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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Jaider Esbell

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.08.2021
1979 Brasil / Roraima / Normandia
Registro fotográfico Agência Ophelia/Itaú Cultural

Jaider Esbell, 2018

Jaider Esbell Macuxi. (Normandia, Roraima, 1979). Artista visual, escritor e produtor cultural. Ativista sócio-cultural indígena, Esbell constrói em sua produção conexões entre os valores comunitários de sua etnia, a Makuxi, e as romantizações brancas sobre as culturas indígenas, colocando em xeque a relação uníssona das apropriações culturais.

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Jaider Esbell Macuxi. (Normandia, Roraima, 1979). Artista visual, escritor e produtor cultural. Ativista sócio-cultural indígena, Esbell constrói em sua produção conexões entre os valores comunitários de sua etnia, a Makuxi, e as romantizações brancas sobre as culturas indígenas, colocando em xeque a relação uníssona das apropriações culturais.

Gradua-se com dupla titulação (bacharelado e licenciatura) em geografia pela Universidade Federal de Roraima em 2008, e obtêm especialização em MBA em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela mesma instituição em 2010. Trabalha como técnico eletricista em linha de transmissão na Eletrobras até 2020, quando passa a se dedicar exclusivamente às carreiras artística e de produtor cultural. Transforma seu ateliê em uma galeria de arte indígena e centro cultural, com o nome de Galeria de Arte Indígena Contemporânea, que se torna um pólo de propagação de ações e seminários sobre arte indígena, organizados por Esbell desde 2013.

Em 2010, é contemplado pelo edital de literatura da Bolsa Funarte de Criação Literária e publica o livro Terreiro de Makunaima – Mitos, Lendas e Estórias em Vivências (2012). Nele, Esbell se coloca como um dos netos de Macunaíma, divindade solar da cultura Makuxi que se torna um herói mítico alçado à popularidade do panteão modernista pelo escritor Mário de Andrade (1893-1945). Esbell conclama nesse livro uma retomada da figura de Macunaíma, para ser visto não mais como malandro e oportunista, mas sim como um estrategista de culturas que elabora táticas de adaptabilidade e de negociação com um mundo atravessado por choques culturais. 

Esbell afirma nessa obra que sua existência como artista e como articulador cultural ocorre dentro de um processo bastante crítico sobre as práticas de decolonização, apropriação cultural, cultura cristã monoteísta, a monocultura, a globalização, e demais dilemas que afrontam diretamente o modo de vida e a visão de mundo de seu povo. Para Esbell, seu lugar como artista e agente cultural vem de uma ampla valorização do termo arte indígena do início do século XXI.

Lança de maneira independente o livro Tardes de Agosto, Manhãs de Setembro, Noites de Outubro (2013). Nessa obra, Esbell articula narrativas cosmogônicas de sua etnia com elementos autobiográficos que salientam os choques culturais e a apropriação narrativa pelas práticas colonialistas.

É também em 2013 que Esbell passa a trabalhar com pintura, desdobrando-a eventualmente para a performance, mas mantendo o referencial cosmogônico como norte de seus temas e soluções formais. São telas e desenhos em sua maioria de cores saturadas, em composições cromaticamente contrastantes, intensificadas pelo uso requintado das padronagens e tessituras lineares, já consagradas pela produção artefatual dos povos originários. Há uma prevalência de fundos em tons escuros, entre marrons, pretos e vermelhos, com poucas inserções de cores mais luminosas, e que servem como uma plataforma de projeção das imagens lineares e pontilhistas em cores vibrantes.

Na tela Maikan e Tukui (Raposas e Beija-flores), de 2020, mesmo sendo possível identificar algumas figuras animais e vegetais, toda a composição da cena se metamorfoseia em uma trama colorida e vibrante de fundo escuro, e as figuras são construídas numa tessitura linear em que muitas vezes seus contornos e limites se confundem, se camuflam. 

Esbell cria imagens onde tipos animais, animistas e vegetais não ocupam de modo algum um lugar ornamentativo ou estático nas composições e narrativas de sobreposição temporal não linear, mas se apresentam como entidades cosmogônicas que ora afirmam os valores das comunidades indígenas, ora se materializam como prenúncios de futuros trágicos, seguindo a tradição da vidência-política de Davi Kopenawa Yanomami (1956).

O protagonismo desses fundos escuros e saturados de massas de cor abrem espaço para tessituras mais claras na exposição individual do artista na Galeria Millan em São Paulo, em 2021, que leva o nome de Apresentação: Ruku. Num misto de continuidade de uma pesquisa comunitária e de homenagem à sua mãe adotiva e pajé Bernaldina José Pedro (1945-2020), conhecida como Vovó Bernaldina, militante e religiosa na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, Esbell apresenta o Ruku, conhecido como Jenipapo, como uma entidade xamânica de cura e de projeção de mundos, utilizando nas peças os mesmos recursos gráficos e narrativos cosmogônicos, enlaçados dessa vez pelo gesto performático e ritualístico de pintura corporal – um dos usos do pigmento obtido pelo Ruku.

Ao longo de sua trajetória como artista, Jaider Esbell assume não apenas uma posição de representante das linhas estético-históricas das culturas originárias, mas também a função de articulador político-cultural, organizando e promovendo eventos artísticos, educativos e militantes, no âmbito das lutas por demarcação de terras indígenas, de resistência às práticas de apropriação cultural e demais violências sistêmicas contra seu povo.

Exposições 6

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