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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Alice Assis Kanji

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.11.2021
1918 Brasil / São Paulo / Bauru
1992 Brasil / São Paulo / São Paulo
Alice Assis Kanji (Bauru, São Paulo, 1918 – São Paulo, São Paulo, 1992). Fotógrafa. Integrante da comissão de eventos do Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), uma das primeiras mulheres a pertencer ao quadro social do FCCB. As fotografias de Alice Kanji demonstram a associação do domínio técnico apurado com temas voltados para elementos do cotidia...

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Alice Assis Kanji (Bauru, São Paulo, 1918 – São Paulo, São Paulo, 1992). Fotógrafa. Integrante da comissão de eventos do Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), uma das primeiras mulheres a pertencer ao quadro social do FCCB. As fotografias de Alice Kanji demonstram a associação do domínio técnico apurado com temas voltados para elementos do cotidiano e revelam aspectos do olhar e da condição de trabalho artístico das mulheres nas décadas de 1950 e 1960.  
 
Ingressa no FCCB em 1949 para acompanhar o marido, o fotógrafo sírio Tufi Kanji (1906-1979). Ao participar das excursões fotográficas e da organização dos eventos do FCCB, Alice se entusiasma com a fotografia e passa a atuar como assistente do marido, então diretor do estúdio do clube e professor de retoque e iluminação na mesma instituição. A fotografia é assunto recorrente no dia a dia do casal, que trabalha junto no estúdio e alterna a posição de assistência nos projetos individuais. 

A trajetória fotográfica de Alice Kanji acontece dentro do FCCB, como fotógrafa, assistente do estúdio, integrante da comissão organizadora do Salão Internacional de Fotografia de São Paulo ou ainda membro da diretoria social do fotoclube. Associa-se ao FCCB em 1949, onde permanece filiada até o início da década de 1980. Durante mais de 30 anos de atuação no FCCB, é selecionada para diversos salões fotográficos internacionais e nacionais, ganha premiações e medalhas de honra. 

Em 1954, ganha o 1º prêmio no Salão de Marília e o 1º prêmio no Concurso Fotográfico Mesbla, e participa pela primeira vez do 13º Salão Internacional de Arte Fotográfica. Em 1955, quatro fotografias1 de Alice Kanji são selecionadas para o 14º Salão Internacional de Arte Fotográfica: Spring Has Gone, na seção preto e branco; Rainha do Abismo, Crepúsculo e Madrigal na seção cores. Ganha a medalha de ouro no Salão Internacional da Câmera Clube de Santo André, em 1956.  Participa do 16º Salão Internacional de Arte Fotográfica, em 1957, com a fotografia Sem Título, na seção preto e branco. Em 1959, a fotografia intitulada Labor [195-] é selecionada para a seção preto e branco do 18º Salão Internacional de Arte Fotográfica. Em 1961, ganha o 1º lugar na categoria tradições e costumes do 2º Concurso Fotográfico do Guarujá. Participa, em 1980, do Salon National Crédit Lyonnais, na França, e do 8º Salão Internacional, na Grécia. Em 1982, tem quatro admissões na exposição itinerante do Foto Clube Anderlues, na Bélgica. 
 
No artigo A mulher no 18º Salão Internacional de São Paulo2, a fotografia Labor aparece em destaque. Alice é apresentada no texto como umas das fotógrafas amadoras pertencentes ao FCCB, junto com a espanhola Palmira Giró (1912-1979) e com Dulce Carneiro (1929-2018). Seu nome aparece também em outras edições do Boletim Foto-Cine, figurando diferentes funções, seja como organizadora dos eventos do clube, como selecionada dos concursos e salões, ou, ainda, como modelo – como no trabalho do fotógrafo Arnaldo Florence (1911-1987), Olhando o Horizonte, com Alice Assis Kanji (ca. 1951). 

As fotografias de Alice Kanji, assim como as de outras mulheres que participam dos fotoclubes, têm menos destaque do que as produções masculinas, e, apesar de ter uma relação reconhecida de companheirismo profissional com Tufi Kanji, a própria instituição acaba sobrepondo o nome do marido ao de Alice. “Casos de parcerias profissionais, artísticas ou intelectuais entre casais não são raros, mas raras são as vezes em que ambos os integrantes recebem os devidos créditos ou reconhecimento por suas contribuições.”3

Uma imagem emblemática sobre a posição das mulheres nos fotoclubes é a fotografia Sem Título (197-), uma cena de estúdio capturada por Alice Kanji. Na composição, o fotógrafo aparece de costas e, pelo olhar da modelo que sorri, podemos supor que ele está com uma câmera na mão. A curadora Helouise Costa (1960) faz uma análise dessa fotografia, apontando que Alice deixa explícito no enquadramento o lugar de onde fotografa: de alguém que assiste à cena do bastidor, que observa o ato de fotografar controlado pela figura masculina detentora de poder e que cria condições para que ela possa exercer a arte fotográfica4.
 
A escrita fotográfica de Alice Kanji dialoga diretamente com a proposta modernista da Escola Paulista, ao mesmo tempo que os temas de trabalho aparecem atrelados a elementos cotidianos, objetos banais e eventos corriqueiros, como notamos na geometrização da cena do menino que se esconde atrás de um assento público em Garoto Peralta [197-], na exaltação da riqueza dos tons da luz sobre um vaso de planta em Composição (ca. 1955), na abstração de um rochedo em Selênica [197-], ou na sobreposição de três tomadas fotográfica distintas que se entremeiam compondo uma imagem edificada entre dois prédios e um momento em Arquitetura [196-]. 

Em 2020, a galeria Utópica, em São Paulo, organiza a exposição coletiva Três Autores do Sexo Fraco: Alice Assis Kanji, Dulce Carneiro, Annemarie Heinrich, com base em uma pesquisa sobre a atuação de algumas mulheres fotógrafas no FCCB e com comentário crítico de Helouise Costa.

Alice Kanji atua ativamente por mais de 30 anos no FCCB, participando de várias exposições, salões e concursos. Suas composições fotográficas, restritas ao ambiente do fotoclube, revelam seu apurado domínio fotográfico e destacam a importância de seu trabalho para a fotografia feminina nas décadas de 1950 e 1960.

 

Notas:

1. Poucas fotografias de Alice Kanji contém no verso a data precisa da cópia, por isso elas são identificadas temporalmente de acordo com a década de captura da imagem.
2. Cf. BOLETIM FOTO-CINE, São Paulo: Foto Cine Clube Bandeirante, ano X, n. 115, 1960. Disponível em: http://fotoclub.art.br/documento/boletim-foto-cine-clube-bandeirante-no-115/. Acesso em: 26 nov. 2020.
3. COSTA Helouise. Presenças efêmeras: mulheres fotógrafas no Foto Cine Clube Bandeirante. São Paulo: Galeria Utópica, 2020.
4. COSTA, Helouise. Presenças efêmeras: mulheres fotógrafas no Foto Cine Clube Bandeirante. YouTube, 20 ago. 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=O8sUFI2zJx8. 

Exposições virtuais 1

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