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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Paulo Bruscky

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.04.2021
21.03.1949 Brasil / Pernambuco / Recife

Protetor para Identidade, 1975
Paulo Bruscky
Off-set sobre papel
18,10 cm x 22,70 cm

Paulo Roberto Barbosa Bruscky (Recife, Pernambuco, 1949). Artista multimídia, poeta, inventor e pesquisado. Formado em comunicação social pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), inicia sua prática artística na década de 1960, estudando desenho, pintura e gravura, além de freqüentar o estúdio fotográfico do pai. Autodidata, desde os an...

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Paulo Roberto Barbosa Bruscky (Recife, Pernambuco, 1949). Artista multimídia, poeta, inventor e pesquisado. Formado em comunicação social pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), inicia sua prática artística na década de 1960, estudando desenho, pintura e gravura, além de freqüentar o estúdio fotográfico do pai. Autodidata, desde os anos 1970, explora linguagens e suportes de toda espécie, sendo apontando como pioneiro na utilização de novos meios na arte brasileira.

Em 1971, faz sua primeira exposição individual na galeria da empresa de turismo de Pernambuco (Empetur) com suas pesquisas em arte-xerox. Em 1973, realiza performances de cunho político que o colocam em conflito com as autoridades militares brasileiras, levando-o a prisão. No mesmo ano, começa a trocar correspondências com artistas de postura libertária e anticomercial como Yoko Ono (1933), Keith Hering (1958-1990), John Cage (1912-1992), Ken Friedman (1949), Leon Ferrari (1920-2013), Hudnilson Junior (1957-2013) e Ulisses Carrión (1941-1989), entre outros. 

Como integrante do movimento de arte postal (mail art), organiza a exposição Arte Correio (Recife, 1976) que é fechada pela polícia, acusada de promover ideias subversivas. No mesmo ano, edita o livro de artista O meu Cérebro Desenha Assim (1976), composto de eletroencefalogramas do artista. Realiza também um vídeo e um filme em Super-8.

Em parceria com o artista Daniel Santiago (1939), realiza a Artdoor (1981), mostra de arte internacional que tem como suporte 200 outdoors da cidade de Recife. Depois de receber o Guggenheim Fellowship, em 1982, Bruscky passa um ano em Nova York, onde aprofunda suas pesquisas sobre xerox-filme, realizando mais de 30 filmes em Super-8 e vídeos. 

Em 2004, seu ateliê é transferido do Recife para São Paulo e remontado em uma das oito salas especiais da 26ª Bienal Internacional de São Paulo. Na remontagem, é colocada parte dos 70 mil itens, que compõem seu acervo pessoal sobre arte contemporânea, entre cartas, postais, catálogos, folders, convites, livros etc.

Participa das16ª, 20ª, e 29ª edições da Bienal de São Paulo (1981, 1989, e 2010) e da 10ª Bienal de Havana (2009), Cuba. Suas mais recentes mostras são: Paulo Bruscky (2014), no Museu de Arte Moderna de São Paulo e Art Is our Last Hope (2013), no The Bronx Museum, Nova York.

Suas obas integram acervos como: Museum of Modern Art (MoMA), Nova York; Guggenheim Museum, Nova York; Tate Gallery, Londres; Museu de Arte Moderna de São Paulo; e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP).

 

Análise

Testando e estendendo os limites da prática artística, Paulo Bruscky manteve-se, até pouco tempo, à margem do mercado da arte. 

O artista propõe uma conexão entre arte e vida por meio da apropriação dos recursos disponíveis no território que o corpo ocupa. Na década de 1970, apropria-se dos meios de reprodução disponíveis no seu entorno. Carimbos, selos e máquinas fotocopiadoras são abarcados numa rede analógica em que circulam fotografias, registros de ações e performances, poesias visuais e outros projetos. Com a arte postal, Bruscky rompe as barreiras sociais e políticas impostas pela ditadura militar, colocando Recife no mapa da arte contemporânea.

Os territórios que o corpo ocupa e as forças que neles atuam, são questões constantes nas performances do artista. Em 1971, organiza seu próprio enterro: Arte Cemiterial é uma exposição/performance que remete simbolicamente ao luto de uma população sem direitos civis. Os convites, na forma dos populares santinhos de oração, provocam o moralismo vigente. No final do cortejo, com o féretro na frente da Galeria da Empetur, o artista é levado para prestar esclarecimentos e a exposição é fechada pela Polícia Federal.

Na abertura do Salão de Arte de Pernambuco de 1978, Bruscky grafita no muro principal do Museu do Estado a frase: “A arte não pode ser presa”. A ação acontece minutos antes da chegada do então Governador Marco Maciel (1940), nomeado pelos militares. Assustados, os funcionários da instituição apressam-se para apagar a mensagem indesejada. Utilizam, entretanto, objetos cortantes e acabam por cavar a frase. O muro ganha cicatrizes deixando a frase ainda mais evidente.

No mesmo ano, Bruscky caminha pelas ruas de Recife com uma placa pendurada no pescoço onde se lê: “O que é arte? Para que serve?”. Como um homem-sanduíche que empresta o corpo para anúncios, o artista suporta o peso do seu questionamento. Na vitrine de uma livraria, coloca-se como sujeito e objeto da pergunta que formula. Sua presença irônica sugere a constatação de que a dúvida é o lugar privilegiado da arte contemporânea.

Em Nova York, por ocasião da bolsa Guggenheim Fellowship, publica nos classificados do jornal The Village Voice o anúncio “Air art: composition of clouds in the sky of New York” (1982). Esse anúncio burla os mecanismos de controle de informação, fazendo circular nos jornais americanos proposições muito caras ao artista naquele momento, como, por exemplo, ir ao encontro de um público mais amplo e diversificado e, eliminar qualquer possibilidade de fazer obra-objeto-mercadoria.

Paulo Bruscky também aproveita a estadia nos Estados Unidos para aprofundar a pesquisa sobre as relações entre corpo e movimento, abrindo um novo campo para o desenho de animação e o cinema experimental. Nesses xeroxfilmes, o artista filma, quadro a quadro, com uma câmera Super-8, as imagens produzidas pela fotocopiadora, criando uma animação que recompõe o movimento congelado pela máquina.

O primeiro trabalho, Xeroperformance (1980), realizado em Recife, mostra a relação do corpo de Bruscky com o equipamento xerográfico. Suas imagens, paralisadas pela máquina xerox, quando animadas, dão movimento à atuação performática. Em Aépta (1982), seu único xerofilme colorido, realiza uma animação utilizando linhas de costura projetadas por um espelho sobre a copiadora. O movimento dado às imagens torna-as mais fragmentadas e velozes, conferindo à obra um aspecto videográfico.

Em 2007, Bruscky retoma a série de desenhos feitos com base nas interações entre máquina e corpo, ou seja, com seus eletroencefalogramas . Em O meu Cérebro desenha assim, o artista procura por correspondências entre os estados de ânimo e os efeitos gráficos produzidos pela máquina. Utiliza a tecnologia para fixar uma experiência em que corpo e mente atuam como uma coisa só  na apreensão e compartilhamento do mundo. 

Para o artista, arte e vida não se separam. Seu trabalho dirige-se ao entorno, apropria-se dele para construir uma cartografia do seu percurso criativo enquanto coleta evidências desse processo. Realidade e imaginação fundem-se para construir sua obra.

Ressignificando o mundo, dá visibilidade às coisas que existem ou acontecem ao nosso redor. Com efeito, arte postal, audioarte, xerografia, videoarte, intervenções urbanas, carimbos, colagens, desenho, fotografia etc. são tecnologias disponíveis para eliminar os limites entre ordem e desordem, mente e corpo, arte e vida, homem e máquina.

Obras 21

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Reprodução fotográfica Breno Laprovítera

Anonymous

Fotografias coladas sobre cartão
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Confirmado: é arte

Carimbo e decalque sobre cartão postal

Exposições 163

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Eventos relacionados 11

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Mídias (1)

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Paulo Bruscky - Enciclopédia Itaú Cultural
A formação de Paulo Bruscky começa na infância, como aprendiz do pai, fotógrafo, ampliando imagens em seu ateliê. “Em casa, ouvíamos música clássica, principalmente de russos. Também li toda a obra de Dostoiévski e Tolstói”, relembra. Para Bruscky, a arte é feita para “circular”, o que justifica seus trabalhos em vídeo, xerox, arte postal e fax. Uma de suas ações nesse sentido foi o Arte Correio, em 1973, movimento que exibia as obras em espaços públicos. “Aeroportos, rodoviárias: qualquer lugar de fluxo era lugar para a exposição”, descreve ele. “Qualquer pessoa participava e veiculava xerox, poesia visual, áudio arte.” Para Bruscky, a arte deve tratar da realidade. “Ela não está isolada do ser humano nem dos sentimentos. Não é uma coisa bela”, acredita. “Aliás, não sei mais o que é belo, o que é feio. Me deseduquei muito cedo para a estética e a função da arte. Sou desvinculado desse tipo de formalidade.”

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 22

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