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Tebas

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 20.11.2020
1721 Brasil / São Paulo / Santos
1811 Brasil / São Paulo / São Paulo
Joaquim Pinto de Oliveira, ou Tebas (Santos, São Paulo, 1721 – São Paulo, São Paulo, 1811). Arquiteto e artesão. Ex-escravizado da São Paulo colonial e escravocrata, um dos protagonistas da arquitetura da era colonial paulista. Participa de monumentos emblemáticos, como a ornamentação em pedra do Convento de São Francisco e a construção da torre...

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Joaquim Pinto de Oliveira, ou Tebas (Santos, São Paulo, 1721 – São Paulo, São Paulo, 1811). Arquiteto e artesão. Ex-escravizado da São Paulo colonial e escravocrata, um dos protagonistas da arquitetura da era colonial paulista. Participa de monumentos emblemáticos, como a ornamentação em pedra do Convento de São Francisco e a construção da torre da antiga Catedral de São Paulo.

Tebas viaja a São Paulo por vontade de seu mestre, o pedreiro Bento de Oliveira Lima. À época, São Paulo é uma cidade ainda pobre e conta com apenas três pedreiros. As edificações são majoritariamente de taipa de pilão, técnica que consiste no uso do barro. A mudança de Tebas coincide com um período de transformação do centro da cidade, com a reforma de igrejas ou a edificação de novas, processo coordenado pelas ordens religiosas (beneditinos, carmelitas, franciscanos e católicos).

Por volta de 1760, as igrejas mais ricas adornam suas fachadas com o uso da pedra de cantaria. Tebas destaca-se pela aplicação da tecnologia do uso da pedra, qualidade provinda provavelmente de sua experiência na Vila de Santos, onde é comum esse tipo de construção, por ser uma cidade litorânea. A participação do arquiteto é registrada oficialmente nas obras da antiga Catedral da Sé, a Igreja do Mosteiro de São Bento (1766), a Capela da Ordem Terceira do Seráfico São Francisco e a Capela da Ordem Terceira do Carmo. Há relatos do trabalho de Tebas na São Paulo colonial que inclui desde obras de detalhe escultórico até construções de engenharia hidráulica. A profissão de arquiteto é formalizada no Brasil apenas no século XIX, e Tebas vive em um período em que a atividade do arquiteto aproxima-se também das disciplinas de engenharia e das belas artes.

Em 1769, seu mestre Bento de Oliveira Lima morre. Sua viúva, Dona Antonia Maria Pinta, tem de administrar as dívidas e os bens por ele deixados. Consta em documento de seu inventário que, entre os oficiais a ele subordinado, Tebas é o mais valioso, avaliado em 400 mil réis, enquanto os outros equivalem a 100 mil réis cada um. Na época, Oliveira Lima é encarregado da importante obra da fachada da antiga Catedral da Sé, que permanece inacabada e já completamente paga. Tebas ajuda a concluir a obra em acordo estabelecido com o cônego da catedral, o Reverendo Lourenço Claudio Moreira. Mesmo assim, Maria Pinta não consegue quitar as dívidas e o vende a outro integrante da Catedral da Sé.

Em 1772, é contratado pela Ordem Terceira do Carmo para confeccionar os arcos da fachada da Capela de Santa Teresa. O arcediago Matheus Lourenço de Carvalho, seu novo mestre, orienta Tebas a cobrar os serviços da Sé realizados a sua ex-senhora, já que ele é vendido enquanto conclui a obra. Por volta de 1777, Tebas consegue comprar sua alforria e obtém licença para trabalhar como pedreiro aos 58 anos. Tebas conquista a alforria por meio do reconhecimento da qualidade de sua obra, e não por sua força física.

Em 1793, ordenado pelo Governo da Capitania, Tebas constrói o primeiro chafariz público da cidade, localizado ao lado da Igreja da Misericórdia, no encontro da Rua Álvares Penteado com a Rua Direita. Na época, ganha uma quantia diária equivalente a um salário e meio de um branco. Como engenheiro hidráulico, realiza a canalização das águas do Anhangabaú, que consiste numa construção de pedra com quatro torneiras (uma de cada lado) e de centro afunilado. Em 1886, o chafariz é transferido para o Largo da Santa Cecília, e, em 1903, é finalmente removido.

A obra de Tebas pode ser vista nas ruas do centro da cidade paulista, mas, apenas 200 anos após sua morte, em 2018, sua colaboração é inventariada pelo Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp). Durante muitos anos sua história permanece oculta e, por este motivo, existem muitas contradições acerca de sua biografia. Em esforço conjunto, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo (CAU-SP) e o Instituto para o Desenho Avançado (Idea) realizam um trabalho de recuperação da obra do arquiteto, reconhecendo a necessidade de um aprofundamento da pesquisa sobre sua vida. Além de documentos descobertos recentemente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), alguns registros de artistas colaboram para manter sua memória viva, como é o caso do samba "Tebas", composto em 1974 pelo compositor e músico Geraldo Filme (1927-1995).

A invisibilidade da colaboração de trabalhadores negros pertence a uma narrativa predominante, em que muitos construtores das cidades são esquecidos ou apagados. A devida inserção do legado de Tebas na história da arquitetura faz parte de um movimento de revisão historiográfica reivindicado por parte da sociedade. 

A representatividade de Tebas como arquiteto negro ex-escravizado ressalta sua importância. Para além disso, sua contribuição para a arquitetura colonial e o pioneirismo de suas obras na cidade de São Paulo são emblemáticos na produção urbana brasileira. 

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