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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Tamikuã Txihi

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.08.2021
1993 Brasil / Bahia / Pau Brasil
Tamikuã Txihi Gonçalves Rocha (Pau-Brasil, Bahia, 1993). Artista visual e poeta. Liderança indígena, guardiã da Mãe Terra e da Irmã Natureza, entende a arte como um meio de promover a proteção física e espiritual dos corpos, territórios e conhecimentos dos povos originários. Transita por múltiplas linguagens, entre elas pintura, intervenção urba...

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Tamikuã Txihi Gonçalves Rocha (Pau-Brasil, Bahia, 1993). Artista visual e poeta. Liderança indígena, guardiã da Mãe Terra e da Irmã Natureza, entende a arte como um meio de promover a proteção física e espiritual dos corpos, territórios e conhecimentos dos povos originários. Transita por múltiplas linguagens, entre elas pintura, intervenção urbana e vídeo.

Tamikuã é do povo Pataxó, cujas aldeias ficam na Terra Indígena Caramuru-Paraguassu, na Bahia (entre os municípios de Pau-Brasil, Itaju do Colônia e Camacã), e na Terra indígena Fazenda Baiana (em Camamu). Vive na cidade de São Paulo, na Terra Indígena Jaraguá, com o povo Guarani Mbya, falantes de língua guarani, na comunidade Tekoa Itakupe, da qual é vice-cacique em 2017. Tekoa, em português, significa "o lugar onde é possível realizar o modo de ser", e Itakupe, "atrás da pedra", que é o Pico do Jaraguá.

Gradua-se em serviço social pela Faculdade de São Paulo (Fasp) na mesma época. Faz parte do Feminismo Comunitário de Abya Yala Tecido Pindorama Brasil, coletivo concebido pela ativista e poeta aymará-boliviana, Juliana Paredes. Uma dissidência do Mujeres Creando Comunidad, o grupo usa prerrogativas decoloniais e é liderado por mulheres indígenas que articulam ações para construção de direitos a partir do local de identidade coletiva e ancestral, unificando as comunidades espalhadas no Abya Yala (termo da língua kuna para se referir às Américas Central e do Sul). 

Em 2019, participa da Mostra Regional M'Bai de Artes Plásticas, com o tema "Ano Internacional das Línguas Indígenas", realizada no Centro Cultural Mestre Assis, em Embu das Artes, São Paulo, que também celebra o aniversário da Aldeia M'Boy, denominação anterior da cidade. Única mulher indígena entre os 18 artistas convidados, recebe o Troféu M'Bai Profissional. Tamikuã expõe duas peças produzidas manualmente em argila, que são queimadas à lenha em um buraco na terra e depois recebem pintura em acrílico. Nuhwãy (Fortaleza), é uma onça-pintada que carrega nas costas sua cria chamada futuro, e Áxina, exnã (onça fêmea e seu filhote), é uma onça-pintada mensageira da coragem, que protege sua cria. Durante o período da exposição, suas obras sofrem um ataque de cunho racista e são despedaçadas. Tamikuã faz desse ato violento um marco para que seja evidenciada a resistência e luta dos povos originários, e, assim, outras duas peças são adicionadas ao conjunto: as onças negras Kuypô (Vento) e Txahab (Fogo). Essas onças são, além de guerreiras, as guardiãs da memória e representam a conexão com o conhecimento. As quatro onças são apresentadas em São Paulo, na galeria Colabirinto em 2019 e, no ano seguinte, na mostra Vexoá: Nós Sabemos, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_)

Com um trabalho em vídeo, Terra, Água, Irmãs de Cura, participa em 2020 do Programa Convida, do Instituto Moreira Salles. Nessa obra, Tamikuã se banha com argila à beira de um lago e apresenta a diversidade de cores do barro que convida à cura da mente, do corpo e do espírito, em um processo de fortificação complementado com a água do rio.

No mesmo ano, no Festival Paredes Vivas, em Cotia, São Paulo, apresenta em grande escala um grafite em que uma mulher indígena, com seus adornos, é cercada por quatro onças-pintadas. O papel da mulher, para Tamikuã, é central na luta contra as opressões e para a renovação da esperança na humanidade. Os elementos da natureza chamam a atenção para questões socioambientais e apresentam a cosmovisão da filosofia indígena vinculada à sua estética original.

De modo a trazer visibilidade a sua cultura e tradições, utiliza as redes sociais para interação com público, de maneira informativa e aberta à troca de ideias. Frequentemente participa de palestras e seminários com temas relacionados ao meio ambiente, práticas de promoção à renovação da natureza, e sobre a experiência das mulheres indígenas na luta pela proteção de seus povos. Sua atuação também contempla a organização de manifestações para coibir o avanço abusivo de setores do mercado imobiliário, cujos empreendimentos não respeitam leis sobre o impacto social e ambiental nas comunidades indígenas, como a destruição de centenas de árvores próximas à aldeia Tekoa Itakupe, em 2020. Ainda nesse ano, Tamikuã candidata-se, com outras duas mulheres indígenas, para um cargo de mandato coletivo na Câmara Legislativa de São Paulo.

Participa em 2021 do Festival de artes indígenas Rec-Tyty, com curadoria de Ailton Krenak (1953), Cristine Takuá (1981), Carlos Papá, Naine Terena e Sandra Benites (1975), divulgado em plataforma virtual. Tamikuã apresenta duas pinturas em óleo sobre tela, A Mãe da Floresta e o Sagrado Petyngua'i, e A Parteira da Esperança. As obras valorizam a transmissão dos conhecimentos tradicionais, a integração com a natureza e a esperança trazida pelo nascimento.

Tamikuã Txihi utiliza a arte como uma extensão do seu ativismo para a defesa de territórios físicos e simbólicos, e busca, a partir da perspectiva da mulher artista indígena, visibilidade para garantir não só a existência como também a memória e os saberes dos povos originários.

Exposições 1

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