Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.



Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Mestra Maria Margarida

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2021
1935 Brasil / Alagoas / Maceió
Maria Margarida da Conceição (Maceió, Alagoas, 1935). Cantora, compositora, dançarina e brincante. Contribui para a construção de uma memória de manifestações artísticas populares e é figura reconhecida na fundação de grupos, majoritariamente femininos, que atuam como resistência artística na região do Cariri cearense.

Texto

Abrir módulo

Maria Margarida da Conceição (Maceió, Alagoas, 1935). Cantora, compositora, dançarina e brincante. Contribui para a construção de uma memória de manifestações artísticas populares e é figura reconhecida na fundação de grupos, majoritariamente femininos, que atuam como resistência artística na região do Cariri cearense.

Movida pela fé no Padre Cícero (1844-1934), sua família muda-se para Juazeiro do Norte, Ceará, em 1943. Nesse período, Margarida passa a ter contato com o grupo Guerreiro Alagoano Mestre Amaro, que tem presença marcante nas festas de tradição popular local. É com esse Mestre que ela canta sua primeira peça de Guerreiro, manifestando sua inclinação para o canto. Essas experiências estão ligadas às recordações culturais da sua terra, como Baianado e Chegança.

Aos 18 anos, Margarida torna-se Mestra e funda confrarias predominantemente femininas. Em 1953, cria As Guerreiras de Joana D´arc, grupo que tem em sua formação acompanhamentos de sanfona, tambor e pandeiro.

Atua durante períodos festivos e sagrados da região em atividades como a Folia de Reis, que acontece no mês de janeiro, e as Festas de Renovação, ritual típico em agradecimento ao sagrado, conforme o período do ano, em que as pessoas conseguem fazer benfeitorias em seus lares.

Com um tom grave e bastante imponente, a Mestra tem sua classificação vocal definida por contralto. Uma voz marcada por uma interpretação expansiva, projeção e ressonância sonora de quem lidera grupos utilizando o poder da fala e da voz cantada. 

Normalmente ela não se ampara em recursos eletrônicos como microfones para cantar, coordenar as danças e dominar os entremeios. Conta apenas com a força e o vigor de quem mantém sua voz altiva. Numa de suas composições, diz: “Esse Guerreiro é de moças / Mestre tem que respeitar (...)’’, expondo com certa autoridade seu lugar e sua designação no mundo enquanto artista. Em seus ensejos de cantora, os cenários melodiosos delineados pelo instrumental se alinham à proposta de compor uma sonoridade cheia de alusões ancestrais rememoradas por toda a sua vida.  

Em 2002, participa do movimento União dos Artistas da Terra da Mãe de Deus, organizado pela Cia. Carroça de Mamulengos, no bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte. A partir dessa ação, mantém-se o interesse dos jovens pela tradição, comprovando que, se o grupo se estrutura, o fomento pela cultura popular permanece presente no imaginário e na prática diária dos brincantes.

Dois anos depois, é reconhecida pelo Governo do Estado do Ceará como Tesouro Vivo da Cultura, título outorgado a quem concretiza com maestria o trabalho de permear as tradições culturais que brotam e se firmam de forma natural no estado.

Participa como convidada especial do programa Expedições, da jornalista Paula Saldanha, em 2005, na TV Cultura. Nessa edição, Margarida se apresenta com seu grupo, com uma gravação que reforça a produção de material audiovisual que evidencia e perpetua a história da tradição para outros públicos e outras gerações.

Ao longo da sua trajetória é acompanhada por músicos como André Magalhães (1968), membro do grupo A Barca, Beto Lemos (1987), Maria Gomide (1984) e Francisco Lourenço (1990), neto da Mestra Margarida. Esses artistas, advindos de formações musicais variadas, acabam por promover uma troca de sabedorias com as experiências oferecidas pela Mestra.

Em 2017, durante a Romaria de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade, em reconhecimento ao seu trabalho, o Sesc local promove um encontro inédito entre a Mestra Margarida e suas origens, com homenagem do Guerreiro São Pedro Alagoano, do Mestre Juvenal Domingos (1936-2020) e do Mestre Lourenço Máximo (1945). No mesmo ano ela recebe o título de Notório Saber. 

Participa do XII Encontro Mestres do Mundo na cidade de Aquiraz, no Ceará, em 2018, evento realizado pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE) desde 2005, como uma importante iniciativa de interiorização da cultura.

A voz singular e marcante de Mestra Margarida e sua trajetória na divulgação da cultura popular de sua região constroem um legado de preservação artística, com especial atenção à presença feminina nas práticas culturais do Nordeste brasileiro.

Fontes de pesquisa 6

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: