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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Linga Acácio

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 21.12.2022
1985 Brasil / Ceará / Fortaleza
Linga Acácio (Fortaleza, Ceará, 1985). Artista visual, performer, curadora, desenhista gráfico, videomaker, diretora de fotografia, editora. Participa de exposições coletivas com obras que investigam o corpo, a relação com a natureza, gêneros dissidentes e o território.

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Linga Acácio (Fortaleza, Ceará, 1985). Artista visual, performer, curadora, desenhista gráfico, videomaker, diretora de fotografia, editora. Participa de exposições coletivas com obras que investigam o corpo, a relação com a natureza, gêneros dissidentes e o território.

Sua formação artística se dá em Fortaleza, sua cidade natal, num contexto de poucas instituições públicas voltadas à formação em artes. Assim, prevalece uma formação com outros artistas, principalmente em coletivos de artistas. Para sua formação em dança, têm peso principalmente o Alpendre Casa de Arte, um centro cultural voltado a essa forma artística, e a Bienal Internacional de Dança do Ceará. Para sua formação em artes, destaca-se os estudos durante um ano na Vila das Artes, que é um complexo cultural da prefeitura de Fortaleza que fomenta diversas linguagens artísticas.

Torna-se mestre, através do Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Ceará, com a tese Zona de remanso: exercícios de permanência, em que investiga Fortaleza, cidade em que nasce, dando enfoque às periferias e aos espigões (muros de contenção feitos contra o avanço do mar) nas praias da cidade e explorando formas de resistência, em especial no sentido de criar formas de permanecer naquela cidade. Cabe lembrar que Fortaleza tem altos índices de homicídio, o que afeta principalmente populações marginalizadas. A investigação se dá por meio de exercícios artísticos realizados entre 2015 e 2016, em suportes como desenho, fotografia, vídeo e performance

Faz parte do Grupo de Crítica do Centro Cultural São Paulo (CCSP) entre 2020 e 2021. Participa de residências artísticas como a de pesquisa em arte do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), em 2021. Em 2019, faz curadoria de duas exposições no Museu de Arte Contemporânea Centro Dragão do Mar, Fortaleza, Ceará.

Sua pesquisa artística explora diversos suportes artísticos e diferentes saberes e disciplinas, de modo que eles se contaminem. Discute o corpo, a dissidência de gênero, a soropositividade, a relação com a natureza, a transformação de territórios e a relação entre corpo e espaço.

Para Linga Acácio, a febre é um elemento importante, sendo que não se trata de apenas um sintoma da saúde. A febre vem como consequência do aumento da temperatura da água presente no nosso corpo. A presença desse líquido é, para a artista, algo que une humanos à natureza e ao mar. Essa ligação que está rompida segundo a visão ocidental dominante.

Sua foto Futuro anunciado (2017), retrata uma maquete de edifício sendo derrubada com onda em uma praia de Fortaleza. Esse trabalho aponta para um medo da sociedade local com o avanço do mar: ter suas edificações atingidas pelo mar. É esse receio que leva à construção dos espigões.

Sua videoinstalação A torre, a pedra, o muro (2014) foi apresentada em 2019 em exposição no Sesc 24 de Maio, na capital paulista. Essa obra gira em torno da distribuição de água. O vídeo tem três momentos. No primeiro e mais longo, focaliza uma torre metálica no Açude Castanhão, em Jaguaribara, no Ceará. No segundo, a própria artista posta seu corpo perto de uma intensa queda d’águia. Por fim, a artista atira uma pedra na água a partir de uma enorme construção de concreto, que avança sobre o corpo d’água. É necessário sublinhar que todas as três localidades raramente contam com presença humana. Segundo Linga Acácio, sua tentativa é a de discutir qual o destinatário da água, se a população pobre ou se o agronegócio.

Em um filme intitulado Para saber onde nadar siga as bolhas de ar (2019), Linga Acácio conta com a colaboração de três artistas de Fortaleza, Ella Monstra, Ellícia Marie e Georgia Vitrillis. Desde o título, o curta-metragem aponta para uma costumeira estratégia de sobrevivência em caso de afogamento. Procura, assim, tratar de formas de sobrevivência das pessoas que fogem às normas e aos padrões negativos estruturantes da sociedade brasileira, em especial a população transgênera. Evidencia-se, então, a busca dessas pessoas por outros modos de viver em sociedade.

Em Rumo ao desvio (2021), outro curta metragem dirigido por Linga Acácio, associa uma caminhada pelas águas da transposição do rio São Francisco, que nasce em Minas Gerais e deságua no oceano entre Alagoas e Sergipe, à possibilidade de reparar os desvios aos quais pessoas cis ou transgêneras são submetidas pela sociedade.

Linga Acácia explora, em diversas mídias, questões urgentes no contexto atual, em que padrões da sociedade passam a ser questionados. Por meio de abordagens ora sutis, ora incisivas, a artista indaga e enfrenta temas que foram apenas recentemente colocados em pauta e em xeque.

Exposições 6

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