Artigo da seção pessoas Paulo Bruscky

Paulo Bruscky

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / literatura  
Data de nascimento dePaulo Bruscky: 21-03-1949 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / Recife)
Imagem representativa do artigo

Frágil , 1977 , Paulo Bruscky
Reprodução fotográfica Breno Laprovitera

Paulo Roberto Barbosa Bruscky (Recife, Pernambuco, 1949). Artista multimídia, poeta, inventor e pesquisado. Formado em comunicação social pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), inicia sua prática artística na década de 1960, estudando desenho, pintura e gravura, além de freqüentar o estúdio fotográfico do pai. Autodidata, desde os anos 1970, explora linguagens e suportes de toda espécie, sendo apontando como pioneiro na utilização de novos meios na arte brasileira.

Em 1971, faz sua primeira exposição individual na galeria da empresa de turismo de Pernambuco (Empetur) com suas pesquisas em arte-xerox. Em 1973, realiza performances de cunho político que o colocam em conflito com as autoridades militares brasileiras, levando-o a prisão. No mesmo ano, começa a trocar correspondências com artistas de postura libertária e anticomercial como Yoko Ono (1933), Keith Hering (1958-1990), John Cage (1912-1992), Ken Friedman (1949), Leon Ferrari (1920-2013), Hudnilson Junior (1957-2013) e Ulisses Carrión (1941-1989), entre outros. 

Como integrante do movimento de arte postal (mail art), organiza a exposição Arte Correio (Recife, 1976) que é fechada pela polícia, acusada de promover ideias subversivas. No mesmo ano, edita o livro de artista O meu Cérebro Desenha Assim (1976), composto de eletroencefalogramas do artista. Realiza também um vídeo e um filme em Super-8.

Em parceria com o artista Daniel Santiago (1939), realiza a Artdoor (1981), mostra de arte internacional que tem como suporte 200 outdoors da cidade de Recife. Depois de receber o Guggenheim Fellowship, em 1982, Bruscky passa um ano em Nova York, onde aprofunda suas pesquisas sobre xerox-filme, realizando mais de 30 filmes em Super-8 e vídeos. 

Em 2004, seu ateliê é transferido do Recife para São Paulo e remontado em uma das oito salas especiais da 26ª Bienal Internacional de São Paulo. Na remontagem, é colocada parte dos 70 mil itens, que compõem seu acervo pessoal sobre arte contemporânea, entre cartas, postais, catálogos, folders, convites, livros etc.

Participa das16ª, 20ª, e 29ª edições da Bienal de São Paulo (1981, 1989, e 2010) e da 10ª Bienal de Havana (2009), Cuba. Suas mais recentes mostras são: Paulo Bruscky (2014), no Museu de Arte Moderna de São Paulo e Art Is our Last Hope (2013), no The Bronx Museum, Nova York.

Suas obas integram acervos como: Museum of Modern Art (MoMA), Nova York; Guggenheim Museum, Nova York; Tate Gallery, Londres; Museu de Arte Moderna de São Paulo; e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP).

 

Análise

Testando e estendendo os limites da prática artística, Paulo Bruscky manteve-se, até pouco tempo, à margem do mercado da arte. 

O artista propõe uma conexão entre arte e vida por meio da apropriação dos recursos disponíveis no território que o corpo ocupa. Na década de 1970, apropria-se dos meios de reprodução disponíveis no seu entorno. Carimbos, selos e máquinas fotocopiadoras são abarcados numa rede analógica em que circulam fotografias, registros de ações e performances, poesias visuais e outros projetos. Com a arte postal, Bruscky rompe as barreiras sociais e políticas impostas pela ditadura militar, colocando Recife no mapa da arte contemporânea.

Os territórios que o corpo ocupa e as forças que neles atuam, são questões constantes nas performances do artista. Em 1971, organiza seu próprio enterro: Arte Cemiterial é uma exposição/performance que remete simbolicamente ao luto de uma população sem direitos civis. Os convites, na forma dos populares santinhos de oração, provocam o moralismo vigente. No final do cortejo, com o féretro na frente da Galeria da Empetur, o artista é levado para prestar esclarecimentos e a exposição é fechada pela Polícia Federal.

Na abertura do Salão de Arte de Pernambuco de 1978, Bruscky grafita no muro principal do Museu do Estado a frase: “A arte não pode ser presa”. A ação acontece minutos antes da chegada do então Governador Marco Maciel (1940), nomeado pelos militares. Assustados, os funcionários da instituição apressam-se para apagar a mensagem indesejada. Utilizam, entretanto, objetos cortantes e acabam por cavar a frase. O muro ganha cicatrizes deixando a frase ainda mais evidente.

No mesmo ano, Bruscky caminha pelas ruas de Recife com uma placa pendurada no pescoço onde se lê: “O que é arte? Para que serve?”. Como um homem-sanduíche que empresta o corpo para anúncios, o artista suporta o peso do seu questionamento. Na vitrine de uma livraria, coloca-se como sujeito e objeto da pergunta que formula. Sua presença irônica sugere a constatação de que a dúvida é o lugar privilegiado da arte contemporânea.

Em Nova York, por ocasião da bolsa Guggenheim Fellowship, publica nos classificados do jornal The Village Voice o anúncio “Air art: composition of clouds in the sky of New York” (1982). Esse anúncio burla os mecanismos de controle de informação, fazendo circular nos jornais americanos proposições muito caras ao artista naquele momento, como, por exemplo, ir ao encontro de um público mais amplo e diversificado e, eliminar qualquer possibilidade de fazer obra-objeto-mercadoria.

Paulo Bruscky também aproveita a estadia nos Estados Unidos para aprofundar a pesquisa sobre as relações entre corpo e movimento, abrindo um novo campo para o desenho de animação e o cinema experimental. Nesses xeroxfilmes, o artista filma, quadro a quadro, com uma câmera Super-8, as imagens produzidas pela fotocopiadora, criando uma animação que recompõe o movimento congelado pela máquina.

O primeiro trabalho, Xeroperformance (1980), realizado em Recife, mostra a relação do corpo de Bruscky com o equipamento xerográfico. Suas imagens, paralisadas pela máquina xerox, quando animadas, dão movimento à atuação performática. Em Aépta (1982), seu único xerofilme colorido, realiza uma animação utilizando linhas de costura projetadas por um espelho sobre a copiadora. O movimento dado às imagens torna-as mais fragmentadas e velozes, conferindo à obra um aspecto videográfico.

Em 2007, Bruscky retoma a série de desenhos feitos com base nas interações entre máquina e corpo, ou seja, com seus eletroencefalogramas . Em O meu Cérebro desenha assim, o artista procura por correspondências entre os estados de ânimo e os efeitos gráficos produzidos pela máquina. Utiliza a tecnologia para fixar uma experiência em que corpo e mente atuam como uma coisa só  na apreensão e compartilhamento do mundo. 

Para o artista, arte e vida não se separam. Seu trabalho dirige-se ao entorno, apropria-se dele para construir uma cartografia do seu percurso criativo enquanto coleta evidências desse processo. Realidade e imaginação fundem-se para construir sua obra.

Ressignificando o mundo, dá visibilidade às coisas que existem ou acontecem ao nosso redor. Com efeito, arte postal, audioarte, xerografia, videoarte, intervenções urbanas, carimbos, colagens, desenho, fotografia etc. são tecnologias disponíveis para eliminar os limites entre ordem e desordem, mente e corpo, arte e vida, homem e máquina.

Outras informações de Paulo Bruscky:

  • Outros nomes
    • Paulo Roberto Barbosa Bruscky
    • Paulo Brusky
  • Habilidades
    • Poeta
    • Artista multimídia

Obras de Paulo Bruscky: (21) obras disponíveis:

Todas as obras de Paulo Bruscky:

Midias (1)

Paulo Bruscky - Enciclopédia Itaú Cultural
A formação de Paulo Bruscky começa na infância, como aprendiz do pai, fotógrafo, ampliando imagens em seu ateliê. “Em casa, ouvíamos música clássica, principalmente de russos. Também li toda a obra de Dostoiévski e Tolstói”, relembra. Para Bruscky, a arte é feita para “circular”, o que justifica seus trabalhos em vídeo, xerox, arte postal e fax. Uma de suas ações nesse sentido foi o Arte Correio, em 1973, movimento que exibia as obras em espaços públicos. “Aeroportos, rodoviárias: qualquer lugar de fluxo era lugar para a exposição”, descreve ele. “Qualquer pessoa participava e veiculava xerox, poesia visual, áudio arte.” Para Bruscky, a arte deve tratar da realidade. “Ela não está isolada do ser humano nem dos sentimentos. Não é uma coisa bela”, acredita. “Aliás, não sei mais o que é belo, o que é feio. Me deseduquei muito cedo para a estética e a função da arte. Sou desvinculado desse tipo de formalidade.”

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (152)

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Todas as exposições

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Fontes de pesquisa (22)

