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Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Ivaldo Bertazzo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.01.2023
08.05.1949 Brasil / São Paulo / São Paulo
Ivaldo Bertazzo (São Paulo, São Paulo, 1949). Dançarino, coreógrafo, pesquisador, terapeuta corporal, educador. Através dos estudos da dança, da fisioterapia e da educação somática, sistematiza um método próprio, que tem como propósito a reeducação do movimento. Conhecido por desenvolver coreografias com não-bailarinos, destaca-se no cenário nac...

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Ivaldo Bertazzo (São Paulo, São Paulo, 1949). Dançarino, coreógrafo, pesquisador, terapeuta corporal, educador. Através dos estudos da dança, da fisioterapia e da educação somática, sistematiza um método próprio, que tem como propósito a reeducação do movimento. Conhecido por desenvolver coreografias com não-bailarinos, destaca-se no cenário nacional através de projetos socioculturais, sobretudo com jovens de comunidades carentes de grandes cidades.

Interessa-se por dança ainda na adolescência, quando começa a fazer aulas aos 16 anos de idade. Faz aulas com Tatiana Leskova (1922), Marika Gidali (1937), Renée Gumiel (1913-2006), Klauss Vianna (1928-1992), Angel Vianna (1928) e Ruth Rachou (1927-2022).

O contato com a dança faz com que, ao longo do tempo, siga por outros estudos que se debruçam sobre o corpo, tais como a fisioterapia e o ensino do movimento. Envereda-se também pelas pesquisas de biomecânica, sobretudo através dos métodos das pesquisadoras francesas Marie-Madeleine Béziers (1927-2003) e Suzanne Piret (1922-1977), e da belga Godelieve Denys-Struyf (1931-2009). A combinação entre dança e estudos do corpo levam-no, futuramente, à criação de seu Método Bertazzo de Reeducação do Movimento.

Na década de 1970, ao observar artistas do teatro amador e de demais apresentações cênicas, Bertazzo começa a compará-los com os corpos de bailarinos profissionais. Através desses estudos, inicia o desenvolvimento do conceito de cidadão-dançante, com o qual postula que não-bailarinos, e mesmo não-artistas, também podem dançar. Ao invés de aliar-se às técnicas de dança contemporânea, cujo acesso, à época, limita-se a coreógrafos profissionais, a metodologia parte de danças tradicionais da Ásia, em especial da Índia, da Indonésia, da Tailândia, do Vietnã e do Irã. A partir da cultura desses países, os gestos desenvolvidos por Bertazzo acentuam, por exemplo, as mãos e a geometria do corpo, através de triângulos e quadrados com a dança no espaço.

Em 1976, funda a Escola Ivaldo Bertazzo, onde desenvolve sua metodologia, aplicando-a também à concepção de espetáculos, tais como Danças e Rodas I e II (1976 e 1977) – seus primeiros trabalhos, que estreiam no palco do Teatro Galpão –, e Dédalo e o Redemunho (1978). Nestes espetáculos, os bailarinos em cena variam entre jornalistas, arquitetos, estudantes e donas-de-casa. Para as pesquisas que começam a ser feitas, de modo a aprimorar a sistematização do método, também são convidados especialistas em anatomia e neurologia. A partir de então, Bertazzo sustenta a hipótese de que a organização corporal e o índice de concentração estão intimamente relacionados, o que contribui com a melhora da capacidade de raciocínio.

Na década de 1990, realiza diversos trabalhos, a exemplo de Luz, Calma e Volúpia (1991) e Cidadão Corpo (1996), que acentuam a ideia de dança coral, caracterizada pela participação de inúmeras pessoas, com diferentes perfis de corpos e experiências variadas. Também nos anos 1990, começa a pensar a cena a partir de diferentes realidades brasileiras, tais como as apresentadas por comunidades indígenas e por artesãos de cantos variados do país.

