Artigo da seção pessoas Antônio Bivar

Antônio Bivar

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Teatro  
Data de nascimento deAntônio Bivar: 25-04-1939 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Antonio Bivar (Riff Raff) em cena de Rock Horror Show , 1976 , Ruth Toledo
Registro fotográfico Ruth Toledo

Antonio Bivar Battistetti Lima (São Paulo, São Paulo, 1939). Dramaturgo, biógrafo, jornalista, contista, romancista, tradutor, ator, roteirista, cronista, diretor e produtor musical. Passa a infância na capital paulista e em fazendas do interior do estado. Muda-se com os pais e os irmãos para Ribeirão Preto. Disposto a estudar teatro, vai para o Rio de Janeiro como aluno da Fundação Brasileira de Teatro e do Conservatório Nacional de Teatro, onde se forma. Cordélia Brasil (1968) é sua primeira peça profissional. Dirigida por Emílio di Biasi (1939), estreia no Rio de Janeiro e prossegue com temporada no Teatro de Arena, em São Paulo. Sucesso de público e crítica, rende a Bivar o Prêmio Governador do Estado, São Paulo. A seguir, Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã (1968) garante-lhe o Prêmio Molière de melhor autor do ano. Colabora com jornais como Flor do Mal e Presença. Escreve O Cão Siamês de Alzira Porra-Louca (1969), encenada em São Paulo.

Como outros artistas brasileiros exilados, viaja em 1970 para a Inglaterra. A experiência é retratada no livro Verdes Vales do Fim do Mundo (1984). Fora do Brasil, redige a peça Longe Daqui Aqui Mesmo (1970) e, a pedido do diretor Antônio Abujamra (1932-2015), nova versão para O Cão Siamês..., rebatizada como Alzira Power. Estrelada pela atriz Yolanda Cardoso (1923-2007), a peça conquista o Prêmio Governador do Estado, Rio de Janeiro, apesar de outras obras interditadas pela censura.

Faz nova viagem à Europa. De volta ao Brasil, trabalha como diretor musical em shows de Maria Bethânia (1946) e Rita Lee (1947). Em parceria com Alcyr Costa, escreve Gente Fina é Outra Coisa (1976), encenada no Teatro de Arena. Redige Quarteto (1977) para celebrar os 50 anos de carreira do ator e encenador polonês radicado no Brasil, Zbigniew Ziembinski (1908-1978).

É um dos organizadores do festival O Começo do Fim do Mundo, marco do movimento punk nos anos 1980. Lança Longe Daqui Aqui Mesmo (1995), segundo volume de memórias sobre os anos da contracultura no Brasil. Em 2006, lança Bivar na Corte de Bloomsbury, resultado de seu estudo da obra da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). 

Análise

A obra de Antonio Bivar reúne dramaturgia, romance, conto, ensaio literário e autobiografia. A variedade de gêneros é proporcional à riqueza de sua trajetória. Como escritor, faz parte do grupo de dramaturgos que, no final dos anos 1960, aponta novos rumos para o teatro brasileiro. Como produtor cultural, participa de iniciativas históricas, como o festival O Começo do Fim do Mundo nos anos 1980. Essas atuações abrangem o interesse pela escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Passa anos estudando sua vida e obra, junto ao grupo de Bloomsbury, na Inglaterra.

Nesse quadro, é possível reconhecer o que dá sentido ao conjunto. O núcleo de textos teatrais, escritos na virada dos 1960 para os 1970 – Cordélia Brasil, Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã, Longe Daqui Aqui Mesmo e Alzira Porra-Louca – contrapõe-se aos relatos de viagem e memórias, como Verdes Vales do Fim do Mundo e o livro homônimo Longe Daqui Aqui Mesmo. Enquanto as primeiras são a expressão artística de uma nova mentalidade teatral, as outras revelam a sensibilidade dos jovens que aderem à contracultura.

Antonio Bivar faz parte da chamada “geração de 1969”, nome dado pelo crítico Anatol Rosenfeld (1912-1973) ao grupo de jovens dramaturgos que desponta naquele ano, trazendo referências incomuns. A “nova dramaturgia” – como veio a ser chamada – caracteriza-se pela recusa ao realismo canônico, incursionando pelo terreno do absurdo. Leilah Assumpção (1943), Isabel Câmara (1940-2006), Consuelo de Castro (1946-2016), José Vicente (1945-2007) e Antonio Bivar compõem “a safra dos novíssimos”.

