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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Regina Silveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.07.2021
18.01.1939 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Registro fotográfico André Seiti/Itaú Cultural

Regina Silveira, 2010

Regina Scalzilli Silveira (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1939). Artista multimídia, gravadora, pintora e professora. Com diferentes linguagens, sua obra explora temas que passam pela composição da imagem, pela reinvenção da representação, pelo poder e pela política.

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Regina Scalzilli Silveira (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1939). Artista multimídia, gravadora, pintora e professora. Com diferentes linguagens, sua obra explora temas que passam pela composição da imagem, pela reinvenção da representação, pelo poder e pela política.

Gradua-se, em 1959, em pintura no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA/UFRGS), onde é aluna dos pintores Aldo Locatelli (1915-1962) e Ado Malagoli (1906-1994). No início dos anos 1960, tem aulas de gravura com o austríaco Francisco Stockinger (1919-2009) e com Marcelo Grassmann (1925-2013), no Ateliê Livre da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

Tem aulas de pintura com Iberê Camargo (1914-1994), artista que exerce forte influência na poética de Silveira. Com ele, absorve a maneira de encarar a técnica como um meio e não um fim, e aprende a duvidar dos códigos de representação preestabelecidos e cristalizados.

No fim da década de 1960 e começo de 1970, produz esculturas e serigrafias ainda de forte tradição geométrico-construtiva. Inicia trabalhos com malhas geométricas e perspectivas, como Labirintos (1971). Na série de serigrafias Middle Class & Co (1971-1972), trata da questão da dilaceração do indivíduo na sociedade contemporânea, intervindo sobre fotografias com recortes, diagramações e reticulações. A apropriação de imagens fotográficas torna-se constante na obra da artista, que lhe acrescenta uma dimensão semântica.

Realiza fotomontagens impressas em offset e concebidas como simulacros de cartões-postais turísticos, como Brazil Today: Natural Beauties (1977). Nesta série, agrega a fotografias de lugares históricos e pitorescos, como o Viaduto do Chá ou o Monumento às Bandeiras, imagens de escombros ou de um cemitério de automóveis. Utiliza várias mídias em seus trabalhos, como heliografia, microfilme, xerox, painel eletrônico, videoarte, videotexto e mail-art.

Em 1967, estuda na Faculdade de Filosofia e Letras de Madri como bolsista do Instituto de Cultura Hispânica. Em 1969, é convidada a ministrar cursos na Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Porto Rico. Em 1973, volta ao Brasil e coordena o setor de gravura da Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), onde permanece até 1985.

Em 1974, passa a lecionar na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Na mesma instituição, defende dissertação de mestrado em 1980 e obtém o título de doutora em 1984. Como docente, tem importante papel na formação de vários artistas das novas gerações, como Ana Maria Tavares (1958), Rafael França (1957-1991), Mônica Nador (1955) e Iran do Espírito Santo (1963)

Em 1981 e 1983, participa como artista convidada da Bienal de São Paulo. Nessa década, começa a explorar questões relativas à representação visual. Na série Anamorfas (1980), interessa-se pela subversão dos sistemas de perspectiva. Fotografias de objetos cotidianos são redesenhadas com o intuito de obter compressões, dilatações e dobras.

Na obra In Absentia M. D. (1983), sombras agigantadas de alguns dos trabalhos mais famosos do pintor francês Marcel Duchamp (1887-1968) – importante referência para Silveira – são pintadas no chão com base em pedestais vazios. 

Também como parte da investigação referente à perspectiva, Simulacros (1984) é um conjunto cuja característica comum é a representação de sombras criadas com base em distorções projetivas inventadas, nas quais o elemento causador não está presente. Há, nessas obras, referências conceituais ao dadaísmo e ao surrealismo. A artista questiona a natureza da representação visual e sua relação com a percepção. Faz uso da sombra como índice de ausência, de algo de que o observador tem apenas a referência mental.  

No fim dos anos 1980, inclui discussões políticas em suas obras, como a abordagem do papel social da mulher em Carrinho de Chá (1986) e as reflexões sobre o poder em Monudentro (1987). A vertente social segue na produção da década seguinte, sobretudo em Encuentro (1991) e The Saint's Paradox (1994).

De 1991 a 1994, vive em Nova York, com bolsas de estudo concedidas pela John Simon Guggenheim Foundation (1991), pela Pollock-Krasner Foundation (1993) e pela Fulbright Foundation (1994). Em 1995, recebe bolsa de artista residente da Civitella Ranieri Foundation e, em 1998, é novamente artista convidada da Bienal de São Paulo. 

Ainda nos anos 1990, começa a intervir no espaço com a aplicação de silhuetas sombreadas, em tinta ou látex, sobre paredes ou pisos. Algumas obras apresentam ampla relação com a arquitetura, como Vértice (1994) ou Escada Inexplicável II (1999), nas quais oferece ao espectador a ilusão de profundidade.

Recebe o Prêmio Cultural Sergio Motta em 2000. Por meio de trabalhos em vinil e projeções luminosas sobre a fachada de edifícios, passa a interferir no meio urbano. Em Lumen (2002)1, trabalha a luz, com a imagem de uma claraboia e sua multiplicação visual e espacial, gerando figuras que remetem às formadas em caleidoscópio.

Realiza exposições individuais como 1001 Dias e Outros Enigmas (2011), na Fundação Iberê Camargo, e Exit (2018), no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE). Recebe em 2011 o Grande Prêmio da Crítica, da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Em 2013, é condecorada pelo Museu de Arte de São Paulo (Masp) com o Prêmio Masp de Artes Visuais na categoria Conjunto da Obra.

Regina Silveira tem um importante papel na formação de artistas contemporâneos e um trabalho que perpassa várias linguagens das artes visuais e explora questões próprias da representação imagética e temas sociais e políticos.

Nota

1. O trabalho é exposto em 2005 no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, España.

Obras 52

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

A Mesma e a Outra

Pintura e serigrafia, terceira queima sobre azulejos cerâmicos
Registro fotográfico arquivo do artista

Agulha

Ploter
Registro fotográfico Romulo Fialdini

Alfinete

Vinil adesivo
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Anamorfas

Lito-offset
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Anamorfas

Lito-offset

Exposições 615

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Feiras de arte 2

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Instalações 1

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Intervenções 1

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Mostras audiovisuais 4

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Palestras 1

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Mídias (3)

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A Arte de Desenhar - Ocupação Regina Silveira (2010)
A Arte de Desenhar, 1980, 2'32" - Ocupação Regina Silveira (2010)
Regina Silveira Luz e Sombra, 2009 [Parte I]
Sérgio Roizenblit
Itaú Cultural

Fontes de pesquisa 18

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  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997.
  • BIENAL BRASIL SÉCULO XX, 1994, São Paulo, SP. Bienal Brasil Século XX: catálogo. Curadoria Nelson Aguilar, José Roberto Teixeira Leite, Annateresa Fabris, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Walter Zanini, Cacilda Teixeira da Costa, Agnaldo Farias. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1994.
  • COELHO NETO, José Teixeira. Regina Silveira, a revelação da sombra. Arte em São Paulo, São Paulo, n. 22, abr. 1984.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • MORAES, Angélica de (org.). Regina Silveira: cartografias da sombra. São Paulo: Edusp, 1996.
  • PERFIL da Coleção Itaú. Curadoria Stella Teixeira de Barros. São Paulo: Itaú Cultural, 1998.
  • POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999.
  • SILVEIRA, Regina. Anamorfas. São Paulo, 1980. Dissertação (Mestrado) - ECA/USP.
  • SILVEIRA, Regina. Regina Silveira: anamorfas. São Paulo: MAC/USP, 1980.
  • TRIDIMENSIONALIDADE: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 1999.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.
  • __________. Regina Silveira. Apresentação Carlos Cavalcanti. Porto Alegre: Museu de Arte do Rio Grande do Sul, 1966.
  • __________. Regina Silveira. Porto Alegre: Museu de Arte do Rio Grande do Sul, 1961.
  • __________. Regina Silveira: in absentia (stretched). Texto de Walter Zanini. New York: The Queens Museum of Art, 1992. (Contemporary currents). Texto traduzido e revisto por Walter Zanini em 1997.
  • __________. Regina Silveira: inflexões. Porto Alegre: Arte & Fato, 1989.
  • __________. Regina Silveira: inflexões. São Paulo: Galeria Luisa Strina, 1987.
  • __________. Regina Silveira: projectio. Apresentação José Sommer Ribeiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1988.

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