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Enciclopédia Itaú Cultural

Fernanda Feitosa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.09.2021
1967 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Fernanda Dinamarco Feitosa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1967). Gestora cultural, colecionadora de arte e advogada. Empreendedora, fundadora da Feira Internacional de Arte de São Paulo (SP-Arte), desde 2004, está à frente da maior feira de arte da América Latina e um dos principais eventos do calendário cultural da cidade de São Paulo. 

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Fernanda Dinamarco Feitosa (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1967). Gestora cultural, colecionadora de arte e advogada. Empreendedora, fundadora da Feira Internacional de Arte de São Paulo (SP-Arte), desde 2004, está à frente da maior feira de arte da América Latina e um dos principais eventos do calendário cultural da cidade de São Paulo. 

Desde a infância convive com a arte por influência de um tio que era pintor. Formada pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, tem ainda mestrado em direito internacional pela Universidade de Boston. Durante a fase inicial de sua vida profissional, atua em escritórios de advocacia nas áreas de inovação e atendendo a instituições financeiras. Afasta-se temporariamente da profissão quando muda-se com a família para a Argentina. 

Inicialmente, tem a arte como uma paixão e uma atividade de lazer, dedicando-se ao colecionismo desde 1995 e frequentando cursos, o circuito de galerias, casas de leilão e exposições. Na Argentina, interessa-se pelas feiras de arte moderna e contemporânea a partir das visitas realizadas à ArteBa, uma das feiras de arte pioneiras no continente, com origens em 1991. Ao retornar ao Brasil, decide não retomar a carreira, mas empreender com a criação da SP-Arte. 

Feitosa afirma que a fundação da Feira, em 2004, surge do encontro de seu interesse pessoal com a oportunidade de crescimento do mercado de arte brasileiro e a tendência internacional de expansão das feiras de arte contemporânea. Antes da fundação, realiza intensa pesquisa sobre a produção nacional, com mapeamento dos principais colecionadores do país e estudo aprofundado das experiências internacionais, a fim de garantir como marcas do evento a profissionalização do mercado brasileiro e sua internacionalização. Inspiram a Feira, a primeira em São Paulo dedicada apenas à produção moderna e contemporânea, eventos como a Art Cologne, a Basel Art Fair e a Frieze Art Fair London, distanciando a SP-Arte do modelo de salões até então predominantes no país. 

Como diretora-geral, organiza a primeira edição da Feira em 2005, que conta com a participação de 40 galerias nacionais e uma uruguaia, e programação paralela com painéis de debate e mostras de videoarte. A recepção do mercado brasileiro, segundo Feitosa, é de grande entusiasmo, pois, naquele momento, algumas galerias já participam do circuito internacional de feiras. Há, no país, uma base consolidada de colecionadores e observa-se o potencial de atrair um novo público para a produção brasileira.

A conjuntura político-econômica do país é favorável à atividade, tanto do ponto de vista do aquecimento da economia nacional no contexto da ascensão dos mercados emergentes quanto do interesse despertado pelo país no exterior. Este último fator é essencial para a atração de galerias internacionais à Feira, pois cresce o apelo à arte e à cultura brasileira no contexto internacional. Fundamental à concretização desta atração é a redução dos tributos relacionados à aquisição de obras de arte durante a realização da Feira, conquista resultante da capacidade de articulação dos organizadores junto ao governo do estado de São Paulo e expressão do impacto do evento na cadeia de fornecedores da cidade. Desde 2012, a isenção da tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) garante a compradores brasileiros a possibilidade de acessarem a produção de galerias estrangeiras. 

Depois de sua consolidação, a Feira vive uma fase caracterizada pelo crescimento a partir da análise de oportunidades. Nesse sentido, é criada em 2007 a SP-Foto, evento dedicado à divulgação da fotografia nacional, apresentando artistas em distintas etapas de suas carreiras, com diversos perfis e estilos. Outras alterações implementadas ao longo dos anos são a série de palestras Talk; o setor Open Plan, em que são apresentadas obras selecionadas por um curador; o Performa, área dedicada às performances; e o setor Solo, dedicado a mostras individuais. Para Feitosa, a inovação é um aspecto essencial à contínua expansão que a Feira experimenta desde 2005, seja do volume de artigos comercializados, do público presente no evento, seja do número de galerias inscritas.   

Feitosa atua mais fortemente no engajamento político a partir do incentivo à democratização e acessibilidade do espaço. Desde 2007, propõe aos patrocinadores-doadores a aquisição de obras a serem doadas aos museus nacionais. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), a Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina) e o Museu de Arte do Rio (MAR-RIO) são algumas das instituições beneficiadas. Promove ainda a iniciativa Showcase, mostra de trabalhos engajados de galerias emergentes, e ativamente busca a inclusão de artistas periféricos e de grupos politicamente marginalizados, ressaltando a responsabilidade social de sua função. 

Em 2019, lança a plataforma digital SP-Arte 365, visando à conexão de galerias e novos colecionadores, a fim de fomentar o mercado de arte brasileiro e garantir a sustentabilidade da Feira. Por causa da pandemia de covid-19, a edição de 2020 da Feira é marcada pela transição para o ambiente virtual e pela resiliência da organização diante dos desafios impostos. A experiência bem-sucedida dos Viewing Rooms virtuais abre a possibilidade de realização de eventos híbridos nas próximas edições. 

Devido à sua capacidade de liderança, Fernanda Feitosa consagra-se como importante agente do circuito nacional de arte de sua época, consolidando a SP-Arte como  um dos principais eventos culturais do país.

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