Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural

Filipe Catto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.07.2021
1987 Brasil / São Paulo / São Paulo / Lajeado
Fillipe Catto Alves (Lajeado, Rio Grande do Sul, 1987). Cantor, compositor e guitarrista. Recorrentemente celebrado como melhor cantor de sua geração, ostenta um timbre raro de contra-tenor (muito agudo e próximo da voz feminina) e é elogiado também pela afinação sempre precisa. Embora componha, destaca-se principalmente como intérprete, por ser...

Texto

Abrir módulo

Fillipe Catto Alves (Lajeado, Rio Grande do Sul, 1987). Cantor, compositor e guitarrista. Recorrentemente celebrado como melhor cantor de sua geração, ostenta um timbre raro de contra-tenor (muito agudo e próximo da voz feminina) e é elogiado também pela afinação sempre precisa. Embora componha, destaca-se principalmente como intérprete, por ser um cantor único entre os artistas surgidos nos anos 2010.

Nasce em Lajeado e cresce em Porto Alegre. O interesse pela música surge em casa, ainda criança, quando chama a atenção ao cantar em festas da família. Aos 15 anos, começa a tocar guitarra e se arrisca na poesia influenciado por Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Hilda Hilst (1930-2004). Ainda na adolescência, integra, como vocalista e guitarrista, bandas que flertam com o indie rock. Em 2006, já se apresenta em bares como artista solo e divulga o trabalho na internet. Lança o EP Saga, em 2009. A faixa-título é um tango de sua autoria, que entra para a trilha sonora da novela Cordel Encantado, exibida pela TV Globo em 2011, e projeta o artista para todo o Brasil. Em 2010, muda-se para São Paulo, onde se aproxima de outros músicos de sua geração e ganha maior repercussão.

Filipe Catto recorrentemente canta sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo e sua visibilidade como artista contribui para a discussão em torno das pautas identitárias. Nesse sentido, sua voz se une a de outros nomes de sua geração, como Pablo Vittar (1993) e Liniker (1995), que veiculam por meio da música um discurso que contribui na luta contra os preconceitos de gênero.

Como intérprete, conquista um lugar nos anos 2010 e 2020 que em décadas anteriores é ocupado por artistas como Marina Lima (1955), Cazuza (1958-1990) e Cássia Eller (1962- 2001), em que a personalidade musical se constrói na combinação natural de diferentes influências e no potencial de uma voz inconfundível.

“Saga” está presente no repertório de Fôlego, o primeiro disco do artista, que traz 15 faixas, nove autorais e seis versões. Entre as releituras, destacam-se “Garçom”, de Reginaldo Rossi (1943-2013) e “Ave de Prata”, de Zé Ramalho (1949). “Alcoba Azul”, mais uma vez, chama a atenção para o jeito peculiar de Filipe abordar o tango. “Johnny, Jack e Jameson” é um blues que faz referência a três marcas de uísque e é uma ode à boemia, que remete ao período em que trabalha em um bar em Nova York. Há ainda o samba “Roupa do Corpo”.

A primeira faixa, “Adoração”, é o cartão de visitas de sua versatilidade como intérprete, em que apresenta técnica para alcançar timbres agudos improváveis para a voz masculina. Essa característica, bem como a diversidade de estilos que moldam o repertório, rende ao artista comparações com Ney Matogrosso (1941).

O disco tem produção de Paul Ralphes e Dadi Carvalho (1952), baixista conhecido por ter integrado as formações de bandas como Novos Baianos, A Cor do Som e Barão Vermelho. O trabalho da dupla é importante ao valorizar a intensidade e a versatilidade do intérprete, que consegue transmitir emoção independentemente do gênero musical.

Em 2013, Filipe Catto lança o CD e DVD ao vivo Entre Cabelos, Olhos e Furacões. A obra oferece aos fãs algo que já conhecem dos shows: a presença cênica do intérprete no palco. O artista declara frequentemente que todo o seu trabalho (composições, gravações e viagens) é construído para o momento que sobe ao palco, onde tem uma troca mais direta com o público.

O disco seguinte, Tomada, é lançado em 2016, com produção de Alexandre Kassin (1974), reconhecido pelo trabalho com nomes como Los Hermanos, Mallu Magalhães (1992), Marcelo Jeneci (1982) e Erasmo Carlos (1941).

A sonoridade aponta para um caminho mais comprometido com o pop e o rock. Filipe Catto grava menos composições próprias (apenas quatro) e investe em sua vocação de intérprete, com talento para transformar as composições originais de modo que elas pareçam terem sido criadas especialmente para o seu repertório. Entre elas estão “Partiu”, de Marina Lima, e “Amor Mais Que Discreto”, de Caetano Veloso (1942).

A banda é formada por músicos do círculo de Kassin, como o guitarrista Pedro Sá (1972), o baterista Domenico Lancellotti (1972) e o tecladista Danilo Andrade. O entrosamento entre eles dá coesão aos arranjos. Filipe Catto, já com público estabelecido e reconhecido como um grande talento de sua geração, encontra seu lugar definitivo como um intérprete que transita à vontade na combinação de diversas referências com uma receita roqueira.

O terceiro disco, Catto, é lançado em 2017 e tem produção do também gaúcho Felipe Puperi. O processo de gravação dura nove meses, algo radicalmente novo em relação aos discos anteriores, que foram concebidos em duas semanas. Com isso, o artista tem tempo para esmerar o repertório e a sonoridade e o resultado é um disco mais coeso esteticamente, em relação aos anteriores.

Das dez faixas, apenas três são de sua autoria, uma delas em parceria com Zélia Duncan (1964), “Só Por Ti”. Desta vez, o repertório contempla mais os compositores de sua geração e evita canções de décadas anteriores. Romulo Fróes (1971), por exemplo, aparece com três músicas. “Arco de Luz”, de Marina Lima e Antonio Cícero (1945), lançada pela cantora em 2003, é a exceção.

Além de ser um dos cantores mais talentosos de sua geração (com timbre raro e ótima técnica como principais virtudes), Filipe Catto é um dos principais porta-vozes da população LGBTQIA+ na música brasileira de seu tempo. O visual andrógino (com maquiagem e adereços como brincos e pulseiras) e as letras que abordam muitas vezes o afeto gay são elementos de sua personalidade artística que estimulam a auto-estima deste público

Fontes de pesquisa 12

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: