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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Geraldo de Barros

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.07.2021
27.02.1923 Brasil / São Paulo / Chavantes
17.04.1998 Brasil / São Paulo / São Paulo

Sem Título, 1974
Geraldo de Barros
Colagem

Geraldo de Barros (Chavantes, São Paulo, 1923 – São Paulo, São Paulo, 1998). Fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. Expoente da fotografia experimental, sua trajetória perpassa várias formas de expressão visual e reivindica o papel social da arte.

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Geraldo de Barros (Chavantes, São Paulo, 1923 – São Paulo, São Paulo, 1998). Fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. Expoente da fotografia experimental, sua trajetória perpassa várias formas de expressão visual e reivindica o papel social da arte.

Estuda desenho e pintura, a partir de 1945, nos ateliês dos pintores Clóvis Graciano (1907-1988), Colette Pujol (1913-1999) e do japonês Yoshiya Takaoka (1909-1978). Em 1947, faz as primeiras fotos com uma câmera construída por ele mesmo, fotografando jogos de futebol na periferia de São Paulo. Ainda nesse período, realiza experimentações que consistem em interferências no negativo, como cortar, desenhar, pintar, perfurar, solarizar e sobrepor imagens.

No mesmo ano, funda o Grupo 15, ateliê instalado no centro da cidade, onde constrói um laboratório fotográfico. O grupo é composto de 15 pintores, a maioria de origem japonesa. A princípio, sua pintura se aproxima de tendências expressionistas. Nesse período, entra em contato com reproduções de obras dos pintores suíço Paul Klee (1879-1940) e russo Wassily Kandinsky (1866-1914), o que o leva a se interessar pela escola Bauhaus e pelo desenho industrial.

Dois anos depois, ingressa no Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), principal núcleo da fotografia moderna brasileira. Com o fotógrafo húngaro Thomaz Farkas (1924-2011), e os fotógrafos German Lorca (1922) e José Yalenti (1895-1967), questiona a fotografia de tradição pictorialista amadora e acadêmica no Brasil, pautada em regras de composição clássica. Sua experiência investiga os limites do processo fotográfico tradicional ao realizar intervenções diretamente no negativo, múltiplas exposições da mesma película, sobreposições, montagens e recortes das ampliações que questionam o formato retangular da fotografia.

Em 1948, por intermédio do crítico Mário Pedrosa (1900-1981), conhece a Gestalt Theorie [Teoria da Forma]. Em 1949, organiza com Farkas o laboratório e os cursos de fotografia do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp). A partir de então, sua atividade se aproxima de formatos formais e seu interesse se detém nos ritmos e planos, que muitas vezes se projetam para o espaço além da moldura. Dois anos depois, realiza, no próprio Masp, a antológica exposição Fotoformas, cujo título é referência à Gestalt. A mostra explora a fusão completa entre gravura, desenho e fotografia, inaugurando a abstração na fotografia brasileira.

Em 1951, com bolsa do governo francês, vai a Paris, onde estuda litografia na École National Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes], e gravura no ateliê do pintor inglês Stanley William Hayter (1901-1988). Frequenta a Hochschule für Gestaltung (HfG) [Escola Superior da Forma], em Ulm, na Alemanha, onde estuda artes gráficas com o designer alemão Otl Aicher (1922) e conhece as teorias concretistas do designer gráfico suíço Max Bill (1908-1994), na época um dos principais teóricos da arte concreta. Esse encontro é importante para o desenvolvimento dessa escola no Brasil.

No mesmo ano, obtém o prêmio aquisição na 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Volta a São Paulo em 1952 e participa do Grupo Ruptura, sendo um dos signátários de seu manifesto, marco da introdução da arte concreta no Brasil. Em contato com as teorias da Gestalt, ele busca estabelecer uma unidade estrutural da obra com rigorosa vontade de ordenação, regulada por princípios matemáticos.

Em 1954, com o Frei João Batista, funda a cooperativa Unilabor, fábrica de móveis cujo funcionamento é pautado pela autogestão operária com partilha de lucros entre os funcionários. O local também reflete a preocupação de Barros com o papel social do artista e com as possibilidades de uma arte feita para atingir um público mais amplo. O projeto envolve uma série de ações culturais e pedagógicas para as famílias dos funcionários, como projeções de filmes, além da manutenção de uma escola de arte infantil e de um posto de saúde.

Também em 1954, ganha o concurso para o cartaz do 4º Centenário de São Paulo, e, com o designer gráfico Alexandre Wollner (1928-2018), realiza uma peça para o Festival Internacional de Cinema. Bastante ligado ao design e um tanto afastado da pintura, em 1957 funda com Wollner e o designer Ruben Martins (1928-1968) a Form-Inform, escritório de design onde cria diversas marcas e logotipos.

Com sua saída da Unilabor em 1964, funda a Hobjeto Móveis junto com Antônio Bioni, um dos marceneiros da antiga cooperativa. Em 1966, participa do Grupo Rex com o artista gráfico Wesley Duke Lee (1931-2010), o artista intermídia Nelson Leirner (1932-2020), o artista plástico Carlos Fajardo (1941), o pintor Frederico Nasser (1945) e o escultor José Resende (1945), responsáveis pelos primeiros happenings em São Paulo. Sua produção a partir de meados dessa década se aproxima de tendências pop e da nova figuração.

Nos anos 1970, retoma sua pesquisa com a arte concreta e realiza obras geométricas tendo a fórmica como suporte. O procedimento permite a reprodução em grande escala, em consonância com o interesse de socializar a arte e obter uma série com base em determinado projeto. Suas obras são protótipos construídos com poucas formas, aspecto que possibilita a reprodução com perfeição.

Entre os anos de 1996 e 1998, volta à fotografia com a série Sobras. O trabalho retoma a pesquisa iniciada nos anos 1940, ao promover diversas interferências em negativos por meio de sobras de material fotográfico.

Geraldo de Barros tem papel determinante na introdução do concretismo no Brasil. A diversificada atuação no campo das artes visuais tem como alicerces comuns a experimentação, a exploração das formas e a afirmação do papel social da produção artística.

Obras 56

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Exposições 290

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Eventos relacionados 9

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Fontes de pesquisa 21

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  • BARROS, Geraldo de. Precursor. Curadoria Sérgio Pizoli; texto Sérgio Pizoli, Max Bill (1908-1994); depoimento Geraldo de Barros. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1996.
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  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d
  • GERALDO de Barros: 12 anos de pintura: 1964-1976. Textos de Radha Abramo. São Paulo: MAM, 1976.
  • GERALDO de Barros: serigrafias; Fiaminghi: pinturas, litos. Apresentação de José Aristodemo Pinnotti e Radha Abramo. Campinas: Unicamp, 1984. (I Semana de Arte-Unicamp).
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
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