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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Giselle Beiguelman

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.09.2018
29.08.1962 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica aquivo do artista

Esc for Escape, 2004
Giselle Beiguelman

Giselle Beiguelman (São Paulo, São Paulo, 1962). Artista, pesquisadora, professora universitária e curadora. Gradua-se em história na Universidade de São Paulo (USP), em 1984, e obtém doutorado em história da cultura pela mesma universidade, em 1991. Trabalha com criação e desenvolvimento de aplicações eletrônicas desde 1994. Na década de 1990, ...

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Biografia

Giselle Beiguelman (São Paulo, São Paulo, 1962). Artista, pesquisadora, professora universitária e curadora. Gradua-se em história na Universidade de São Paulo (USP), em 1984, e obtém doutorado em história da cultura pela mesma universidade, em 1991. Trabalha com criação e desenvolvimento de aplicações eletrônicas desde 1994. Na década de 1990, integra as equipes de implantação dos portais UOL e BOL e realiza pesquisa como bolsista vitae, com projeto na área de literatura e novas mídias. 

Através de seus projetos artísticos e de pesquisa teórica participa de numerosos eventos acadêmicos e exposições de arte e cultura digital no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Seus projetos foram apresentados em exposições como Net_Condition (1999) e Algorithmic Revolution (2004-2008), no Zentrum für Kunst und Medientechnologie (ZKM), Karlsruhe, Alemanha;  no núcleo Net Art Brasil da 25ª Bienal de Internacional de São Paulo em 2002, com a Ceci n’est pas un Nike; El Final del Eclipse (2001-2003), na Fundación Telefonica, Madri e América Latina; Bienal de Sevilha (2008);  na 3ª Bienal da Bahia (2014), realizada no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM/BA); Unplace, na Fundação Calouste Gulbekian (2015); entre outras. Apresenta em 2016 as individuais Cinema Lascado, na Caixa Cultural de São Paulo, e Quanto Pesa uma Nuvem?, no Galpão Videobrasil.

Seu trabalho aparece em antologias e obras de referência sobre arte digital como Yale University Library Research Guide for Mass Media e Digital Arts. Integra coleções de museus nacionais e internacionais como o ZKM, na Alemanha; a Coleção de Arte Latino Americana da Universidade de Essex, na Inglaterra; do Yad Vashem, em Israel; do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP); do Museu de Arte do Rio (MAR); entre outras.

Como docente, participa entre 2001 e 2011 do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Ainda em 2011, se torna professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP) e coordena o curso de Design de 2013 a 2015. Orientadora de uma nova geração de críticos e artistas dedicados à tecnologia e à cultura digital, é autora e organizadora de diversos livros sobre o tema, com destaque para Link-se (2005), O Livro Depois do Livro (2005), Nomadismos Tecnológicos (com Jorge La Ferla, 2011) e _HTTPpix _HTTPvideo: Criação e Crítica nas Redes de Imagens (2011).

Organiza festivais de arte digital e web arte, além de ter atuado como membro do comitê científico do International Symposium on Electronic Art (Isea, Paris) em 2000, e do júri do festival Ars Electronica (Linz, Áustria), em 2010 e 2011. Em seu currículo de curadora, figuram, entre outras, a exposição Tecnofagias (3ª Mostra 3M de Arte Digital, Instituto Tomie Ohtake, 2012), bem como a curadoria e a diretoria artística do Instituto Sergio Motta (ISM), entre 2008 e 2010.

No ISM, atua na reformulação do processo de premiação do tradicional Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, bem como na criação de uma série de festivais on-line (HTTPVideo, HTTPTags, HTTPSom) que, concebidos e dirigidos por ela, se apropriam dos recursos das plataformas da Web 2.0 para criar espaços de disseminação de projetos experimentais e artísticos, possibilitando a incorporação de novos perfis de criadores para além dos circuitos tradicionais de universidades, galerias e museus. Atua também na formação de parcerias pela internacionalização da artemídia brasileira, como a realizada com o Instituto com o Ars Electronica (Linz, Áustria) e ISEA Ruhr, e co-organiza publicações como Apropriações do (In)Comum: Espaços Públicos e Privados em Tempos de Mobilidade, de 2009.

É editora da seção Novo Mundo da revista on-line Trópico, no periodo de 2001 a 2010, e editora-chefe da revista seLecT, entre 2010 e 2014. 

Análise

Como artista e pesquisadora, Giselle Beiguelman se dedica a explorar as relações entre literatura, imagem, som e novas tecnologias, bem como as transformações culturais advindas da digitalização dos meios e da expansão das redes digitais.

