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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Zulmira Ribeiro Tavares

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.08.2018
1930 Brasil / São Paulo / São Paulo
09.08.2018 Brasil / São Paulo / São Paulo
Zulmira Ribeiro Tavares (São Paulo, São Paulo, 1930 - idem, 2018). Contista, romancista e poeta. Nasce em uma família que experimenta um período de grande prosperidade econômica e social na virada do século XIX para o XX - seu avô Francisco de Paula Ribeiro é o idealizador e um dos fundadores, junto de Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée, do Porto ...

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Biografia

Zulmira Ribeiro Tavares (São Paulo, São Paulo, 1930 - idem, 2018). Contista, romancista e poeta. Nasce em uma família que experimenta um período de grande prosperidade econômica e social na virada do século XIX para o XX - seu avô Francisco de Paula Ribeiro é o idealizador e um dos fundadores, junto de Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée, do Porto de Santos e da Companhia da Docas, na cidade de Santos, São Paulo. Faz os primeiros estudos num externato, completando sua educação em casa, com a orientação de diversos professores - costume entre a maioria das mulheres de sua época. Em 1952, ingressa num curso de formação em cinema no Museu de Arte de São Paulo - MASP.  Por um período, atua como crítica de cinema. Publica um livro de poemas, em 1955, Campos de Dezembro, e, em 1974, lança Termos de Comparação, mescla de ensaísmo, poesia e ficção, pelo qual recebe o prêmio revelação da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). A partir da década de 1980, produz de forma mais regular, despertando a atenção da crítica para livros como O Japonês de Olhos Redondos (1982); O Nome do Bispo (1985), agraciado com o Prêmio Mercedes-Benz de Literatura; O Mandril (1988); Joias de Família (1990); Café Pequeno (1995) e Cortejo em Abril (1998).

Comentário Crítico
A obra de Zulmira Ribeiro Tavares é permeada por uma tendência constante, que se distingue desde Termos de Comparação, de 1974, um misto de criação e reflexão da autora. No livro, dividido em seções de ensaio, conto e poesia, há o trânsito por diferentes gêneros, aproximados ou fundidos, bem como por processos de construção distintos. Como diz o crítico Roberto Schwarz (1938), "a ficção (?) de Zulmira escapa às divisórias entre os gêneros e compõe um destes seres híbridos e racionais em que se reconhece a consistência do moderno".

É ainda Schwarz quem chama atenção para a matéria por excelência, bem como para a forma e o estilo da prosa ficcional da escritora paulista. Prefaciando O Nome do Bispo, romance que trata do "mal ridículo" de que padece o protagonista Heládio Marcondes Pompeu - vítima de "uma pequena infâmia que se desenvolveu sorrateiramente, à margem de sua consciência, nos cômodos inferiores de seu corpo" ... uma fissura no ânus -, Schwarz nota como no livro "o materialismo serve de antídoto contra as ilusões do grã-finismo intelectual" encarnado por esse herdeiro de um nome paulista ilustre. Nota ainda que a substância dessa obra "está nas diferenças e nos arranjos entre a nova sociedade, dita de massas, e o antigo mundo paulista das parentelas".

O crítico também destaca a precisão descritiva e analítica de sua prosa, a exatidão de uma escrita, talvez marcada pelo nouveau roman francês, que tem algo de rigor científico. O modo narrativo "objetivo e disciplinado" aplicado à matéria ficcional cria certa atmosfera humorística e de incredulidade. Segundo Ana Paula Pacheco, em sua análise, Joias de Família é a combinação de reflexão e humor que geram um contínuo questionamento e desconfiança sobre a aparência das coisas do mundo. Desse modo, os personagens de Zulmira, em geral representantes da decadente burguesia paulistana, e mesmo a própria perspectiva da arte estão sempre em xeque e são sempre rebaixadas.

Nesses romances, assim como em outros momentos de sua ficção, Zulmira se detém justamente no "exame da derrocada de indivíduos burgueses e da renitência com que as prerrogativas de classe se mantêm". É o que se verifica, ainda, em Café Pequeno, situado nos anos 1930, que ironiza, no dizer de Samuel Titan Jr., "as pretensões e pecadilhos da burguesia paulistana, ainda com um pé na roça, mal afeita aos refinamentos da civilização...".

Já a representação de um acontecimento histórico-social pela sua refração na consciência de personagens comuns, também presente em Café Pequeno, em seu retrato adjacente da Era Vargas (1930-1945), se realiza plenamente no conto mais longo e homônimo de Cortejo em Abril. Desponta também aí outro recurso frequente em sua ficção: o confronto violento de universos cultural e socialmente díspares por meio da aproximação de personagens de classes diversas.

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