O conceito de cidadão-dançante segue sendo investigado ao longo de toda a trajetória de Bertazzo. No início dos anos 2000, acentua a sua atuação em comunidades carentes, juntando-se ao Corpo de Dança da Maré, no Rio de Janeiro. Com essa companhia, cria os espetáculos Folias Guanabaras (2001) e Dança das Marés (2002), nos quais são abordadas questões relativas à cidadania e à comunidade. Nestes trabalhos, a presença de muitas pessoas em cena continua como uma de suas marcas. Em 2002, a parceria com o projeto Dança Comunidade impulsiona a formação da Cia Teatro Dança Ivaldo Bertazzo. Apesar de a companhia levar seu nome, não trabalha com um único coletivo, já que, a cada montagem, são recrutados novos cidadãos dançantes, músicos, atores, bailarinos e outros artistas para comporem o elenco de seus trabalhos

Em 2005, é responsável pela montagem de Milágrimas, espetáculo que combina dança e teatro musical, cujo título evoca a letra de mesmo nome de Itamar Assumpção (1949-2003) e Alice Ruiz (1946). Em 2006 e 2007, coordena o projeto Cidadança, que envolve 100 adolescentes de áreas de vulnerabilidade social da cidade de São Paulo. O projeto finaliza com o espetáculo Tudo o Que Gira Parece a Felicidade, que, assim como em outros de seus trabalhos, alinha a concepção estética aos valores de emancipação cultural e social.

A partir de 2010, em parceria com a Editora Sesc e com a Editora Manole, organiza a produção teórica e prática do método através dos livros: Cidadão Corpo: identidade e autonomia do movimento; Corpo Vivo: reeducação do movimento; Cérebro Ativo: reeducação do movimento; Gesto Reorientado: reeducação do movimento; Fases da Vida: da gestação à puberdade; Próximo Passo: adolescência.

Figura com grande atuação na dança brasileira, Bertazzo tem como lema a educação pelo movimento, que se estende especialmente aos não-bailarinos. A formação do cidadão é um de seus principais eixos, no qual a dança funde-se com a educação, com a psicologia e com a participação dentro da sociedade. Além disso, através da reeducação do movimento, também busca aprimorar as capacidades de concentração e de raciocínio, em especial de pessoas que não têm experiências prévias com a dança. Através de seu método, Bertazzo deseja que as pessoas consigam explorar o movimento, melhorar a postura, rever hábitos corporais para que, com isso, possam criar condições que aumentem a qualidade de vida. 

Espetáculos 10

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Espetáculos de dança 1

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Fontes de pesquisa 8

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  • BOGEA, Inês Vieira. Ivaldo Bertazzo: dançar para aprender o Brasil. 2007. 413f. Tese (Doutorado em Artes) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007. Disponível em: https://repositorio.unicamp.br/Busca/Download?codigoArquivo=481978. Acesso em: 27 out. 2022.
  • Concerto nº 1 Piano e Orquestra. São Paulo: Teatro Brigadeiro, 1976. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Brigadeiro. Não catalogado
  • MÉTODO BERTAZZO. Site. Disponível em: https://plataforma.metodobertazzo.com/. Acesso em: 27 out. 2022.
  • Programa do Espetáculo - Ciranda dos Homems ... Carnaval dos Animais - 1998. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Parentes Entre Parênteses - 1984. Não catalogado
  • Programa do espetáculo - Além da Linha D'Água - 1999. Não Catalogado
  • REVISTA COMUNICAÇÃO & EDUCAÇÃO. Depoimento. Ivaldo Bertazzo: arte também é educação.Revista ECA-USP, ano XI, n. 3, set./dez. 2006. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/comueduc/article/download/37604/40318/44202. Acesso em: 27 out. 2022.
  • SOTER, Silvia. Cidadãos dançantes: a experiência de Ivaldo Bertazzo com o Corpo de Dança da Maré. Rio de Janeiro: Editora Univer Cidade, 2007.

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