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Teatro

Caio Fernando Abreu

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 01.03.2021
12.09.1948 Brasil / Rio Grande do Sul / Santiago
25.02.1996 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago do Boqueirão, Rio Grande do Sul, 1948 - Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1996). Contista, romancista, dramaturgo e jornalista. Sua obra se destaca por temas e atmosfera políticos e sociais de sua época, com personagens sombrios e angustiados, bem como por uma escrita autoficcional.

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Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago do Boqueirão, Rio Grande do Sul, 1948 - Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1996). Contista, romancista, dramaturgo e jornalista. Sua obra se destaca por temas e atmosfera políticos e sociais de sua época, com personagens sombrios e angustiados, bem como por uma escrita autoficcional.

Muda-se para Porto Alegre em 1963, e no mesmo ano publica seu primeiro conto, “O Príncipe Sapo”, na revista Cláudia. Em 1964 estuda letras e arte dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas abandona ambos os cursos para se dedicar ao jornalismo. 

Inicia-se na literatura na metade da década de 1960, período marcado de um lado por movimentos contraculturais – os movimentos hippie e negro, a rebeldia estudantil, a revolução sexual, o feminismo e o movimento gay; de outro, pelo  cenário das ditaduras latino-americanas e da Guerra do Vietnã. 

Transfere-se para São Paulo em 1968 e faz parte da primeira redação da revista Veja. No ano seguinte, perseguido pela ditadura civil-militar, refugia-se na chácara da escritora Hilda Hilst (1930-2004), em Campinas, São Paulo. Na década de 1970, fascinado pela contracultura, viaja pela Europa e vive em comunidade. 

Seu livro de estreia, Inventário do Irremediável (1970), traz uma forte influência da  escritora ucraniana Clarice Lispector (1920-1977). Entre os contos que o compõem, “O Ovo” é o que mais expressa essa inspiração. Escrito sob o impacto da ditadura civil-militar no Brasil, funciona como metáfora de tudo aquilo que aprisiona. O livro se divide em quatro partes (ou inventários): a morte, a solidão, o amor e o espanto. Cada uma obedece a uma lógica interna, minuciosamente elaborada em cada conto. 

A música, o teatro e o cinema também atuam como fontes de inspiração relevantes. Abreu escreve com fundo musical e tenta incorporar ao texto o ritmo da música, procedimento que chama de "coreografia verbal". 

Outro procedimento utilizado em sua técnica é o que denomina de "teoria dos metâmeros", desenvolvida por ele a partir de 1970. Segundo Jeanne Callegari, em literatura, um metâmero é qualquer esboço ou anotação fragmentada que contém informações sobre personagens, estilo, ou trama. O escritor anota em pequenos cadernos suas inspirações e as frases assimiladas no cotidiano e amplia-as, transformando-as em contos, romances, ou peças teatrais, sem temer inserir na escrita o chulo ou o não literário.

O romance de formação Limite Branco (1970), escrito aos 18 anos e engavetado por cinco anos, é recuperado e reescrito por Abreu segundo a teoria dos metâmeros. Embora seja obra de um adolescente, já anuncia os temas sombrios que compõem sua literatura. O livro tem como cenário os anos 1960, mas o autor o classifica como um romance intimista e atemporal.

O livro Morangos Mofados (1982) transforma-se rapidamente em seu maior sucesso de público e de crítica ao abordar de forma confessional mais uma vez a questão social e individual, as angústias e as ilusões perdidas de uma década, numa referência ao regime militar. Com ele, o autor sedimenta sua presença na literatura brasileira como legítimo representante de sua geração. 

Com O Triângulo das Águas (1983), Abreu vence o Prêmio Jabuti em 1984 na categoria contos, crônicas e novelas. A obra obedece a uma concepção esotérica, astrológica: reúne três novelas, cada uma dedicada a um dos signos do elemento água. Uma delas, “Pela Noite”, é considerada o primeiro texto da literatura brasileira sobre o tema da Aids. O livro não tem a mesma concisão de Morangos Mofados: há um excesso de palavras, um jorro de linguagem proposital, para provocar um efeito de imitação da água.

A obra teatral de Caio Fernando Abreu, variada e expressiva, remete aos mesmos temas tratados em sua literatura, como na peça A Maldição do Vale Negro (1986), que retoma seu livro A Maldição dos Saint-Marie

O livro Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988) é considerado o melhor trabalho do escritor, e o mais maduro. Assim como o autor, os personagens envelhecem, estão na faixa etária dos 40 anos. Predomina a temática amorosa, suas angústias e a solidão. O tema da Aids, ainda de forma implícita, está presente no conto que abre o livro: “Linda, uma História Horrível”, em que  a doença é insinuada por metáforas e sintomas.

Em 1994, escreve em sua coluna semanal, no jornal O Estado de S. Paulo, uma série de três cartas denominadas Cartas para Além do Muro, em que revela ser portador do vírus HIV. 

Distanciando-se dos cânones literários, Caio Fernando Abreu aborda temas de sua época combinados à angústia, ao medo, ao sombrio, em produções em que se fundem vida e obra.   

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Fontes de pesquisa 9

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  • ABREU, Caio Fernando. Cartas. Organização de Ítalo Moriconi. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002.
  • BARBOSA, Nelson Luis. Infinitamente pessoal: a autoficção de Caio Fernando Abreu, o biógrafo da emoção. 2008. Tese (Doutorado em Letras) Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2008. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8151/tde-30072009-172856/publico/NELSON_LUIS_BARBOSA.pdf. Acesso em: 1 mar. 2021.
  • BESSA, Marcelo Secron. Prefácio. In: Caio Fernando Abreu - Os melhores contos. São Paulo: Global, 2006.
  • CALLEGARI, Jeanne. Caio Fernando Abreu: inventário de um escritor irremediável. São Paulo: Seoman, 2008.
  • CASTELLO, José. Caio Fernando Abreu, o poeta negro. In: ______. Inventário das Sombras. Rio de Janeiro: Record, 1999.
  • DENSER, Márcia. Fenômenos Estéticos e Midiáticos do Conto Urbano Brasileiro. Dissertação (Mestrado) - Pontifícia Universidade Católica, 2003.
  • GUINZBURG, Jaime. Tempo de destruição em Caio Fernando Abreu. In: SELIGMANN-SILVA, Márcio (org.). Palavra e Imagem: memória e escritura. Chapecó: Argos, 2006.
  • LEAL, Bruno Souza. Caio Fernando Abreu: a metróple e a paixão do estrangeiro. São Paulo: Annablume, 2002.
  • Programa dos Espetáculos - Dama da Noite e Na Solidão dos Campos de Algodão -1997.

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