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Enciclopédia Itaú Cultural

Sheyla Smanioto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.03.2022
1990 Brasil / São Paulo / São Paulo
Sheyla Cristina Smanioto Macedo (Diadema, São Paulo, 1990). Escritora e dramaturga. Sua literatura mescla gêneros em uma prosa poética com influências do realismo fantástico. A relação entre corpo e palavra está entre as principais temáticas abordadas em sua obra. Esse tema perpassa seus contos e romances na luta de suas personagens por liberdad...

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Sheyla Cristina Smanioto Macedo (Diadema, São Paulo, 1990). Escritora e dramaturga. Sua literatura mescla gêneros em uma prosa poética com influências do realismo fantástico. A relação entre corpo e palavra está entre as principais temáticas abordadas em sua obra. Esse tema perpassa seus contos e romances na luta de suas personagens por liberdade e autonomia diante de uma sociedade patriarcal.

Conclui o curso de estudos literários pela Universidade de Campinas (Unicamp) em 2011. No mesmo ano, inicia o curso livre de teatro com o Grupo Fuga. A influência do teatro se expressa na escrita de Smanioto por meio de elementos de oralidade e do ritmo de sua escrita.

A estreia de Smanioto na literatura se dá com o livro de poesia Dentro e Folha, de 2012. Os poemas versam sobre questões de identidade e da busca pelo outro. Dirige em 2013 o curta-metragem Osso da Fala, premiado pelo Rumos Itaú Cultural. No mesmo ano, conclui a formação em dramaturgia pelo British Council e pelo Sesi.

Em 2014, escreve a peça No Ponto Cego, vencedora do 4º Concurso Jovens Dramaturgos. Participa da oficina de escrita literária ministrada pelo escritor Marcelino Freire (1967), que influencia em sua produção.

Publica em 2015 seu primeiro romance, Desesterro, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura. O livro acompanha a linhagem familiar de quatro gerações de mulheres, iniciando na fictícia cidade agreste de Vilaboinha, onde a fome e a violência são traços cotidianos. Maria de Fátima é uma protagonista que luta para se desvencilhar da dominação de Tonho, um homem abusador e violento. Tonho é inicialmente o padrasto de Fátima, e depois se casa com ela.

O ritmo da narrativa é marcado pela constante repetição de palavras, que constrói sistemas de metáforas, o que confere ao texto um aspecto de circularidade, como uma tentativa de fuga diante de um labirinto. A atmosfera onírica é reforçada pela contaminação de elementos animalescos nos personagens humanos.

A imagem do cachorro é uma das recorrências, ora associada à violência irracional, ora à obediência. A constante violência de Tonho em relação aos cachorros tem um paralelo com a dominação masculina que desumaniza a mulher e retira dela a agência, tornando-a objeto do desejo alheio.

Maria de Fátima consegue se libertar reproduzindo sobre seu algoz a mesma violência de que foi vítima. À procura de um lugar menos árido, Fátima migra para a cidade grande, onde se estabelece em Vila Marta, bairro periférico que estabelece um duplo com Vilaboinha. 

Smanioto conclui o mestrado em teoria literária pela Unicamp em 2015, com a dissertação Cruel Razão Poética: um Estudo do Pensamento do Neutro em Maurice Blanchot. Sua investigação é sobre a relação entre o corpo e a escrita, abordando comparativamente o conceito de possessão em diferentes autores. A ideia remonta aos mitos gregos, em que a criação poética acontece quando uma entidade divina se apossa do corpo da pessoa que escreve. A possessão é um tema recorrente na autora, tanto em sua escrita literária, quanto em sua pesquisa acadêmica.

Em 2020, Smanioto lança Meu Corpo Ainda Quente. O romance se passa na cidade fictícia Vermelha, inspirada em Diadema, local de desova de corpos durante a ditadura militar (1964-1985)1. O gênero do romance mescla versos e prosa, aproximando-se do simbolismo. A linguagem segue um tom poético, com múltiplas vozes narrativas que se intercalam num discurso indireto livre.

Nesse "conto de fadas distópico", as personagens femininas não possuem os próprios corpos, enquanto corpos mortos surgem diariamente pelas ruas. A opressão do sistema político se reproduz na esfera doméstica na violência contra a mulher. A jornada de descoberta passa pela possessão do próprio corpo. A protagonista Jô vive diversas lutas internas e externas para se tornar sujeito da própria vontade.

Sheyla Smanioto apresenta em sua literatura uma linguagem poética, cadenciada pela oralidade, mesclando em seus romances prosa e poesia, com influências do realismo fantástico e do simbolismo, sem deixar de lado a relação dos corpos com a sociedade, a palavra e a liberdade.

Nota

1. Também denominada de ditadura civil-militar por parte da historiografia com o objetivo de enfatizar a participação e apoio de setores da sociedade civil, como o empresariado e parte da imprensa, no golpe de 1964 e no regime que se instaura até o ano de 1985.

Fontes de pesquisa 3

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  • BIONE, Carlos Eduardo. Desesterro, de Sheyla Smanioto - Ficar partir resistir, trajetórias do corpo feminino. Revista Diálogos (RevDia). Questões de gênero: feminismos, sexualidade e suas interfaces. v. 8, n. 1, jan./abr. 2020.
  • DÖLL, Karine Mathias. Reflexões sobre o humano, o inumano e o ser mulher a partir da obra Desesterro (2015) de Sheyla Smanioto. In: IX CICLO E II CONGRESSO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DE LINGUAGEM, 2017. Anais eletrônicos... Ponta Grossa, PR: UEPG, 2017; Campinas: Galoá, 2017. Disponível em: https://proceedings.science/ciel-2017/papers/reflexoes-sobre-o-humano--o-inumano-e-o-ser-mulher-a-partir-da-obra-desesterro--2015--de-sheyla-smanioto?lang=pt-br. Acesso em: 15 jun. 2021.
  • KLUMB, Stefani Andersson; GUIZZO, Antonio Rediver. Entre cães e cadelas: a constância da figura canina na narrativa de Sheyla Smanioto. Memorare, Tubarão, SC. v. 7, n. 1, p. 167-182, jan./jun. 2020.

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