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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Arnaldo Jabor

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.04.2022
12.11.1940 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
15.02.2022 Brasil / São Paulo / São Paulo
Arnaldo Jabor (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1940 - Idem, 2022). Jornalista, escritor, diretor de cinema. Arnaldo Jabor dedica-se a registrar a vida do brasileiro, seja em sua esfera pública, falando sobre política e cultura, ou privada, narrando casos que envolvem as relações amorosas e seus conflitos em diferentes formas de expressão, como a...

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Arnaldo Jabor (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1940 - Idem, 2022). Jornalista, escritor, diretor de cinema. Arnaldo Jabor dedica-se a registrar a vida do brasileiro, seja em sua esfera pública, falando sobre política e cultura, ou privada, narrando casos que envolvem as relações amorosas e seus conflitos em diferentes formas de expressão, como a literatura e o cinema.

Estuda no Colégio Santo Inácio e, mais tarde, cursa direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Começa a escrever em 1962 para O Metropolitano, periódico ligado ao movimento estudantil. 

Sua atuação no cinema começa quando trabalha como assistente de direção de diretores ligados ao Cinema Novo, como Cacá Diegues (1940), Leon Hirszman (1937-1987) e Paulo César Saraceni (1933), movimento no qual também se filia enquanto diretor. Em 1964, faz o curso de cinema do Itamaraty-Unesco e tem no documentário suas primeiras experiências na direção com O Circo (1965) e Opinião Pública (1967), que através de uma linguagem permeada de humor e ironia conta como o brasileiro enxerga sua própria realidade.

Na ficção, estreia em 1971, com o longa-metragem Pindorama. Descrito pelo próprio diretor como uma semi-alegoria da consciência brasileira enquanto nação, o filme se propõe a contar 400 anos da história do Brasil, embora seu recorte temporal não seja totalmente delimitado e linear. O filme não é bem recebido pelo público e pela crítica e é responsável por prejuízos na sua produtora Companhia Cinematográfica Vera Cruz, já que trata-se de uma grande narrativa, que exige altos investimentos para sua produção.

Dois anos depois, lança Toda nudez será castigada (1973), dando início às suas adaptações para o cinema das obras do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) e pela mudança de perspectiva da crítica ao seu trabalho. No filme, pelo qual recebe o prêmio de melhor diretor no Festival de Berlim, em 1974, o diretor trabalha temas que confrontam a moral conservadora da sociedade no período, como a relação amorosa entre um viúvo e uma prostituta e os conflitos que o relacionamento causa na família do homem. Segundo o crítico Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977), no texto “Uma nudez compensada”, publicado no ano de lançamento do filme, o trabalho de Jabor é um bom passo à frente na história das adaptações cinematográficas da obra do dramaturgo”.1

Ainda nas adaptações do dramaturgo, lança em 1975, O casamento, sem grande impacto midiático, e três anos depois dirige Tudo bem (1978), iniciando uma importante parceria com o roteirista Leopoldo Serran (1942-2008), com quem trabalha em Eu te amo, lançado em 1981. Aqui, mesmo sem a presença das narrativas de Nelson Rodrigues, mantém o centro de sua narrativa em relações amorosas não aceitáveis para os padrões de sua época, neste caso entre o personagem Paulo, um homem falido e abandonado pela esposa, e a prostituta Maria.

Em Eu sei que vou te amar (1986), após encerrar a parceria com Leopoldo Serran, roteriza sozinho e mantém sua fórmula narrativa que se estabelece na relação amorosa e em suas contradições. Aqui, um casal recém separado conversa sobre o que foi seu relacionamento.

Em 1991, após as políticas do então presidente Fernando Collor de Mello (1949), que encerram as atividades da Embrafilme, causando grandes dificuldades no setor, Jabor deixa o cinema e dedica-se a produção textual, passando a colaborar com o jornal Folha de São Paulo em uma coluna de variados temas, como política e cultura. Sua produção se estende a literatura, lançando em 1993, Os canibais estão na sala de jantar e, no ano seguinte, Brasil na cabeça (1995), que reúne seus textos publicados na Folha.

À partir de 1995, passa a atuar no jornalismo, inicialmente com uma coluna no periódico O Globo, levada na sequência para a televisão. Com aparições em importantes telejornais da Rede Globo, como o Jornal Nacional e o Jornal da Globo, constrói longeva carreira, através de participações que tratam de diferentes temas, desde política e economia a cultura e arte, em textos rápidos e muitas vezes ácidos, ou fazendo uso de humor para desenhar crônicas do cotidiano brasileiro e internacional.

Nos anos 2000, volta a publicar no campo da literatura, mantendo temas comuns a suas colunas jornalísticas, como é o caso de Pornopolítica: paixões e taras na vida brasileira (2006), no qual narra casos fictícios e inspirados em suas próprias vivências que relacionam aspectos privados, como sexo e relacionamentos amorosos dos brasileiros e suas mudanças à partir da política, cultura e sociedade. 

Em 2010, volta ao cinema, dirigindo A suprema felicidade, resgatando seus temas por excelência anteriormente, passando pelos conflitos das relações humanas, sejam familiares ou amorosas.

A longeva produção de Arnaldo Jabor, seja no jornalismo, na literatura ou no cinema, se dá no encontro e no conflito entre a vida pública e privada dos brasileiros, mesclando diferentes aspectos da sociedade em crônicas do cotidiano.

Notas

1. TODA nudez será castigada. Instituto Moreira Salles. Filme. Disponível em: https://ims.com.br/filme/toda-nudez-sera-castigada/. Acesso em: 15 fev. 2022.

Obras 11

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Espetáculos 7

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Exposições 1

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Mostras audiovisuais 14

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