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Paulo Freire

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.10.2019
01.04.1957 Brasil / São Paulo / São Paulo
Paulo de Oliveira Freire (São Paulo, São Paulo, 1957). Violeiro e compositor. Filho do psicanalista e escritor Roberto Freire (1927-2008), começa a tocar violão aos 14 anos por influência do irmão, o músico Tuco Freire (1954-2015). Em 1973, estuda guitarra no Centro Livre de Aprendizagem Musical (Clam) 1, que lhe abre os ouvidos para a música in...

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Paulo de Oliveira Freire (São Paulo, São Paulo, 1957). Violeiro e compositor. Filho do psicanalista e escritor Roberto Freire (1927-2008), começa a tocar violão aos 14 anos por influência do irmão, o músico Tuco Freire (1954-2015). Em 1973, estuda guitarra no Centro Livre de Aprendizagem Musical (Clam) 1, que lhe abre os ouvidos para a música instrumental brasileira. Em 1977, sob influência do romance Grande Sertão: Veredas (1956), de Guimarães Rosa (1908-1967), muda-se para a região do rio Urucuia, Minas Gerais, onde aprende viola com Mestre Manelim (Manoel de Oliveira). Ao retornar a São Paulo, em 1980, aperfeiçoa-se no violão com Henrique Pinto (1941-2010). Entre 1981 e 1984, estuda em Paris com o violonista uruguaio Betho Davesaky.

De volta ao Brasil, compõe trilhas sonoras para as séries da Rede Globo de televisão: Malu Mulher (1979-1980), Obrigado, Doutor (1981) e Grande Sertão: Veredas (1985). Nelas, dá destaque para a viola, seu instrumento principal. Em 1993, compõe para o programa Globo Rural. O primeiro disco, Rio Abaixo: Viola Brasileira (1995), recebe o Prêmio Sharp de revelação instrumental. O segundo, São Gonçalo (1998), mescla música e contação de histórias, marca de seu trabalho. Em 2000, lança o independente Lambe Lambe, disco encartado no livro com faixas autorais como “Manuelzão”, “Lagoa Encantada” e “Seu Téo”. Em 2003, cria o selo Vai Ouvindo e, por ele, produz o coletivo Esbrangente, com Roberto Corrêa (1957) e Badia Medeiros (1940), o infantil Brincadeira de Viola e o eclético Vai Ouvindo, com algumas de suas canções. Do mesmo selo são Redemoinho (2007), e o CD-livro Nuá: As Músicas dos Mitos Brasileiros (2009).

Além de música instrumental, Freire compõe canções. “Bom-Dia”, parceria com Swami Jr. (1958), é gravada por Zizi Possi (1956) e Virgínia Rosa (1966). Como violeiro, grava com Arnaldo Antunes (1960), Mônica Salmaso (1971) e Luiz Tatit (1951). Entre 1999 e 2000, participa do Grupo Anima e, entre 1997 e 2001, da Orquestra Popular de Câmara. É autor do livro Eu Nasci Naquela Serra (1996), sobre a trajetória de Angelino de Oliveira (1889-1964), Raul Torres (1906-1970) e Serrinha (1917-1978), além de publicar romances e livros de causos.

 

Análise

Iniciado na viola por influência do romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, Paulo Freire une música e literatura em seus livros e discos. "Quando escrevo", afirma, "procuro uma musicalidade nos textos, como se fosse a canção da narrativa; e minhas músicas geralmente têm uma história que as envolvem – mesmo as instrumentais” 2. Isso já transparece em suas primeiras composições, como “Seca” (1995), cujos acordes em tonalidade menor parecem descrever o desolamento da terra árida do sertão, progredindo numa dinâmica crescente até, no final em fortíssimo, adquirir tom de denúncia. O casamento entre música e narrativa também aparece nas contações de "causos", em que busca a melodia da fala, apoiando-se no acompanhamento da viola.

Freire pertence a um grupo de violeiros que valoriza a música dita "de raiz", mas não menospreza a inovação e o virtuosismo. Desse grupo, fazem parte Ivan Vilela, Roberto Corrêa, Pereira da Viola e Braz da Viola (1961). Seu estilo revela influência da MPB, especialmente da bossa nova e do repertório tradicional de viola, do jazz e do rock progressivo. Tal ecletismo está presente no CD Vai Ouvindo, com o Paulo Freire Trio, formado por ele (viola de cocho), Adriano Busko (1959) (percussão e vocal) e o irmão Tuco Freire (baixo elétrico e acústico). O disco tem sonoridade de blues. Freire descobre a semelhança do blues com a música caipira, na afinação e no espírito, em turnê pelos Estados Unidos com o grupo Anima. Também faz incursões pelo jazz, rap e rock, como em “Antônio Conselheiro”, canção em que distorce a viola de cocho, com clara influência do músico estadunidense Jimi Hendrix (1942 -1970). Tudo isso, sem abandonar a música tradicional.

 

 

Nota

1. Escola importante na formação de profissionais da música instrumental brasileira, criada no ano de 1973 pelo Zimbo Trio.

2. Entrevista concedida a Virgínia de Almeida Bessa, por meio eletrônico, em 20 out.  2010.

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Fontes de pesquisa 7

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  • PAULO FREIRE. Entrevista concedida a Virgínia de Almeida Bessa, por meio eletrônico. Enviada em: 20 out. 2010
  • PAULO FREIRE. Site oficial do artista. Disponível em: http://paulofreire.uol.com.br. Acesso em: 10 out. 2010.
  • PEIXOTO, Marianna. Vivência de sertão. O Estado de Minas. Belo Horizonte, 27 jul. 2000, p. 7.
  • Programa do Espetáculo - 39 - 1981.
  • Programa do espetáculo Estada, 2006.
  • TAUBKIN, Myriam. Violeiros do Brasil. São Paulo: Myriam Taubkin, 2008.
  • WANDER, Edson. Música caipira polivalente. O Popular. Goiânia, 18 fev. 2004.

Como citar

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