  • TERRA, Paula; FERREIRA, Glória (Cur.). Situações: arte brasileira anos 70. Rio de Janeiro: Fundação da Casa França-Brasil, 2000. 
  • ANTI-EXPERIMENTAL. Dossiê 11: A arte e a vida de Paulo Bruscky na poesia visual e no experimentalismo. Anti-experimental blogspot. 28 jun 2010. Disponível em: http://anti-experimental.blogspot.com.br/2010/06/dossie-11-arte-e-vida-de-paulo-bruscky.html.  Acesso em: 03 set. 2014.
  • ARAÚJO, Pamella Emília Queiroz. Paulo Bruscky: Intervenções e Deslocamentos de Sentido no Espaço Urbano. In: Da pesquisa, revista do Centro de Artes da Udesc, Florianópolis, n.11, p. 143-153, abr. 2014. Disponível em: http://www.ceart.udesc.br/dapesquisa/11/artigos/VISUAIS_paulo_bruscky.pdf. Acesso em 03 set. 2014.
  • ARTE conceitual e conceitualismos: anos 70 no acervo do MAC USP. Curadoria Cristina Freire; versão em inglês Elizabeth Bjorkstrom Moraes, Thomas Karsten. São Paulo: MAC/USP, 2000
  • ARTE Xerox Brasil. Apresentação de Jorge da Cunha Lima; textos de Maria Cecília França Lourenço, Hudinilson Jr., Rosita Gouveia; curadoria de Hudinilson Jr. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1984. 
  • BESSA, Antônio Sérgio. A deseducação de Paulo Bruscky. Revista Portfolio EAV,  Rio de Janeiro. Disponível em:http://revistaportfolioeav.rj.gov.br/edicoes/03/?p=1213.
  • BRUSCKY, Paulo. Alto retrato. Recife: Pirata, 1981. [82] p., il. p&b.
  • CREMER, Paola. Não se pode prender a arte. Jornal Tabaré, Porto Alelgre, 31 ed., 20 mar. 2013. Disponível em:http://jornaltabare.wordpress.com/2013/03/20/nao-se-pode-prender-a-arte/.  Acesso em: 03 set. 2014.
  • Entrevista com Paulo Bruscky. Lugares - Revista de Arte Contemporânea da Fundação Iberê Camargo. Porto Alegre, 12 nov. 2004. Disponível em: [http://iberecamargo.uol.com.br/content/revista_nova/entrevista_integra.asp?id=80]. Acesso em: 06 out 2006
  • GALERIA Nara Roesler. Página da galeria do artista. Disponível em: http://www.nararoesler.com.br/artists/56-paulo-bruscky/.  Acesso em: 03 set.14.
  • GALERIA Nara Roesler. Portfólio do artista. Disponível em: http://www.nararoesler.com.br/usr/library/documents/main/56/portfolio-gnr-paulo-bruscky-web-res.pdf.  Acesso em: 03 set.2014
  • HUG, Alfons. Contrabandistas de Imagens. UOL Arte - 26ª Bienal de São Paulo. Disponível em: http://www1.uol.com.br/diversao/arte/bienal/ultnot/ult2585u1.shl.
  • INSTITUTO Tomie Ohtake. Programa da exposição Paulo Bruscky: banco de ideias. In: Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, 2012. Disponível em: http://www.institutotomieohtake.org.br/programacao/exposicoes/bruscky/.  Acesso em: 03 set. 2014.
  • LONGMAN, Gabriela. Artista coleciona 70 mil documentos que contam parte da história da arte no Brasil. In: Folha de S.Paulo, São Paulo, 31 ago. 2014. Serafina. Disponível em:  http://www1.folha.uol.com.br/serafina/2014/08/1507647-artista-coleciona-70-mil-documentos-que-contam-parte-da-historia-da-arte-no-brasil.shtml.  Acesso em: 03 set. 2014.
  • PANORAMA DA ARTE BRASILEIRA, 2001, São Paulo, SP. Panorama da Arte Brasileira 2001. Curadoria geral Rejane Cintrão; curadoria Ricardo Basbaum, Paulo Reis, Ricardo Resende; versão em inglês John Milton, Maria Lucia Cavalcanti de Albuquerque Cumo. São Paulo: MAM, 2001.
  • PAULO Bruscky. Página do Facebook. Disponível em: https://www.facebook.com/paulobruscky?fref=ts ?.  Acesso em: 03 set. 2014.
  • Paulo Bruscky: perfil biográfico. Disponível em: http://www.mamam.art.br/mam_acervo/pbruscky.htm. Acesso em: 06 out 2006
  • Paulo Bruscky: perfil biográfico. Disponível em:http://www.merzmail.net/artepostalarte.htm.  Acesso em 06 out. 2006
  • PRÊMIO CULTURAL SERGIO MOTTA, 2., 2001, São Paulo, SP. 2º Prêmio Cultural Sergio Motta. São Paulo: Instituto Sergio Motta, [2001?].
  • PRÊMIO CULTURAL SERGIO MOTTA, 2., 2001, São Paulo, SP. 2º Prêmio Cultural Sergio Motta. São Paulo: Instituto Sergio Motta, [2001?].
  • SESC TV. Curta artes: Paulo Bruscky. In: Sesc TV, São Paulo. Artes visuais. Vídeo. Disponível em: http://artesvisuais.sesctv.org.br/video/paulo-bruscky/.  Acesso em: 03 set. 2014.
  • TRADIÇÃO e ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1984.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PAULO Bruscky. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7783/paulo--bruscky>. Acesso em: 23 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7