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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Sérvulo Esmeraldo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.01.2021
27.02.1929 Brasil / Ceará / Crato
01.02.2017 Brasil / Ceará / Fortaleza

Quadrados, 1981
Sérvulo Esmeraldo
Aço pintado
101,00 cm x 139,00 cm
Coleção Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (SP) - Doação do artista

Sérvulo Esmeraldo (Crato, Ceará, 1929 - Fortaleza, Ceará, 2017). Escultor, gravador, ilustrador, pintor. No início de sua carreira artística, dedica-se à xilogravura. A partir de 1947, em Fortaleza, freqüenta a Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP) e mantém contato com Inimá de Paula (1918-1999), Antonio Bandeira (1922-1967) e Aldemir Mar...

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Biografia


Sérvulo Esmeraldo (Crato, Ceará, 1929 - Fortaleza, Ceará, 2017). Escultor, gravador, ilustrador, pintor. No início de sua carreira artística, dedica-se à xilogravura. A partir de 1947, em Fortaleza, freqüenta a Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP) e mantém contato com Inimá de Paula (1918-1999), Antonio Bandeira (1922-1967) e Aldemir Martins (1922-2006). Nesse período tem aulas de pintura com Jean-Pierre Chabloz (1910-1984). Em 1951 trabalha na montagem da 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Após o encerramento da Bienal, passa a residir em São Paulo, exerce a função de gravador e ilustrador no Correio Paulistano e tem contato com Marcelo Grassmann (1925) e Lívio Abramo (1903-1992). Em 1956, funda o Museu de Gravura, na cidade de Crato, Ceará.

Em 1957, realiza individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) e viaja para a Europa com bolsa do governo francês. Em Paris estuda litografia na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] e tem acesso às obras raras da Bibliothèque Nationale de France, o que lhe permite estudar a gravura de Albrecht Dürer (1471-1528) por dois anos. Com orientação de Johnny Friedlaender (1912-1992), inicia seu trabalho de gravura em metal, publicado por editores europeus. Em meados dos anos 1960, integra o movimento da arte cinética, quando realiza as obras Excitáveis - quadros e objetos movidos pela eletricidade estática. Retorna ao Brasil em 1978, fixa-se em Fortaleza e dedica-se à arte pública. Idealiza na capital cearense a Exposição Internacional de Esculturas Efêmeras, da qual é curador em 1986 e 1991.

 

Análise


Na década de 1950, Sérvulo Esmeraldo desenvolve trabalhos figurativos e, segundo o crítico de arte Frederico Morais, ele "representa folhas e peixes de forma muito simplificada e sintética (...) Interessa-o a forma e não o tema"[1]. Desse modo, Esmeraldo encaminha-se paulatinamente para a abstração, realizando, em 1957, suas primeiras gravuras decididamente abstratas, as quais mantêm estreita relação com a produção de Lívio Abramo.

No mesmo ano, muda-se para Paris, onde freqüenta aulas de gravura em metal com Johnny Friedlaender. No início faz trabalhos abstratos e líricos, quase informais. Suas gravuras, como os trabalhos de Friedlaender, são repletas de grafismos. Progressivamente, interessa-se pela produção construtiva e passa a lidar com formas mais regulares. Acompanha a produção dos artistas ligados à arte cinética, como Julio Le Parc (1928) e Jesús Rafael Soto (1923-2005). Na década de 1960, deixa de se dedicar exclusivamente à gravura e passa a experimentar outras linguagens. Em 1962, produz os primeiros trabalhos cinéticos, feitos com ímãs. Dois anos mais tarde, cria os Excitáveis, objetos cinéticos feitos de acrílico, que reagem ao toque do espectador e mudam de cor. No mesmo período, realiza as primeiras esculturas.

Ao retornar para Fortaleza, em 1978, trabalha com chapas de aço laqueado, produzindo esculturas com planos dobrados e pintados. Em 1981, realiza uma série de peças brancas em que inscreve formas geométricas vazadas. Apesar de lidar com objetos planos, seu trabalho sugere volume.

