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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Jardel Filho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.01.2017
24.07.1927 Brasil / São Paulo / São Paulo
19.02.1983 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Registro fotográfico Fredi Kleemann

Retrato de Jardel Filho
Fredi Kleemann, Jardel Filho
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Jardel Frederico Bôscoli (São Paulo SP 1927 - Rio de Janeiro RJ 1983). Ator. Participa de quase todas as companhias teatrais dos anos 1940 e 1950. Apesar da força de sua aparência física - porte atlético, altura, rosto largo e tipo alemão - não se vale apenas de sua natural exuberância dramática, interpretando também tipos variados, como o intro...

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Biografia
Jardel Frederico Bôscoli (São Paulo SP 1927 - Rio de Janeiro RJ 1983). Ator. Participa de quase todas as companhias teatrais dos anos 1940 e 1950. Apesar da força de sua aparência física - porte atlético, altura, rosto largo e tipo alemão - não se vale apenas de sua natural exuberância dramática, interpretando também tipos variados, como o introvertido Jimmy de Geração em Revolta.

Inicia a carreira profissional no elenco de Os Comediantes, onde atua, em 1946, em Desejo, de Eugene O'Neill, e, no ano seguinte, em quatro espetáculos - A Rainha Morta, de Henry de Montherlant; Era Uma Vez Um Preso, de Jean Anouilh; remontagem de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, Terras do Sem Fim, adaptação do romance de Jorge Amado, sendo sempre, com exceção deste último, dirigido por Ziembinski. Sua atuação em Desejo lhe vale, em 1946, a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT), como revelação do ano.

Durante o ano de 1948 atua na companhia de Dulcina de Moraes e, em 1949, integra o elenco da companhia de Bibi Ferreira, atuando em vários espetáculos, como é o caso de Escândalos 1950, de Helio Ribeiro e Chianca Garcia, com direção deste último. Em 1951, ingressa na companhia de Henriette Morineau, Os Artistas Unidos, onde permanece até 1953. Sua interpretação em Jezebel, de Jean Anouilh, lhe vale a medalha de ouro da ABCT, em 1952. Dois anos depois, trabalha no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), recebendo o Prêmio Saci pelo desempenho em Assassinato à Domicílio, de Frederick Knott, direção de Adolfo Celi, atuando também em O Leito Nupcial, de Jan de Hartog, direção de Luciano Salce; Negócios de Estado, de Louis Verneuil, e Cândida, de Bernard Shaw, voltando a ser dirigido por Ziembinski. No Teatro Maria Della Costa (TMDC), está em Rosa Tatuada, de Tennessee Williams, Moral em Concordata, de Abílio Pereira de Almeida, ambos direção de Flaminio Bollini; Manequim, de Henrique Pongetti, dirigido por Eugênio Kusnet, e O Canto da Cotovia, de Jean Anouilh, com direção de Gianni Ratto, todos em 1956. No mesmo ano, integra também a companhia de Eva Todor. Em 1959, no Pequeno Teatro de Comédia, é dirigido por Ademar Guerra em Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, e por Antunes Filho, em Plantão 21, de Sidney Kingsley, que Jardel protagoniza e conquista três prêmios: Saci; Governador do Estado de São Paulo; e Medalha de Ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT. O crítico Décio de Almeida Prado, destacando o valor da direção, que soube "arrancar de cada artista aquelas potencialidades que ele mesmo ignorava possuir", escreve que "Jardel Filho, por exemplo, no papel principal, tem  uma criação impressionante, impressionante de força, é verdade, porém impressionante igualmente de simples veracidade humana nos instantes em que a peça se distende e se repousa".1

Em 1960, se une a Nydia Licia para trazer, pela primeira vez ao Brasil, o diretor e autor John Osborne, que assina o texto de Geração em Revolta, sob a direção de Adolfo Celi. No papel de Jimmy, revela a capacidade de interpretar a introversão e, segundo Décio de Almeida Prado, "explora com brilho todos os aspectos do texto, da neurose ao escárnio".2 É dirigido por Ivan de Albuquerque, em A Invasão, de Dias Gomes, pelo Teatro do Rio, 1962, e por Flávio Rangel, em O Sr. Puntila e Seu Criado Matti, de Bertolt Brecht, com a Companhia Carioca de Comédia, 1966. No mesmo ano, além da atuação no filme Terra em Transe, de Glauber Rocha, marco do Cinema Novo, faz incursões no teatro de vanguarda. Mas o fracasso de público em Tartufo, de Molière, dirigido por Antônio Abujamra no Grupo Decisão, e Júlio Cesar, de William Shakespeare, por Antunes Filho, o afastam de novas experiências.

A partir dos anos 1970, sua presença nos palcos se torna mais rara e sua carreira se concentra na televisão, onde as novelas lhe reservam normalmente bons vilões. Seu último espetáculo é, depois de sete anos fora de cena, Eu Posso?, de Reinaldo Loy, direção de Luiz Carlos Ripper, em 1982.

No cinema atua em Pra Lá de Boa, direção de Lulu de Barros, 1947; em Floradas na Serra, direção de Luciano Salce, na Companhia Vera Cruz, 1954; com direção de Fernando de Barros em Moral em Concordata; Terra em Transe, direção de Glauber Rocha, 1967; Macunaíma, direção de Joaquim Pedro de Andrade; Pixote, A Lei do Mais Fraco, direção de Hector Babenco, Rio Babilônia, direção de Neville de Almeida, e O Bom Burguês, direção de Osvaldo Caldeira, 1981.

Essencialmente um intérprete, Jardel Filho não se engaja em nenhuma das correntes que dominam a linha de frente do teatro nos anos 1960. Avesso ao teatro de pesquisa estética, não hesita em defender o conservadorismo, declarando: "Sou um profissional, vivo disto. Não vivo em bares [...] discutindo. Trabalho sem parar. O resto é prosopopéia. Procuro contribuir com o teatro, não destruí-lo como querem algumas pessoas. [...] O teatro papai e mamãe tem que haver sempre. É o único tipo de teatro que se mantém sempre. O papai e mamãe é o teatro que o público quer e precisa".3

Notas
1. PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso. São Paulo: Ed. Perpectiva, 2002. p. 139.

2. PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso. São Paulo: Ed. Perpectiva, 2002, p. 158.

3. JARDEL Filho. Depoimento. Programa em Revista, Rio de Janeiro.

Obras 1

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Espetáculos 68

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Fontes de pesquisa 3

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  • FILHO, Jardel. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral (1955-1964). São Paulo: Editora Perspectiva, 2002. (Coleção Estudos; 185).
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado

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