As opções formais, inspiradas pela dramaturgia do sueco August Strindberg (1849-1912), do francês Jean-Paul Sartre (1905-1980) e do norte-americano Edward Albee (1928-2016), representam a chamada “crise do drama” – momento em que a forma dramática clássica é colocada em xeque pelo teatro moderno. Além dos citados, também se inspiram no irlandês Samuel Beckett (1906- 1989) e no francês Eugène Ionesco (1909-1994). 

Trata-se de dramas curtos, poucas personagens, centradas em poucos conflitos, e ambientadas num único cenário. O coloquialismo dos diálogos remete às obras de Nelson Rodrigues (1912-1980) e Plínio Marcos (1935-1999).Sua dramaturgia incorpora, ainda, manifestações do tropicalismo: o gosto pelo deboche, o humor e a predileção pelas formas do pop.

Essas características apresentam-se em Alzira Power, terceira das peças de Bivar. Nela, duas personagens encontram-se numa situação-limite. A primeira é Alzira, uma mulher de 41 anos, funcionária pública aposentada. A segunda é Ernesto, um jovem de 23 anos, corretor de automóveis. Alzira, num arroubo de ódio, tranca o rapaz seu apartamento. Diante dele, discorre sobre sua vida, relembra amores passados, veste-se de noiva, intimida-o, descontrola-o, muda de opinião, num quase monólogo que dispensa interlocução. A engrenagem da peça depende da inversão de papéis – ora Alzira domina a situação, ora Ernesto, cada qual exercendo sua parcela de crueldade sobre o outro. Ainda que o texto remeta à estrutura de obras canônicas do teatro moderno, Bivar cria uma tragicomédia original, sensível às questões de seu tempo.

As memórias de Verdes Vales do Fim do Mundo e Longe Daqui Aqui Mesmo estão impregnadas do espírito das viagens do escritor à Europa e América. Fornecem dados sobre a sensibilidade artística e comportamental de parte da juventude daqueles anos e descrevem a atmosfera da contracultura. Ao mesmo tempo, retratam personagens históricas e os bastidores da vida teatral brasileira, testemunhando a formação pessoal do narrador.

Outras informações de Antônio Bivar:

  • Outros nomes
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    • Escritor
    • Autor
    • dramaturgo

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Fontes de pesquisa (14)

  • ALZIRA Power ou O Cão Siamês de Alzira Pô...Lôca. São Paulo, 1970. Programa do espetáculo.
  • ANDRADE, Welington. O Teatro da Marginalidade e da Contracultura. In: FARIA, João Roberto (direção). História do Teatro Brasileiro: do modernismo às tendências contemporâneas. São Paulo: Perspectiva: Edições Sesc SP, 2013. v.2.
  • BIVAR, Antonio. Longe daqui, aqui mesmo. Porto Alegre: L&PM, 2006.
  • BIVAR, Antonio. O teatro de Antonio Bivar: as três primeiras peças. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2010. (Aplauso).
  • BIVAR, Antonio. Verdes vales do fim do mundo. Porto Alegre: L&PM, 2006.
  • CORDÉLIA Brasil. Programa do espetáculo. São Paulo, 1968.
  • DAHL, Maria Lucia. Bivar: o explorador de sensações peregrinas. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010.
  • FRASER, Etty. Etty Fraser. São Paulo: [s.n.], s.d. Entrevista concedida a Rosy Farias, pesquisadora da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Não Catalogado
  • GENTE Fina é Outra Coisa. São Paulo, 1976. Programa do espetáculo.
  • MAGALDI, Sábato. Moderna Dramaturgia Brasileira. São Paulo,. Ed. Perspectiva, 1998.
  • MICHALSKI, Yan. Antônio Bivar. ______. Enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. Rio de Janeiro, 1989. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq.
  • O Teatro Através da História, vol. II, O Teatro Brasileiro, Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil e Entourage Prods. Artísticas, 1994.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Alzira Power - 2005 Não Catalogado

Como citar?

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  • ANTÔNIO Bivar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6959/antonio-bivar>. Acesso em: 28 de Mai. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7