Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Benjamim de Oliveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 19.07.2021
11.06.1870 Brasil / Minas Gerais / Pará de Minas
03.05.1954 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Benjamim Chaves (Pará de Minas, Minas Gerais, 1870 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1954). Palhaço, ator, cantor, instrumentista e compositor. Considerado o primeiro palhaço negro brasileiro, Benjamim atua e contribui para a difusão do circo-teatro no Brasil, mesclando o ambiente e técnicas circenses com adaptações de clássicos da dramaturgia.

Texto

Abrir módulo

Benjamim Chaves (Pará de Minas, Minas Gerais, 1870 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1954). Palhaço, ator, cantor, instrumentista e compositor. Considerado o primeiro palhaço negro brasileiro, Benjamim atua e contribui para a difusão do circo-teatro no Brasil, mesclando o ambiente e técnicas circenses com adaptações de clássicos da dramaturgia.

Benjamim, filho de Malaquias Chaves, capataz de fazenda, e de Leandra de Jesus, escravizada na mesma fazenda, nasce alforriado e aos 12 anos foge pela primeira vez com o Circo Sotero. Antes de fugir, exerce diversos trabalhos, como candeeiro, guarda-freio e vendedor de bolos para o público que frequenta o Sotero, onde tem seu primeiro contato com o universo circense.

É no Sotero que aprende suas primeiras acrobacias e técnicas de trapézio com o mestre Severino de Oliveira, de quem adota o sobrenome na vida artística. Três anos depois, foge novamente, possivelmente devido à discriminação racial e agressões sofridas.

Benjamim trabalha em alguns circos pelo interior de Minas Gerais e São Paulo, até que consegue um trabalho remunerado como acrobata no circo do norte-americano Jayme Pedro Adayme, na cidade paulista de Mococa. Aos 20 anos, substitui o palhaço da companhia, marcando seu início nesse papel. Sem experiência, em suas primeiras apresentações é vaiado e criticado pelo público.

Após se firmar como palhaço, passa por outras companhias circenses até 1892, quando começa a trabalhar para o circo do português Manoel Gomes, conhecido como Comendador Caçamba. Nesse momento, Benjamim já é reconhecido pela crítica por sua atuação como palhaço. É com o circo de Comendador Caçamba que chega ao Rio de Janeiro e passa a ter seu trabalho admirado por importantes figuras públicas da época, entre elas, o Marechal Floriano Peixoto (1839-1895), então presidente da recém-proclamada República brasileira.

A partir de 1896, Benjamim atua no circo Spinelli e passa as primeiras décadas do século XX gravando cançonetas, lundus e modinhas, totalizando seis discos pela Columbia Records entre 1907 e 1912. Nesse período, estampa os materiais de divulgação da companhia por seu reconhecimento do público e da crítica.

Ainda atuando no Spinelli, é o principal responsável pela introdução do circo-teatro no Rio de Janeiro, que tem seu apogeu entre 1918 e 1938. Na mesma época, integra grupos de teatro como a Companhia Maria França, de onde leva para o espaço circense adaptações de clássicos da dramaturgia, como obras do escritor inglês William Shakespeare (1564-1616) e contos de fadas, e interpreta Cristo durante uma Semana Santa. Além disso, canta e toca violão nos entreatos, especialmente composições de seu amigo Catulo da Paixão Cearense (1863-1946). A atuação de Benjamim marca uma revolução no circo brasileiro, ao introduzir outras linguagens artísticas, contribuindo para a divulgação de importantes composições e textos para o grande público. 

Reconhecido como rei dos palhaços no meio circense e lembrado como importante nome por representantes do teatro brasileiro, como o ator Procópio Ferreira (1898-1979), Benjamim enfrenta dificuldades financeiras após encerrar sua carreira no circo, em 1940, o que mobiliza artistas e intelectuais, como o escritor Jorge Amado (1912-2001), em uma campanha para que receba auxílio financeiro do governo federal, aprovado apenas sete anos depois de sua aposentadoria.

Mesclando modos de interpretar e incorporando a música em sua atuação, Benjamim de Oliveira revoluciona o modo de fazer circo de lona no país, levando para as grandes capitais a estética típica dos espetáculos do interior, aliada a textos conhecidos nos palcos de grandes companhias teatrais.

Exposições 1

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 7

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: