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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Charlene Bicalho

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.03.2021
1982 Brasil / Minas Gerais / João Monlevade
Charlene Sales Bicalho (João Monlevade, Minas Gerais, 1982). Artista visual, performer, produtora cultural e educadora. Transitando entre fotografia, vídeo e performance, discute o processo histórico-social da população negra no Brasil utilizando as águas de rios e mares como fios de diálogos com o passado histórico e associando o cabelo das mul...

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Charlene Sales Bicalho (João Monlevade, Minas Gerais, 1982). Artista visual, performer, produtora cultural e educadora. Transitando entre fotografia, vídeo e performance, discute o processo histórico-social da população negra no Brasil utilizando as águas de rios e mares como fios de diálogos com o passado histórico e associando o cabelo das mulheres negras às raízes culturais deste grupo.

Gradua-se em administração empreendedora pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (Unileste), no ano de 2005, e conclui o mestrado em administração pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em 2012. Ingressa na atividade artística em 2010, e amplia seu conhecimento na área com residências no ateliê da artista visual Rosana Paulino (1967), em 2014 e 2018.

Seu primeiro trabalho é a direção da websérie documentário Raiz Forte (2012), que apresenta narrativas de mulheres negras do estado do Espírito Santo, abordando suas histórias sobre as relações com a estética capilar afrodescendente nos âmbitos familiar, escolar e afetivo. A obra estabelece relações entre as cenas de raízes expostas do mangue capixaba, como um ecossistema, os cabelos crespos e cacheados e closes em plano detalhe dos rostos e cabelos, para destacar um fenótipo e uma beleza que são negados na representação dessas mulheres negras dentro da história da arte. Exibida na Europa e no Brasil, em 2014 a websérie integra a exposição coletiva Obscure Beauté du Brésil, no Espaço Cultural Fort Grifoon, em Besançon, França, e recebe o Prêmio de Menção Honrosa pelo Concurso Nacional de Webséries do 21º Festival de Cinema de Vitória.

Entre 2014 e 2015, dirige a websérie Mulheres de Raiz Forte, com uma equipe composta exclusivamente de mulheres negras. Apresentada em formato de entrevistas individuais, propõe a abordagem na perspectiva do feminismo negro, com foco na realidade profissional de quatro mulheres negras, como a artista visual e performer Priscila Rezende (1985). Assim como em Raiz Forte, a conexão entre tronco e raízes de árvores com os cabelos e as falas das mulheres negras entrevistadas simboliza a história e a resistência negra no Brasil.

Participa da exposição coletiva Tentativas de Esgotar um Lugar, em 2015, no Museu de Arte do Espírito Santo (Maes), com a videoinstalação Adaptação | Margem de Ti, resultado da orientação de Rosana Paulino, que alia o conhecimento de Bicalho na produção de vídeos com novas referências visuais. A obra é composta de caixas de madeira que trazem na face fotografias da artista em diversas idades, mostrando sua transição capilar. Dentro das caixas há objetos usados em seu cabelo durante a vida e frascos de vidro vazios e com mechas de cabelos. No centro da sala é projetada a videoperformance Margens de Ti, em que mechas de cabelos crespos e cacheados são soltos na água de rios ou estão dentro de frascos de vidro dispostos na areia da praia, com espelhos de tamanhos variados, inteiros e quebrados. Com seus cabelos soltos, a artista manipula os objetos enquanto se olha nos espelhos que distorcem sua imagem. Ao final do vídeo, deposita no mar uma gamela de madeira com os objetos utilizados e com flores amarelas, representando a cor de Oxum, Orixá das águas doces, da beleza e do amor.

No ano de 2016, idealiza o Raiz Forte Espaço de Criação, em Vitória, Espírito Santo, que possibilita contribuições e trocas entre artistas negros sobre seus processos criativos. O local busca “ser um núcleo de rizomas, um suporte para uma frondosa árvore de singularidades”1, por meio de trabalhos artísticos e educativos com recorte étnico-racial.

Apresenta a instalação e videoperformance Onde Você Ancora Seus Silêncios? #1 (2017) na exposição coletiva Não Me Aguarde na Retina, de 2018, no Valongo Festival Internacional da Imagem, em Santos, litoral de São Paulo. No mesmo ano, desenvolve Onde Você Ancora Seus Silêncios? #2, exibida na exposição coletiva Malungas, no Museu Capixaba do Negro (Mucane), em Vitória. Grava as duas em frente ao canal do Porto, entre Porto Velho e Vitória, próximo às ruínas de um possível local em que, durante o período colonial, negros escravizados aguardam seus preços subirem para serem vendidos. No primeiro trabalho, a artista lança sete âncoras a partir de uma pedra no meio do mar; no segundo ela se ancora em uma pequena embarcação até seu naufrágio. As duas instalações, relacionadas em materialidade e títulos, são apresentadas em looping e são acompanhadas das âncoras utilizadas nos vídeos. O mar se torna o fio de diálogo com a ancestralidade, remetendo ao tráfico transatlântico de negros escravizados e “às marés inseguras das águas salgadas da sociedade”2 que são impostas aos negros. Finaliza o ano com Onde Você Ancora Seus Silêncios? #1 na 14ª edição da Verbo – Mostra de Performance Arte, na Galeria Vermelho, em São Paulo.

Charlene Bicalho combina diversos repertórios visuais, ampliando significados de objetos e ambientes que se conectam à história do povo negro no Brasil, para abarcar e propor reflexões que estimulem o enfrentamento do racismo e a valorização social, estética e cultural de mulheres e homens negros.

Notas:

1. RAIZ FORTE POR CHARLENE BICALHO. Inauguração RAIZ FORTE - Espaço de Criação. Vitória, 16 jul. 2016. Facebook: RAIZ FORTE por Charlene Bicalho @projetoraizforte. Disponível em: https://www.facebook.com/events/581606782015844/. 

2. VERBO 2018. Galeria Vermelho, São Paulo, 2018. Disponível em: https://galeriavermelho.com.br/pt/exposicao/11299/verbo-2018/texto.

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