Suas pesquisas vêm produzindo trabalhos de investigação teórica como O Livro Depois do Livro e Link-se, que tematizam as transformações sofridas pelo código e pelo suporte escrito a partir do surgimento dos meios digitais. A narrativa linear tradicional, determinada pela sequência temporal da leitura, em frases grafadas da esquerda para a direita numa página ou numa tela de texto estanques, tem sido – desde a internet 1.0 – frontalmente questionada pela possibilidade de o leitor, agindo em colaboração com o autor/editor, realizar saltos hipertextuais que revelam novas e insuspeitas relações de sentido através de novos encadeamentos. Como na poesia, nos hipertextos o eixo das relações sintagmáticas se flexiona, (des)orientado pelas virtualidades semânticas do eixo paradigmático. Um novo espaço, o ciberespaço – construção virtual com importância cada vez mais real e incontornável – passa a conviver com o espaço empírico percebido pelos sentidos da experiência off-line, transformando a maneira de mensurar o espaço-tempo da leitura, da escritura e, no limite, da própria experiência espaçotemporal.

Em seu trabalho artístico, a integração cada vez maior entre texto e outras mídias proporciona a construção de dispositivos de criação de sentido intermediários entre as palavras, as imagens, os sons e até mesmo a sensação tátil das telas sensíveis. Instalação, fotografia e vídeo, suportes tradicionais das artes visuais, integram-se desse modo em obras híbridas, menos “criadas” pela artista que “tecidas” pelo público envolvido sob a mediação da artista. O computador torna-se um dispositivo de leitura, escritura e publicação. Seu trabalho egoscope 2.0 (2004)– dispositivo que capta as imagens realizadas pelos visitantes de uma exposição de artes visuais e as trata digitalmente num grande telão, repropondo conexões – é um exemplo eloquente do novo papel conferido às interações artista-público-obra. Do mesmo modo, em Você Não Está Aqui (2012, com Fernando Velázquez), o público é convidado a construir cidades (ou reeditar os caminhos percorridos pelos artistas em diferentes lugares) a partir de um banco de dados. A paisagem é visualizada num dispositivo que acompanha a movimentação dos visitantes, deslocando os pontos cardeais da representação.

Tendo lançado, já na década de 1990, aplicativos para as primeiras plataformas wireless (palm e wap) e obras especificamente pensadas para difusão nesse circuito, Beiguelman vem acompanhando as transformações do hardware e do software da cultura da rede ao mesmo tempo como artista-usuária e pensadora-observadora. A autora propugna por uma nova “estética da transmissão” que dê conta de abarcar esse verdadeiro novo continente da experiência estética – não mais limitada a uma estética da recepção, disciplina forjada ainda no século XVIII, mas espraiada pelas diversas instâncias de transmissão e recepção que convivem simultaneamente na multiplicidade dos recursos multitarefa dos computadores e gadgets, por sua vez localizados em todos os lugares e, portanto, em lugar nenhum.

Na vertente crítico-teórica da atuação de Beiguelman, o hibridismo entre real e virtual é um dos aspectos centrais. Com a explosão da Web 2.0 – em que a participação do usuário não mais se limita à recepção/produção de conteúdo, mas se expande exponencialmente por meio de compartilhamentos e da integração a redes colaborativas – tornou-se incontornável a questão de que somos cada vez mais seres “cíbridos”. Segundo Beiguelman, esse cibridismo – conceito cunhado pelo arquiteto norte-americano Peter Anders e que designa a fusão entre espaços reais e virtuais – e os recursos praticamente ilimitados da realidade aumentada têm nos transformado em autênticos ciborgues, parte humanos e parte máquinas. Nesse sentido, a autora propõe que o estar entre redes – on-line e off-line – é a essência da experiência cíbrida, que na vida contemporânea questiona a própria noção de “site” (lugar), destacando em vez disso o conceito de não lugar, isto é, um lugar em incessante transformação capaz de dar acesso a todos os lugares ao mesmo tempo. O conceito da “nuvem” é apenas a aplicação mais recente dessas formulações, cujas implicações se estendem à arquitetura, às artes, à computação, à economia e atingem a própria estrutura do pensamento. No Brasil e na América Latina, Beiguelman é uma das principais representantes das pesquisas sobre o cibridismo na arte e na cultura, como demonstram textos como Admirável Mundo Cíbrido e Nomadismos Tecnológicos. A cultura digital e seus condicionamentos econômicos e comportamentais formam outra vertente das pesquisas de Beiguelman.

Obras 6

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Reprodução fotográfica Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Desmemórias

Net art

Exposições 36

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Festivais 4

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Mídias (1)

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Giselle Beiguelman - Enciclopédia Itaú Cultural
O percurso da midiartista Giselle Beiguelman se confunde com a chegada e a popularização da internet e evolui em sintonia com os avanços tecnológicos. Seu primeiro trabalho de repercussão, O Livro Depois do Livro (1999), é uma obra de arte-ensaio na qual ela discute a condição do leitor e da literatura na cultura das redes e as transformações criativas e estéticas da criação digital, utilizando um formato que explora site, livro e e-book - esses publicados em 2003 -, que permite a interação de forma não linear e imersiva. Uma das características de sua trajetória é a conexão entre a academia, como pesquisadora e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, e o universo artístico, onde sua atuação é como criadora e curadora. Suas produções são calcadas em conceitos como o cibridismo, que defende o fim das diferenças entre o mundo real e o virtual, e a ciborguização, em referência à junção orgânica de homens e máquinas.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 5

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