a ser conhecido como o Grupo Santa Helena, do qual Rebolo torna-se um dos expoentes.

A despeito das diferenças pessoais, unia-os a ênfase no domínio da técnica da pintura e uma posição estética intermediária entre o academismo e o primeiro modernismo dos anos 1920. Nesse sentido o Grupo Santa Helena é associado a algumas correntes italianas como o Novecento e o Valori Plastici, defensores da integração entre as conquistas impressionistas e pós-impressionistas - principalmente Paul Cézanne (1839-1906) - e a tradição da pintura italiana.1 Essas idéias eram divulgadas no Brasil por artistas italianos ou de formação italiana como Rossi Osir (1890-1959), Vittorio Gobbis (1894-1968) e Hugo Adami (1899-1999), mas também por revistas, livros e importantes exposições de arte estrangeira realizadas no período. No caso de Rebolo, esse salto em direção a um conhecimento mais consciente da história da arte deve-se muito ao contato com o crítico e intelectual Sérgio Milliet (1898-1966), com quem troca quadros por livros e do qual se torna amigo íntimo.

Mais conhecido como pintor de paisagens, Rebolo também se dedica à pintura de naturezas-mortas, de retratos e auto-retratos, de cenas urbanas e suburbanas. Sua produção pictórica se desenvolve sem saltos e permanece unitária em vários aspectos, por exemplo, no uso da paleta rebaixada rica em matizes. Nesse sentido, Milliet o define em 1941 como "mestre do meio-tom". No decorrer dos anos 1940, as manchas de cor mais ou menos difusas que servem a representação de seus temas no início de sua carreira cedem lugar a massas coloridas e bem definidas, e os quadros passam a se estruturar mais fortemente como campos distintos de cor. Desde o início, chamam a atenção a empatia e o olhar lírico e sem dramas de Rebolo ao focalizar as paisagens dos arrabaldes e as cenas urbanas.

É com um quadro de influências construtivas, estruturado em planos geométricos e pintado em preto-e-branco, Casas da Praia Grande ou Casario (1954), que Rebolo curiosamente recebe o prêmio de viagem ao exterior no 3º Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1954. Passa dois anos na Europa com a família, percorrendo países como Espanha, Alemanha, França, Bélgica, Holanda e Itália, onde estabelece residência. Da fase européia, surgem trabalhos de grande rigor geométrico na estruturação formal e sob a influência de tons típicos da arquitetura italiana como os tons de ocre e terra e o vermelho pompeano de obras como Ravena (1956), Roma (1956), Veneza (1958) e Suzy (1959), pintado no Brasil. Após uma crise momentânea, Rebolo começa a dedicar-se à gravura, nos anos 1960, com orientação do amigo Marcelo Grassmann. Busca experimentar novos materiais e nos anos 70 faz uso da tinta acrílica, tornando suas pinturas mais estilizadas e chapadas. Até o fim da vida nunca abandona a figuração e, principalmente, a pintura de paisagem.

Notas

1 ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 372.

Obras 41

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Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Auto-Retrato

Óleo sobre tela
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Bambus

Óleo sobre eucatex
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Barra Funda

Óleo sobre eucatex
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Bosque

Óleo sobre madeira

Exposições 239

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 13

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  • 40 ANOS: Grupo Santa Helena. Texto de Lisbeth R. Gonçalves. São Paulo: Paço das Artes/MIS, 1975.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • CAMPOS, Celia Lucia Rodrigues Torres Parahyba. Rebolo: uma poética da paisagem. 1990. 159 f. Tese (Mestrado em Artes) - Escola de Comunicação em Artes, Universidade São Paulo. São Paulo.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • GONÇALVES, Antonio (org.), GONÇALVES, Lisbeth Ruth Rebollo (org.). Rebolo: 100 anos. São Paulo: Edusp: Imprensa Oficial do Estado, 2002. 301 p., il. p&b color.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • O GRUPO Santa Helena. Curadoria Walter Zanini, Marília Saboya de Albuquerque. São Paulo : MAM, 1995.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • REBOLO. Prefácio de Olívio Tavares de Araújo. Textos de Antonio Gonçalves de Oliveira e Elza Maria Ajzemberg. Editor Emanoel Araújo. São Paulo: MWM, 1986. (Coleção MWM-IFK).
  • REBOLO: o artesão da cor. Apresentação de Elza Maria Ajzemberg. Texto de Olivio Tavares de Araújo. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1985. (VIII Mostra do Ciclo Momentos da Pintura Paulista).
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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