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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Cândido Malta Campos Filho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.10.2020
1936 Brasil / São Paulo / São Paulo
Candido Malta Campos Filho (São Paulo, São Paulo, 1936). Arquiteto, urbanista e professor. Forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), em 1959. Realiza projetos gráficos, de design, de arquitetura e urbanismo e de pesquisa acadêmica como professor de planejamento da FAU/USP, hoje aposentado. De 1966 a...

Texto

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Candido Malta Campos Filho (São Paulo, São Paulo, 1936). Arquiteto, urbanista e professor. Forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), em 1959. Realiza projetos gráficos, de design, de arquitetura e urbanismo e de pesquisa acadêmica como professor de planejamento da FAU/USP, hoje aposentado. De 1966 a 1968, realiza três cursos de pós-graduação com Juarez Brandão Lopes (1925-2011) e Nestor Goulart Reis Filho (1931), para aprofundar o conhecimento sobre sociologia urbana. Em 1967, integra o Grupo Executivo da Grande São Paulo (Gegran) e atua como coordenador do Setor Territorial até 1969. No ano seguinte, assume a diretoria da empresa de consultoria Neves & Paoliello, responsável – ao lado de outras duas empresas de consultoria, Asplan e GPI – pela elaboração do Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado da Grande São Paulo (PMDI). De 1970 a 1972, realiza mestrado em Planejamento Urbano e Regional na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Em 1973, sua tese de doutorado Corredor Metropolitano como Estrutura Aberta para a Grande São Paulo é defendida na FAU/USP, sob a orientação de Juarez Brandão Lopes. 

Em 1976, assume a secretaria de planejamento da prefeitura de São Paulo e permanece no cargo até 1981. No ano seguinte, assume a diretoria da Urbe, Planejamento, Urbanismo e Arquitetura SS Ltda. Em 1987, retorna à Universidade da Califórnia para realizar pós-doutorado.

Na Urbe, desenvolve a pesquisa sobre o papel dos planos de bairro no planejamento urbano, tema defendido em seu livro Cidades Brasileiras: seu Controle ou o Caos (1989), que o orienta na formulação do Plano Diretor do município de Belém, no Pará, em 1993. É autor de diversos livros, entre eles, A Grande São Paulo: Trabalhos e Entrevistas de 1965 a 1973 (1987), gênese e síntese da tese de doutorado, e Reinvente seu Bairro: Caminhos para Você Participar do Planejamento de sua Cidade (2003).

Análise

Candido Malta Campos Filho é um dos urbanistas mais ativos da cidade de São Paulo. Combinando pesquisa acadêmica e atuação profissional, busca soluções para os problemas da região metropolitana de São Paulo, por meio de conhecimento profundo e sistemático da evolução urbana da capital paulista. As primeiras propostas para a região são formuladas com base no conjunto de experiências adquiridas em diversas atividades: a coordenação do Setor Territorial do Gegran (1969); o mestrado em Planejamento Urbano e Regional na Universidade da Califórnia (1970-1972); e a participação no PMDI (1970). Essas atividades são sintetizadas na tese de doutorado Corredor Metropolitano como Estrutura Aberta para a Grande São Paulo

Candido Malta critica ao planejamento urbano vigente, que não assimila o dinamismo do processo social do qual a cidade é resultado. O urbanista defende a rápida adoção de planos urbanos flexíveis ou abertos, que se adaptem às transformações sociais, políticas, econômicas e culturais da metrópole. 

No caso de São Paulo, os problemas são causados pelo modelo radioconcêntrico de desenvolvimento urbano, tendo como invariante a ocupação, que se aproveita da conformação geográfica da cidade. Com base nesse diagnóstico, Candido Malta propõe um novo modelo de desenvolvimento urbano: linear, polinucleado, estruturado por corredores metropolitanos, entendidos como eixos de ligação, que contenha espaços para relações pessoais com serviços de qualidade próximos.

No planejamento da cidade, o urbanista projeta cinco corredores metropolitanos: três nos vales dos rios Pinheiros, Tietê e Tamanduateí, onde se encontram as linhas ferroviárias (substituídas por linhas de metrô); um no espigão da Paulista, que se estende do bairro Jabaquara ao Sumaré, pelas avenidas Jabaquara, Domingos de Morais, Paulista, Dr. Arnaldo e Heitor Penteado; e o último, conformado como um anel rodoviário, faz a ligação entre esses corredores. Desse modo, 

definida a nucleação, classificados os núcleos por sua importância na vida urbana, verificadas as condições geográficas do sítio urbano, definida a estrutura viária básica de interligação dos núcleos mais importantes (vias inter-regionais, metropolitanas e central) teremos definido uma estrutura urbana aberta [...] [1]

Desde o final dos anos 1980, notadamente a partir do livro Cidades Brasileiras: seu Controle ou o Caos, a noção de plano aberto e flexível é complementada pela defesa dos Planos Diretores de Bairros, ou seja, de planos capazes de assimilar as reivindicações dos moradores às orientações regionais. Para o urbanista, esses planos são instrumentos importantes de conscientização da população sobre o direito e o dever de controlar e decidir o destino da cidade.

Esse novo modelo é testado pela primeira vez em 1993: o Plano Diretor do município de Belém, Pará, orienta os Planos Diretores de Bairro, encomendados pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). O objetivo é estabelecer diretrizes para a implementação de edifícios educacionais na cidade. O modelo também é empregado nos planos elaborados para os bairros paulistanos de Pinheiros, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Via Funchal, encomendados pela Associação Vila Olímpia Viva e Pinheiros Vivo, por ocasião dos debates sobre a implementação da Operação Urbana Faria Lima (1992-1994). Nesse caso, aproveitando as experiências anteriores, Candido Malta propõe a manutenção das antigas vilas e ruas-vilas – ameaçadas pela operação, mas valorizadas pelos moradores locais – e a construção de vias de pedestres elevadas, conectadas com vias de transporte coletivo de massa, conjugando o tecido urbano existente com novas propostas. A importância da participação popular nos planos urbanos, viabilizada pelos Planos Diretores de Bairro, é defendida veementemente pelo urbanista durante a formulação do Plano Diretor do município de São Paulo, em 2002, do qual é bastante crítico, e no livro Reinvente seu Bairro: Caminhos para Você Participar do Planejamento de sua Cidade.

 

Nota

1. CAMPOS FILHO, Cândido Malta. A Grande São Paulo: trabalhos e entrevistas de 1965 a 1973. São Paulo: FAU/USP, 1978. p. 25.

Fontes de pesquisa 7

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  • CAMPOS FILHO, Cândido Malta. A Grande São Paulo: trabalhos e entrevistas de 1965 a 1973. São Paulo: FAU/USP, 1978.
  • CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Cidades brasileiras: seu controle ou o caos. São Paulo: Nobel, 1989.
  • CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Currículo do sistema Lattes. [Brasília], 14 ago. 2019. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/3020310894484646. Acesso em: 08 out. 2020.
  • CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Entrevista. Caramelo, São Paulo, n. 7, p. 124-134, 1994.
  • CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Faria Lima: é possível um planejamento urbano/urbanismo de qualidade, com participação popular? A prática do arquiteto nas fronteiras do planejamento urbano com o urbanismo. Caramelo, São Paulo, n. 8, p. 94-101, 1995.
  • CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Reinvente seu bairro: caminhos para você participar do planejamento de sua cidade. São Paulo: Editora 34, 2003.
  • CAMPOS FILHO, Cândido Malta. Site oficial do arquiteto e urbanista. Disponível em: http://www.candidomaltacamposfilho.com.br/. Acesso em: dez. 2011.

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