Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Tárik de Souza

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.03.2022
1946 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Tárik de Souza Farhat (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1946). Jornalista, crítico musical. Dono de um estilo de texto inconfundível e de uma análise profunda e bem informada, assume papel importante na crítica do que aconteceu e acontece na arte da canção brasileira.

Texto

Abrir módulo

Tárik de Souza Farhat (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1946). Jornalista, crítico musical. Dono de um estilo de texto inconfundível e de uma análise profunda e bem informada, assume papel importante na crítica do que aconteceu e acontece na arte da canção brasileira.

Na infância, em Copacabana, no Rio de Janeiro, o ambiente doméstico é sonorizado pela Rádio Nacional. Sua mãe ouve o dia inteiro a programação musical da rádio, que, na época, conta com o maior e melhor elenco de arranjadores, músicos e cantores do país. Aos 9 anos, tem curiosidade em saber quem são os cantores e compositores das músicas que ouve e, aos 11, compra seu primeiro disco. Ainda menino, entra em contato com o samba dos subúrbios cariocas. Essas experiências educam sua escuta e lançam as bases de sua sofisticada cultura musical. Não por acaso é considerado um dos maiores conhecedores e pesquisadores de nossa música popular em seus diferentes gêneros e estilos.

Em 1961, o pai, escritor, publicitário e jornalista Emil Farhat (1914-2000), então diretor da McCann Erickson Publicidade, muda com a família para São Paulo. Na capital paulista, Tárik passa a adolescência e, mais tarde, ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Em 1968, matricula-se no curso da Editora Abril, organizado para formar jornalistas para a recém-criada revista Veja. Nesse ano, inicia a atividade profissional como repórter, redator e editor de música daquele veículo. Realiza uma longa entrevista com o cantor Luiz Gonzaga (1912-1989) para a primeira edição da revista . A partir daí, consolida sua carreira no jornalismo musical. Sua produção documenta diálogos e análises de um amplo conjunto de artistas e obras que referenciam a criação da música popular brasileira. Entre as raras entrevistas concedidas à imprensa por João Gilberto (1931-2019), uma delas é concedida a Tárik e publicada na revista Veja em 1971. Além de editor da revista, é contratado como consultor e colaborador da coleção História da Música Popular Brasileira, publicada entre as décadas de 1970 e 1980 pela Editora Abril. Sucesso editorial na época, a coleção contribui para a sedimentação da memória musical brasileira para o grande público. Por meio dos fascículos da coleção, o leitor tem acesso a dados biográficos, fonogramas e análise crítica da obra musical de um conjunto de artistas do final do século XIX até os anos 1970.

Em 1973, retorna ao Rio de Janeiro para integrar a redação de O Pasquim, publicação de grande importância e influência na cena cultural e de resistência política no contexto da ditadura dos anos 1970. Nas páginas do semanário, entrevista um arco amplo de personalidades da música popular.  Ali também conhece o cartunista Henfil (1944-1988), com quem cria o personagem Ubaldo, o Paranoico. Em 1974, passa a colaborar com a revista Rock: A História e a Glória – Jornal de Música, da qual é um dos fundadores e editores, além de atuar em outros veículos ao longo da carreira, como Carta Capital, Elle e ShowBizz

Concomitante ao jornalismo musical, em 1991 produz e apresenta o programa Na Batucada da Vida, levado ao ar pela Rádio Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro. Em 1994, compila faixas e escreve resenhas críticas de encartes dos discos da coleção Mestres da MPB, lançada pela Warner Music. Desse ano até 2004, dirige a coleção Todos os Cantos, publicada pela Editora 34, onde organiza uma série de livros com biografias, canções e análises sobre movimentos em torno da música popular, como Tropicália, história de uma revolução musical , de Carlos Calado (1956), e A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (2 volumes), de Zuza Homem de Mello (1933-2020) e Jairo Severiano (1927), ambas de 1997

Nas duas primeiras décadas do século XXI, a produção de Tárik se mantém intensa. Além da publicação impressa e digital de textos, realiza trabalhos de consultoria musical e mantém programas no rádio e na televisão. Nesse período, lança Tem mais samba: das raízes à eletrônica (2003), uma compilação de textos escritos ao longo de sua carreira como crítico e jornalista musical. A obra aborda a trajetória do gênero samba desde seu aparecimento nas primeiras décadas do século XX até sua fusão com o rap e a música eletrônica. Lança também Sambalanço – A bossa que dança: um mosaico (2016), no qual descreve e analisa o movimento musical, que, nas décadas de 1950 e 1960, toma conta das boates do Rio de Janeiro, o sambalanço. Com essa obra, Tárik resgata a memória desse movimento musical e de artistas ligados a ele. O livro inspira o documentário homônimo lançado em 2019, roteirizado pelo próprio jornalista e dirigido por Fabiano Maciel (1965).

De 2005 a 2018, produz e apresenta o programa Bossamoderna na Rádio MEC do Rio de Janeiro. De 2009 a 2014, roteiriza e apresenta o programa MPBambas, para o Canal Brasil. Na mesma emissora é responsável pela pauta e pesquisa do programa O som do vinil, apresentado desde 2009 por Charles Gavin (1960). 

Em 2010, escreve sobre a trajetória e obra musical de Luiz Gonzaga e Nelson Cavaquinho (1911-1986) para a Coleção Folha Raízes da Música Popular Brasileira. Desde 2015, mantém a coluna "Supersônicas" no site do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB), onde atua como colaborador e editor do Jornalmusical desde 2006.

Com abordagem inovadora e ampla do conjunto de artistas e gêneros musicais que sua análise contempla, além de sensibilidade para descobrir novas tendências, Tárik de Souza é considerado um dos maiores nomes da crítica musical sobre criação e desenvolvimento da canção brasileira.

Fontes de pesquisa 7

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: