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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eduardo Corona

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.06.2022
22.08.1921 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
25.04.2001 Brasil / São Paulo / São Paulo
Eduardo Corona (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1921 - São Paulo, São Paulo, 2001). Arquiteto, professor, editor. Forma-se arquiteto na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, em 1946. Ainda estudante, abre escritório com colegas e presta serviço a diversos arquitetos modernos, entre os quais Oscar Niemeyer (1907-2012), com...

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Eduardo Corona (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1921 - São Paulo, São Paulo, 2001). Arquiteto, professor, editor. Forma-se arquiteto na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, em 1946. Ainda estudante, abre escritório com colegas e presta serviço a diversos arquitetos modernos, entre os quais Oscar Niemeyer (1907-2012), com quem trabalha entre 1946 e 1949. Nesse ano, a convite do arquiteto carioca Abelardo Riedy de Souza (1908-1981), ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) como professor assistente em teoria da arquitetura. Permanece na FAU/USP até 2000 e é vice-diretor em 1983. Concomitantemente é professor na FAU da Universidade Mackenzie (1957-1964), da Universidade Braz Cubas (UBC) e da Escola Farias Brito (1970-77), ambas fundadas pelo arquiteto, além da Universidade de Guarulhos (1990-1999). É presidente da Associação Brasileira de Escolas de Arquitetura (ABEA), ente 1976 e 1978.

Atua com destaque no campo editorial, organizando livros de referência como o Dicionário da Arquitetura Brasileira (1972), realizado com o historiador e arquiteto Carlos Lemos (1925), e o Arquitetura Moderna Paulistana (1983), realizado com Lemos e com o historiador e arquiteto Alberto Xavier (1936). Por este último trabalho recebe o 1º prêmio do Departamento de São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SP), na categoria trabalhos escritos: ensaio ou crítica. 

Já no ano de sua transferência para a capital paulista, vincula-se ao Convênio Escolar, permanecendo na equipe até 1952. A partir de então desenvolve projetos individuais, alguns deles para o Fundo Estadual de Construções Escolares (FECE/SP) (1967-1969), e o Edifício de História e Geografia da USP (1961/1966), 1º prêmio do IAB/SP, na categoria Edifícios Educacionais. Em parceria com os arquitetos Roberto Tibau (1924-2003) e Antonio Carlos Pitombo, realiza o Planetário do Ibirapuera (1952), 1º prêmio no 19º Salão Paulista de Belas Artes de São Paulo. Entre 1976 e 1983, mantém escritório com Lauresto Couto Esther e Cristina Lage.

É membro da Comissão Organizadora do 4º Congresso Brasileiro de Arquitetos, realizado em São Paulo em 1954 e do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia  (CREA SP), entre 1954 e 1966.

Análise

Filho e neto de arquitetos, o gaúcho Eduardo Corona forma-se no Rio de Janeiro, mas é em São Paulo que sua obra encontra expressão maior. Formado pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil em 1946, seu aprendizado se faz também no trabalho com os jovens arquitetos cariocas para os quais presta serviços ainda estudante, entre eles Affonso Eduardo Reidy (1909-1964), Jorge Moreira (1904-1992) e Oscar Niemeyer. Dessa forma, o início de sua carreira é marcado pelo repertório da arquitetura moderna carioca, como atestam os projetos desenvolvidos para o Convênio Escolar (1949-1952),1 liderado pelo arquiteto carioca Hélio Duarte (1906-1989). Dos projetos ali desenvolvidos o que mais se destaca é o Ginásio Estadual da Penha (1953). Implantado num lote de esquina em declive, o edifício de extenso programa - salas de aula, auditório, biblioteca, ambulatório, piscina e playground - desenvolve-se em três pavimentos sobre pilotis, com extensas janelas rasgando as fachadas e cobertura asa-de-borboleta, atestando seu conhecimento e domínio dos elementos da chamada “escola carioca”. Nas residências projetadas na década de 1950, entre elas a Residência do Pacaembu (1951), em São Paulo, projetada em parceria com Roberto Tibau, também se nota essa influência. Adotando uma implantação inovadora naquele momento, que propõe o acesso pela área íntima, ao nível da rua, os arquitetos superam as relações de frente e fundos que marcavam a produção arquitetônica até aquele momento, trabalhando com planos de vidro e de elementos vazados utilizados tanto como quebra-sol quanto como painéis de composição, que garantem a continuidade visual entre áreas internas e externas.

Nos anos 1960, o arquiteto se aproxima da produção paulista da arquitetura moderna, realizando a sua obra mais importante, o Edifício de História e Geografia da Universidade de São Paulo - USP (1961/1964). O edifício apóia-se na idéia norteadora dos demais projetos de criar espaços internos generosos, que se interligam através de ruas e caminhos e ampliam as possibilidades de um convívio universitário. É com essa intenção que o arquiteto propõe uma unidade permeável sob um grande vão em concreto armado e iluminação zenital, com eixos de penetração transversal e outro longitudinal, este no mesmo sentido dos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (1961/1969), projetada por Vilanova Artigas (1915-1985), e da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais, ambas da USP.
 
Na década de 1970, Corona participa da ousada experiência de fundar um curso de arquitetura novo, projetando o campus e os edifícios da Universidade Braz Cubas (UBC), em Mogi das Cruzes. Nesta década suas obras apresentam uma tendência à simplificação formal, que os edifícios da UBC comprovam. Definidos por planos geométricos de base retangular, atendem a solicitação de um projeto de baixo custo e reduzidos prazos de execução, por meio da utilização de painéis metálicos, vedação modulada em blocos de concreto, caixilhos de ferro e cobertura em telha metálica.

A despeito do interesse de suas obras como arquiteto, Eduardo Corona se destaca no panorama da arquitetura moderna brasileira como editor. Mentor de iniciativas importantes para a afirmação e a divulgação da arquitetura moderna no país, Corona, associado aos arquitetos e historiadores Carlos Lemos e Alberto Xavier, organiza publicações que são ainda hoje referência para os estudantes de arquitetura, entre elas o livro Arquitetura Moderna Paulistana (1983). Idealizado inicialmente como um “Roteiro da Arquitetura Contemporânea em São Paulo”, publicado na revista Acrópole em 1963, o livro é um guia da arquitetura moderna produzida em São Paulo entre 1927 e os anos 1980, destinado tanto ao público especializado quanto ao leigo. A esta publicação se somam o Dicionário de Arquitetura Brasileira (1972) e a Bibliografia Mínima para as Escolas de Arquitetura (1976), realizado em co-autoria com Lucio Gomes Machado (ca.1940). 

Nota

1. Programa ligado à Prefeitura do Município de São Paulo, criado em 1949 para reorganizar o sistema escolar do município, com planejamento e construção de uma rede de escolas e equipamentos conexos. O Convênio foi extinto em 1956.

Exposições 5

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Fontes de pesquisa 7

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  • CARRANZA, Ricardo. Eduardo Corona – documento. Arquitetura e urbanismo, São Paulo, n. 95, pp. 82-7, abr./mai. 2001.
  • CARRANZA, Ricardo. Eduardo Corona: Arquitetura Moderna em São Paulo. 2000. 261f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo). - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
  • CIDADES UNIVERSITÁRIAS: patrimônio urbanístico e arquitetônico da USP. São Paulo: Edusp: Imprensa Oficial, 2000.
  • Premiação do XVII Salão Paulista de Belas Artes. Correio Paulistano, São Paulo, 26 ago. 1952. capa. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/090972_10/12452. Acesso em: 03 jun. 2022.
  • SALÃO PAULISTA DE BELAS ARTES, 17., 1952, São Paulo. 17º Salão Paulista de Belas Artes. São Paulo, SP: Salão do Trianon, 1952.
  • SEGAWA, Hugo. Um programa de passeio: Arquitetura Moderna Paulistana. Projeto, São Paulo, n. 62, pp.18-20, abr. 1984.
  • XAVIER, Alberto; CORONA, Eduardo; LEMOS, Carlos (org.). Arquitetura moderna paulistana. São Paulo: Pini, 1983.

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