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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Daiara Tukano

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.09.2021
1982 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Agência Ophelia/Itaú Cultural

Daiara Tukano, 2017

Daiara Hori Figueroa Sampaio (São Paulo, São Paulo, 1982). Artista, muralista, comunicadora, educadora. A sabedoria e a ancestralidade indígena é apresentada em suas obras, que variam de formatos e técnicas, passando por murais em empenas de edifícios, pinturas e desenhos em nanquim. A artista está presente também nas principais discussões sobre...

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Daiara Hori Figueroa Sampaio (São Paulo, São Paulo, 1982). Artista, muralista, comunicadora, educadora. A sabedoria e a ancestralidade indígena é apresentada em suas obras, que variam de formatos e técnicas, passando por murais em empenas de edifícios, pinturas e desenhos em nanquim. A artista está presente também nas principais discussões sobre direitos humanos e é uma voz potente da liderança indígena no Brasil.

Forma-se em artes plásticas pela Universidade de Brasília (UnB), em 2011 e cursa mestrado em Direitos Humanos e Cidadania na mesma instituição, com pesquisa sobre o direito à memória e à verdade dos povos indígenas e suas relações com a educação, sob o título Questão Indígena no ensino brasileiro: análise e crítica dos materiais pedagógicos criados em função da lei 11.645/2008. É militante dos movimentos indígena e feminista e colaboradora da Rádio Yandê, primeira web-rádio indígena do Brasil, cujo principal objetivo é a difusão da cultura indígena, atuando de maneira colaborativa.

Pertencente ao clã Uremiri Hãusiro Parameri do povo Yepá Mahsã, mais conhecido como Tukano, nasce em uma família de lideranças indígenas militantes no contexto social e político que antecede a elaboração da Constituição Brasileira de 19881. Desenvolve estudos sobre a cultura, história e ancestralidade de seu povo, elaborando desenhos que remetem ao tradicional e aos objetos sagrados do cotidiano. A partir de cerimônias, rituais, medicina indígena e a cosmovisão, Daiara Tukano pesquisa o Hori, palavra da língua Dahseyé (Tukano) que significa “miração”, referindo-se às visões causada pelo Kahpi (ayahuasca), originária da história, ritos, desenhos, cantos e conhecimento do povo Tukano. A partir dessa experiência, Daiara produz obras em diferentes suportes e técnicas, como desenhos e pinturas, que trazem a abstração e diversos formatos experimentais de cor e luz. Os trabalhos intitulados Kahpi Hori, que a artista produz desde 2013, são uma série de telas com padrões gráficos e geométricos, e cores vibrantes.

Participa das exposições Armadilhas Indígenas, em 2016, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília, e Reantropofagia, na Galeria de Arte da Universidade Federal Fluminense (UFF), em 2019. Está também na 30ª edição do programa de exposições CCSP mostra 2020, com uma exposição individual intitulada PAMERI YUKESE - cobra canoa da transformação (2020), no Centro Cultural São Paulo (CCSP), uma retrospectiva dos últimos quatro anos de trabalhos da artista que celebra a cultura do povo Tukano. Suas mirações, ou Hori, são a tônica dos trabalhos apresentados e representam o mito de criação de seu povo, o mito da cobra-canoa, que explica como a humanidade foi formada no bojo da grande cobra, criando comunidades ao longo do rio.

É conhecida como a primeira artista indígena a pintar o maior mural de arte urbana no Brasil. A obra Selva Mãe do Rio Menino (2020) ocupa mais de 1.000 m² no histórico Edifício Levy, na região central de Belo Horizonte, e é realizada como parte da 5ª edição do Circuito Urbano de Arte (CURA), importante festival de arte urbana de Minas Gerais. A obra traz a imagem de uma mãe carregando o seu filho no colo, composta por cores fortes e vibrantes, retratando a mãe natureza que carrega em seu colo um rio menino, que só nasce onde tem mata, onde a selva está conservada, trazendo à tona o tema da preservação ambiental.

Em 2020, participa também da mostra Véxoa: Nós sabemos, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, exposição na qual apresenta seus trabalhos Hori, os quais propõem um diálogo com a cosmovisão do povo Tukano.

Além de artista, atua como liderança indígena na luta pelas causas de seu povo. Em 2019, participa, ao lado do líder indígena, ambientalista, filósofo, poeta e escritor brasileiro Ailton Krenak (1953) da mostra Ameríndia: Percursos no Cinema Indígena no Brasil, no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que contou com mostra de filmes e debates sobre o cinema indígena.

Participa também do Climate Hub (2021), do jornal norte-americano The New York Times, para discutir como a arte pode auxiliar nas conversas sobre mudanças climáticas. É artista convidada para a 34ª Bienal Internacional de São Paulo (2021), Faz escuro mas eu canto, com exposição de seus trabalhos ligados ao Hori.

Suas intervenções na cidade como muralista também conta com obras em São Paulo, como Alento (2021), desenho na empena de um prédio que compõe o Museu de Arte de Rua de São Paulo (MAR). Dedica-se também à técnica de sumi-ê sobre papel, com desenhos monocromáticos utilizando tinta nanquim. Nesse formato, elabora trabalhos como Yepá, a grande avó do universo (2016-2019), que retrata ao centro a figura de uma mulher, circundada por duas cobras e diversas folhas, remontando ao mito de origem da deusa do universo, chamada Yepá; e Cobra Canoa (2017), outra obra que remonta ao mito da criação dos povos do Alto do Rio Negro, como os Tukanos.

Reconhecida por sua produção artística ligada ao sagrado, à ancestralidade e à identidade indígenas, e por sua militância nos movimentos indígena e feminista, Daiara Tukano entrelaça artes visuais, comunicação e direitos humanos em sua atuação. Conhecida por seu trabalho de visibilidade às culturas indígenas, a artista experimenta diferentes técnicas artísticas, como desenhos, pinturas e estudos de cor e luz.

Notas

1. Realizada logo após o período da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985), a Constituição Brasileira reconhece as tradições e organizações dos povos indígenas, e garante seus direitos à terra, configurando-se como uma importante vitória das lideranças indígenas que atuaram em prol da defesa de seus direitos naquele período.

Exposições 3

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