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Música

Almir Guineto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2021
1946 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
2017 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Almir de Souza Serra (Rio de Janeiro, 1946 – idem, 2017). Cantor, compositor e instrumentista. Muito associado a um processo de renovação estilística e rítmica do samba carioca e paulistano entre as décadas de 1970 e 1980, galga proeminência com o chamado movimento do pagode. Também é reconhecido pela introdução do banjo nos grupos de samba e po...

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Almir de Souza Serra (Rio de Janeiro, 1946 – idem, 2017). Cantor, compositor e instrumentista. Muito associado a um processo de renovação estilística e rítmica do samba carioca e paulistano entre as décadas de 1970 e 1980, galga proeminência com o chamado movimento do pagode. Também é reconhecido pela introdução do banjo nos grupos de samba e por diversas parcerias musicais ao longo da carreira.

Filho do violonista Iraci de Souza Serra e da costureira Nair de Souza, a Dona Fia, nasce e cresce no Morro do Salgueiro, na zona norte do Rio, sendo, desde cedo, muito influenciado pela música. O pai toca no conjunto Fina Flor do Samba. E sua mãe é figura de relevo na escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, da qual Almir se torna diretor e mestre de bateria, nos anos 1970.

Na mesma década, frequenta a quadra do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, no bairro de Olaria, contribuindo para as rodas organizadas pelos sambistas Bira Presidente (1937) e Ubirany (1940). Tais encontros constituem a matriz do gênero musical que logo a indústria fonográfica e midiática passa a designar de pagode. Cumpre notar que o termo pagode, até então, intercambia-se com a própria ideia de samba – aliás, não é rara sua associação, desde o início do século XX, às festas suburbanas em que as pessoas se reúnem para comer, beber, cantar e dançar.

Contudo, a partir das inovações musicais trazidas pelo grupo de jovens sambistas, no qual ainda se incluem Arlindo Cruz (1958), Beto Sem Braço (1940-1993) e Jovelina Pérola Negra (1944-1998), o pagode ganha conotações que transcendem as rodas de “fundo de quintal”. Interessado em incorporar a autenticidade informal do “samba de raiz” perdida com a crescente espetacularização midiática do gênero no Carnaval, o conjunto de artistas injeta transformações que penetram as estruturas da música popular brasileira. Sua influência repercute no espaço e no tempo. Embora por vezes tratada pejorativamente como subgênero do samba, a variante consagra o sucesso da primeira geração de compositores, entre eles Almir Guineto, após um período de forte padronização mercadológica pautado pelo samba-enredo carnavalesco.

Depois de uma temporada no grupo Os Originais do Samba, fundado pelo irmão Francisco de Souza Serra, Almir Guineto torna-se um dos criadores, no Rio, do Fundo de Quintal, primeiro grupo musical comercialmente bem-sucedido a representar a novidade sonora. O conjunto já desponta com as principais características do chamado movimento do pagode: canto coletivo masculino em uníssono (remissão aos antigos sextetos), improvisação e uso de instrumentos como tantã, repique de mão e banjo. Este último, por sinal, adaptado e introduzido ao samba do período pelo próprio Guineto, que substitui o braço de madeira original da peça por um de cavaquinho. O banjo norte-americano utilizado pelo artista lhe é presenteado pelo músico e ator Mussum (1941-1994), de Os Originais do Samba.

Após o lançamento do primeiro LP do grupo, Samba É lá no Fundo do Quintal, viabilizado em 1980 graças à influência da “madrinha” Beth Carvalho (1946-2019), Almir se afasta do Fundo de Quintal para investir na carreira solo, num momento em que começa a ostentar o apelido de “rei do pagode”. Suas composições já são gravadas por ícones do gênero, entre eles a própria Beth Carvalho, que interpreta “Coisinha do Pai” em disco de 1979.

Almir Guineto lança seu disco de estreia, O Suburbano, em 1981, com um de seus primeiros sucessos, “Mordomia”, faixa que conquista o Prêmio MPB-Shell. Ao longo do tempo, compõe e grava com parceiros como Chico Buarque (1944), Martinho da Vila (1938) e Mano Brown (1970).

Boa parte de suas composições mais bem-sucedidas contém um eu lírico moralmente preparado para aconselhar nas desventuras amorosas da vida, embora reconheça a impossibilidade da realização plena da felicidade por meio de um amor idealizado, como em “Conselho” (1986). Além desta última, no disco homônimo estão alguns dos maiores sucessos de sua carreira: “Lama nas ruas” e “Mel na boca”.

Em 1997, uma de suas composições mais famosas, “Coisinha do Pai”, em coautoria com Aragão e Luiz Carlos da Vila (1949-2008), ganha as manchetes por ser escolhida para “acordar” o robô de uma missão norte-americana em Marte. O último disco autoral, Cartão de Visita (2012), é lançado após um hiato de 11 anos e conta com a participação de Arlindo Cruz e Adalto Magalha (1945-2016).

Artífice de um coletivo de músicos responsável por uma das mais significativas transformações do samba no último quarto do século XX, Almir Guineto inspira-se nas velhas rodas de samba para, inventivo, inspirar novas gerações a manter viva (embora sempre renovada) toda uma tradição cultural que constitui, em síntese, a espinha dorsal da música popular brasileira.

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