Em 1986, idealiza e organiza a 1ª Exposição de Escultura Efêmera de Fortaleza. Na mesma época, cria relevos discretos, a terceira dimensão é sugerida pela interação das faces, embora a obra seja quase plana. Esmeraldo conta, que no final dos anos de 1980, percebe que, muitas vezes, o volume de suas esculturas "é suporte para evidenciar as linhas"[2]. Na década de 1990, entre outros trabalhos, faz relevos em que sulca linhas rigorosas em superfícies bidimensionais de aço. Em 2001, radicaliza esse princípio. Trabalha com linhas regulares de aço, com as quais desenha formas geométricas tridimensionais no espaço.

 

Notas

1. MORAIS  Frederico. In: ESMERALDO, Sérvulo. Sérvulo Esmeraldo - Gravuras. Salvador: Oficinas do Centro de Artes plásticas Solar do Unhão, 1989. (folha dobrada).

2. AMARAL, Aracy. Personalidade de Sérvulo Esmeraldo. In: ESMERALDO, Sérvulo. A linha como fator determinante. São Paulo: Múltipla de Arte, 2001.

Obras 15

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Exposições 235

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Feiras de arte 1

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Festivais 1

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Mídias (1)

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Sérvulo Esmeraldo - Enciclopédia Itaú Cultural
Sérvulo Esmeraldo inicia seus estudos de xilogravura nos anos 1940, no Ceará. Na década seguinte, atua como gravador e ilustrador do jornal Correio Paulistano, em São Paulo, até ganhar uma bolsa de estudos na França, onde pratica litogravura e arte cinética produzindo obras com ímãs, eletroímãs e explorando a gravidade. De volta ao Brasil em 1978, dedica-se à arte pública e faz esculturas urbanas. Fiel à geometria, ele usa a forma como matriz para múltiplos objetos, reproduzidos em escala. Símbolos como triângulo, círculo e quadrado são recorrentes: “Essa é a imagem primeira do meu trabalho”, diz ele. Ao conectar, justapor e reproduzi-los em desenhos ou esculturas, Esmeraldo cria volumes e propõe novas dimensões aos materiais utilizados. Outros objetos do cotidiano têm sua utilização deslocada como em To Spin Span Spun, em que parafusos e ruelas se interligam dentro de um cilindro e ganham movimento e sonoridade.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Erika Mota (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 13

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  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. São Paulo: Meta, 2000.
  • ESMERALDO, Sérvulo. Esculturas e relevos. Rio de Janeiro: Triade Galeria, 1989. Folder.
  • ESMERALDO, Sérvulo. Sérvulo Esmeraldo. Apresentação Olívio Tavares de Araújo. São Paulo: Skultura Galeria de Arte, 1982.
  • ESMERALDO, Sérvulo. Sérvulo Esmeraldo. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1988.
  • ESMERALDO, Sérvulo. Sérvulo Esmeraldo. Texto Aracy Amaral. São Paulo: Skultura Galeria de Arte, 1986.
  • FLÓRIDO, Janice Maria; LOBELLO, Mario (Orgs.). A metrópole e a arte. São Paulo: Prêmio, 1992. (Arte e Cultura 13.).
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
  • LEIRNER, Sheila; WILDER, Gabriela Suzana (Curad.). Em busca da essência: elementos de redução na arte brasileira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1987.
  • MARTÍ, Silas. Um dos pioneiros da arte cinética, Sérvulo Esmeraldo, morre aos 87. Folha de S. Paulo, São Paulo, 02 fev. 2017. Ilustrada. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/02/1855126-um-dos-pioneiros-da-arte-cinetica-servulo-esmeraldo-morre-aos-87.shtml >. Acesso em: 02 fev. 2017.
  • MOSTRA DE GRAVURA CIDADE DE CURITIBA, 6., 1984. VI Mostra de Gravura Cidade de Curitiba: 1984 - Pan-Americana. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1984.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • VICTOR, Michel. Morre, aos 87 anos, o artista cearense Sérvulo Esmeraldo Sérvulo completaria 88 anos em 27 de fevereiro deste ano. Ultima exposição foi em sua cidade natal, no Crato, em 2016.G1 CE. Disponível em: < http://g1.globo.com/ceara/noticia/2017/02/morre-ao-87-anos-o-artista-cearense-servulo-esmeraldo.html >. Acesso em: 02 fev. 2017.

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