Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural

Takumã Kuikuro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.10.2022
1983 Brasil / Mato Grosso / Canarana
Takumã Kuikuro (Canarana, Mato Grosso, 1983). Diretor de cinema, roteirista, ativista. Por meio de seus trabalhos, registra a cosmovisão e a cultura do povo Kuikuro do Alto do Xingu, no Mato Grosso.

Texto

Abrir módulo

Takumã Kuikuro (Canarana, Mato Grosso, 1983). Diretor de cinema, roteirista, ativista. Por meio de seus trabalhos, registra a cosmovisão e a cultura do povo Kuikuro do Alto do Xingu, no Mato Grosso.

Inicia sua experiência cinematográfica ao participar de treinamento oferecido pelo projeto Vídeo nas Aldeias que, desde 1986, utiliza-se de recursos audiovisuais para apoiar a luta dos povos indígenas e fortalecer suas identidades e patrimônios culturais.

Como resultado do projeto, ele e o cineasta Maricá Kuikuro (1981) gravam o curta-metragem Nguné Elü: o dia em que a lua menstruou (2004). O curta se passa durante uma oficina de vídeo na aldeia Kuikuro, quando ocorre um eclipse lunar. Devido ao eclipse, tudo muda: os animais se transformam e chove sangue. Então, a dança e a música se tornam ferramentas para que o mundo volte à normalidade. Ao se utilizar da expressão nguné elü, que pode ser traduzida por eclipse ou "assassínio da lua", o curta explicita como a comunidade lida de forma ritualística com eventos como esse.

Dando continuidade à parceria com Maricá Kuikuro, grava o curta Imbé Gikegü: cheiro de pequi (2006), cujo enredo retrata o momento de festa no Alto Xingu após a estação de seca, contexto em que o cheiro de pequi se torna o perfume da região. A proposta é contar a história de uma morte misteriosa que dá vida ao fruto, revisitando um mito cercado de perigos, prazeres e traições, em que homens, mulheres, beija-flores e jacarés disputam e, principalmente, constroem um mundo comum.

Entre 2009 e 2011, colabora com a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (Aikax) e o Coletivo Kuikuro de Cinema no projeto “Tradição e transmissão do conhecimento ritual feminino entre os Kuikuro do Alto Xingu”, que documenta dois rituais conduzidos por mulheres e que estavam registrados apenas nas memórias de poucas mestras de cantos: o ritual Tolo, que reúne 300 cantos em língua Karib, e o ritual Jamurikumalu, que inclui 450 cantos, a maioria deles na língua Arawak, sendo que este era guardado, até então, por uma única mestra.

Tal pesquisa influi no primeiro longa-metragem de Takumã, o filme As hiper mulheres (2011), dirigido em parceria com os diretores Carlos Fausto (1963) e Leonardo Sette (1978). A produção mantém a estratégia de misturar ficção com realidade a fim de mostrar aspectos culturais dos povos Kuikuro. A trama conta a história de um homem que, para salvar a vida de sua esposa, pede a realização do ritual feminino Jamurikumalu. O dilema é que o ritual não acontece há trinta anos e a única mulher que sabe todas as músicas está doente. Dessa maneira, o filme retrata a imponência das mulheres Kuikuro na realização de importantes feitos e na manutenção de sua comunidade, ao mesmo tempo em que evidencia as discrepâncias de entendimento dos papéis de gênero difundidos em nossa sociedade.

Em 2013, realiza o curta A língua do peixe (2013), exibido no 23º Festival Internacional de Curtas de São Paulo, narrando, por meio das aventuras vividas pelas personagens Taûgi e Yay, as diferenças culturais e étnicas da sociedade multilíngue do Alto do Xingu.

No ano seguinte, participa do curso de montagem da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, resultando no filme Karioka (2014). A obra evidencia os estranhamentos causados em Takumã e sua família com a ida à capital fluminense, além de abordar aspectos sentimentais e delicados sobre as diferenças culturais, as possibilidades de encontro e outras formas de estar no mundo. Mesmo que o cinegrafista busque retratar os aspectos coletivos nos quais está inserido, o filme traz um enfoque mais subjetivo e pessoal.

Durante o contexto da pandemia de Covid-19, Takumã continua sua produção, agora, com o objetivo de fazer uma ode à preservação da vida e da natureza. Nesse período, lança o curta Agahü: o sal do Xingu (2020), inspirado no artigo 18 da Declaração dos Direitos Humanos, que trata do direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, no qual retrata como o sal de Xingu alimenta o espírito da natureza, dos rituais e das pessoas, fortalecendo a alma de todos os seres do mundo.

No documentário Kukuho: canto vivo Waujá (2021), retrata a vida do líder da comunidade Waujá do Xingu, músico e contador de histórias Akari, com foco em sua busca pela preservação da música de seu povo. Já no curta Território pequi (2021), ele retoma o protagonismo do fruto enquanto símbolo de um vasto patrimônio cultural e genético, imprescindível para o pensamento e os sistemas agrícolas amazônicos. 

Em 2020, torna-se porta-voz de um momento histórico no Alto Xingu, ao registrar para entrevista ao jornal El País como a pandemia de Covid-19 rompe com a cerimônia Kuarup, de rituais funerários de seu povo, e com o próprio entendimento de vida e (pós)morte em sua comunidade. Em meio ao contexto da pandemia, as Terras Indígenas Parque Xingu registram incêndios recordes. Takumã e o Coletivo Kuikuro de Cinema são responsáveis por documentar o combate aos incêndios ao mesmo tempo em que lutam com suas comunidades para enfrentar a crise sanitária causada pela pandemia. A organização cultural, política e social fez com que houvesse poucas mortes causadas pela doença.

Takumã Kuikuro é cineasta mundialmente respeitado que explora as diferenças culturais que alicerçam a própria sociedade brasileira, além de evidenciar e registrar as complexidades dos povos do Alto Xingu com um olhar sensível que traduz as riquezas sociais de toda a humanidade.

 

Fontes de pesquisa 18

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: