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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Luiz Vilela

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.10.2019
31.12.1942 Brasil / Minas Gerais / Ituiutaba
Luiz Junqueira Vilela (Ituiutaba, Minas Gerais, 1942). Contista e romancista. Cursa o Ginásio São José, dirigido por padres. Começa a escrever crônicas, em 1956, aos 13 anos. Aos 15, muda-se para Belo Horizonte, frequenta o curso clássico do Colégio Marconi e escreve semanalmente uma crônica para o jornal Folha de Ituiutaba. Em 1963, com outros ...

Texto

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Luiz Junqueira Vilela (Ituiutaba, Minas Gerais, 1942). Contista e romancista. Cursa o Ginásio São José, dirigido por padres. Começa a escrever crônicas, em 1956, aos 13 anos. Aos 15, muda-se para Belo Horizonte, frequenta o curso clássico do Colégio Marconi e escreve semanalmente uma crônica para o jornal Folha de Ituiutaba. Em 1963, com outros jovens escritores mineiros, cria a revista Estória, especializada na difusão de contos, e um jornal literário de vanguarda chamado Texto. Ambas as publicações recebem boa acolhida da crítica. Forma-se em filosofia pela atual Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1965. 

Estreia em livro aos 24 anos, custeando a impressão de Tremor de Terra, que ganha o Prêmio Nacional de Ficção, tornando o autor nacionalmente conhecido. Transfere-se para São Paulo, em 1968, e trabalha como redator e repórter no Jornal da Tarde, experiência da qual resulta o romance O Inferno é Aqui Mesmo (1979). Ainda em 1968, publica No Bar, premiado no 1o Concurso Nacional de Contos do Paraná. No final desse ano, é convidado a participar do International Writing Program, oferecido pela Universidade de Iowa, na cidade de Iowa. Muda-se para os Estados Unidos e lá permanece por nove meses em 1969, oportunidade que propicia a escrita de seu primeiro romance, Os Novos, publicado em 1971. Também circula por alguns países europeus, fixando residência temporária em Barcelona. 

De volta ao Brasil, reside em sua cidade natal e a dedica-se à literatura. Em 1970, o terceiro livro, também de contos, Tarde da Noite, recebe acalorada recepção crítica. Em 1974, vence, com O Fim de Tudo, o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, para o melhor livro de contos de 1973, publicado pela Editora Liberdade, da qual é um dos fundadores. Tem produção intensa desde então, destacando-se Perdição (2011,) finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Portugal Telecom de Literatura, tendo recebido o Prêmio Literário Nacional PEN Clube do Brasil 2012. Desde 2011, está disponível o Grupo de Pesquisa Luiz Vilela, página destinada à discussão, ao estudo e à difusão de sua obra, organizado por pesquisadores e professores. Sua obra está traduzida e editada em países como Estados Unidos, Alemanha, Chile e México.  

 

Análise

A obra de Luiz Vilela é reconhecida como uma das mais significativas na prosa de ficção brasileira do século XX. Do conjunto narrativo, destaca-se a mestria como contista e renovador do gênero, como aponta o crítico literário Fabio Lucas: “Seus contos trazem profunda significação filosófica, apanham o homem mutilado pela sua incapacidade de comunicar-se. Os seres não transmitem a sua essência e sofrem, arruínam-se. A palavra torna-se um veículo imperfeito e enganador”1 – análise que demarca o interesse filosófico do autor, formado nessa área. 

Pelo procedimento formal, como a técnica apurada do diálogo de “Confissão”, publicado em Tremor de Terra (1967), consegue captar a expressão humana de forma mais autêntica, conservando a naturalidade da conversa. O conto é inteiro escrito em discurso direto, recurso que intensifica o efeito de realidade e verossimilhança do texto. Em “Eu estava ali deitado”, publicado no volume No bar (1968), um garoto percebe a separação dos pais entre intervalos de conversa, de forma lacunar, propiciada pela ausência de pontuação típica do fluxo de consciência. Essa técnica, mimetiza com precisão a ausência, o silêncio, a incompreensão e a angústia.

Outra técnica pode ser observada no conto “No bar”, em que o narrador conta para um amigo, na mesa de um bar, a história de Lúcio, que enlouquece por amor. O clímax coincide com o desfecho do conto, em que o narrador pontua uma tese sobre o amor: “Não compreenderam que já não podia mais haver prisões para ele”2. Esse término propõe a imediata releitura do texto pela perspectiva de desprendimento e entrega, gerando uma estrutura cíclica, como a própria prisão do amor. Essas temáticas, os desencontros amorosos e a infância, propiciam uma literatura que explora a incomunicabilidade humana em meio à banalidade do cotidiano.

Do ponto de vista temático, Vilela também explora a literatura fantástica, conjugando-a com um aporte crítico. Trata daquilo que se sobressai da ordem do comum, em uma sociedade muitas vezes enfastiada, incapaz de perceber o que a rodeia. É o que acontece na inversão de papéis do conto “O Fantasma”, em que o narrador declara ter encontrado o fantasma de um homem decapitado, e, no diálogo entre eles, permanece sereno e racional ao passo que o fantasma se desespera, invertendo a lógica dos enredos de terror. Tal enredo inverossímil ocorre também no conto “O Buraco”, em que o narrador expõe a sua metamorfose em um tatu, processo de animalização que contesta e critica sua humanidade, traçando os limites entre a realidade e o absurdo. Ambos os contos também publicados em Tremor de Terra.

A técnica na elaboração do conto é tão dominante na obra de Vilela que seu romance, Perdição (2011), narrativa de grande fôlego, divide-se em pequenos capítulos, como histórias independentes, aproximando-se da lógica de construção de um conto.

 

 

Notas

1. MARTINS, Wilson (org). Os melhores contos de Luiz Vilela. São Paulo: Global, 1988.

2. Idem. Ibidem.

 

Obras 1

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Debates 1

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Eventos multiculturais 1

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Mídias (1)

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Luiz Vilela - Enciclopédia Itaú Cultural
Luiz Vilela é estimulado à leitura desde muito cedo. Caçula de seis irmãos, cresceu na cidade de Ituiutaba, região do Triângulo Mineiro, e acostumou-se desde muito cedo às letras. “Na minha casa, livro era uma coisa que se encontrava por toda parte. Até no galinheiro. Comecei a ler e, aos 13 anos, tive o impulso de escrever histórias também”, conta ele. Seus textos podem ser curtos, médios, longos, contos, novelas ou romances. Para ele, não importa o gênero, desde que tenham como temática o ser humano no mundo contemporâneo. “A matéria-prima é o cotidiano que vivo. O ser humano com todas as suas condições, dores, sonhos e ambições. Todas as águas que puderem mover o meu moinho, são bem aceitas”, diz. Seus escritos, de linguagem enxuta, também não têm uma forma pré-definida para acontecer: “Podem me chamar de escritor experimentalista. Não me importa. O inesperado acontece e isso é o melhor de tudo”, conclui.

Realização: Gasolina Filmes
Entrevista: Gabriel Carneiro
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 3

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  • COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001: 2v.
  • GRUPO de estudos literatura e vida. Luiz Vilela. Disponível em: http://gpluizvilela.blogspot.com/. Acesso em: 19 set. 2019.
  • MARTINS, Wilson (Org.). Prefácio. In: MARTINS, Wilson. Os melhores contos de Luiz Vilela. 1. ed. São Paulo: Global, 1988.

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