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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Kaká Werá

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 08.03.2022
1963 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Eduardo Fujise e Gideoni Junior/Itaú Cultural

Kaká Werá, 2016

Kaká Werá Jecupé (São Paulo, São Paulo, 1964), escritor, ambientalista e tradutor. É descendente do povo tapuia e acolhido pela comunidade guarani, com a qual desenvolve uma extensa pesquisa histórica, linguística e cultural. Envolvido em processos educativos, atua na valorização, no registro e na difusão dos saberes ancestrais de povos indígenas.

Texto

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Kaká Werá Jecupé (São Paulo, São Paulo, 1964), escritor, ambientalista e tradutor. É descendente do povo tapuia e acolhido pela comunidade guarani, com a qual desenvolve uma extensa pesquisa histórica, linguística e cultural. Envolvido em processos educativos, atua na valorização, no registro e na difusão dos saberes ancestrais de povos indígenas.

Nos anos 1980, Werá vive entre os guaranis no bairro de Parelheiros, na capital paulista. Passa os doze anos seguintes em processo de iniciação espiritual e peregrina por diferentes aldeias no Brasil e no Paraguai. Ao longo dessa trajetória, aprende os fundamentos do bem viver, a história, a filosofia e os saberes ancestrais desse povo.

No início da década de 1990, funda a primeira editora indígena brasileira, a Nova Tribo. Em 1994, publica seu primeiro livro, Oré Awé – Todas as vezes que dissemos adeus. Nesse romance autobiográfico, o autor aborda as questões identitárias de sua formação, que passam pela busca de suas raízes ancestrais e pelos conflitos entre seu povo e os não indígenas.

A narrativa é apresentada como uma conversa em torno da fogueira, propondo um futuro mais harmonioso entre a cultura indígena e a ocidental, em que haja respeito mútuo e coexistência das diferenças. Werá narra o percurso individual e coletivo do narrador-protagonista, cuja identidade é moldada pelas experiências muitas vezes conflituosas com a sociedade não indígena. A questão ambiental se confunde com a existência do narrador, perpassando a narrativa a partir de experiências pessoais e afetivas.

A morte de pessoas queridas é recorrente nessa obra e está associada de forma direta ou indireta com a opressão da cultura ocidental, expressa seja na ganância, seja nos valores, seja na destruição do meio ambiente. A primeira delas acontece depois que Kaká e um amigo nadam na Represa Billings e adoecem. Ao se recuperar, Kaká descobre a morte do amigo por causa do envenenamento das águas poluídas.

A morte da mãe na infância e a do pai na adolescência também estão associadas ao distanciamento do bem viver imposto pela sociedade ocidental, que perde o convívio harmonioso entre os seres viventes. O aprendizado da cosmovisão guarani se intensifica a partir do ritual de acolhimento entre os guaranis, quando o protagonista recebe o nome de Werá Jecupé.

Em 1998, Werá começa a lecionar na Universidade Holística Internacional da Paz (Unipaz), sediada em Brasília. No mesmo ano, inaugura no município paulista de  Itapecerica da Serra o Instituto Arapoty, cuja proposta é difundir as culturas e as tradições indígenas. Uma das propostas da instituição é estimular a produção sustentável e o trabalho comunitário.

Em 2001, Werá publica Tupã Tenondé, a criação do Universo, da Terra e do homem segundo a tradição oral guarani. A edição bilíngue apresenta cantos tradicionais guaranis acompanhados de traduções em português e de comentários que contextualizam a religiosidade e a cultura indígenas a partir de reflexões filosóficas e etimológicas.

Os cantos, recolhidos a partir dos registros do pesquisador Léon Cadogan (1899-1973), estão divididos em quatro partes. A primeira é intitulada “Os primeiros costumes do colibri”, com cantos que abordam a criação do universo. A passagem do manifestado para o existente se dá com o surgimento de Ñande Ru Tenondé, que literalmente significa "Nosso Pai Primeiro", mas que também pode ser compreendido como "Suprema Consciência". A segunda parte, “Os fundamentos do ser”, trata do surgimento do ser, tendo o amor como primeiro fundamento que se desdobra e abre caminho para os demais. A terceira parte é nomeada "A primeira Terra", com a cosmogonia da Mãe Terra. A quarta parte, “Está-se a dar assento a um ser para alegria dos bem-amados”, aborda o mistério da encarnação e a missão humana na Terra.

Em 2014, Werá se lança candidato pelo Partido Verde (PV) a uma vaga no Senado Federal e se torna o primeiro indígena a concorrer ao cargo. Em 2016, publica O trovão e o vento: um caminho de evolução pelo xamanismo tupi-guarani. A obra é dividida em quatro capítulos e traça um panorama da trajetória tupi-guarani, datada entre doze e quinze mil anos, por meio de cinquenta cânticos fundadores e estruturantes dessa cultura.

O primeiro capítulo, nomeado "Ancestralidade tupi-guarani", traz a história da cultura e do território anterior à chegada do homem branco. Trata-se de um momento de integração e culto à natureza, em que a relação entre os povos se dá sobretudo pela camaradagem, pelo escambo ou pela guerra. O segundo capítulo, "Os princípios do trovão", narra o processo de expansão territorial, também anterior à colonização. No terceiro capítulo são apresentados os "Cânticos que educam os ventos". O quarto e último capítulo trata dos "Cânticos do fogo sagrado".

Werá desenvolve um extenso trabalho de pesquisa sobre a história de formação do Brasil, narrada do ponto de vista de povos indígenas ameríndios anteriores à colonização. É um importante difusor da cultura, da história, das tradições indígenas e, em especial, do cuidado e do respeito desse povo pelo meio ambiente e por todos os seres que nele habitam.

Encontros 1

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Fontes de pesquisa 8

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  • KAKÁ Werá - Escritor e ambientalista, dirige o Instituto Arapoty. Revista Trip. Disponível em: https://revistatrip.uol.com.br/homenageados/2010/kaka-wera. Acesso em: 23 out. 2020.
  • KAKÁ Werá - culturas indígenas. Itaú Cultural. 05 out. 2017. Disponível em: https://www.itaucultural.org.br/kaka-wera-culturas-indigenas. Acesso em: 23 out. 2020.
  • Kaká Werá. Biografia enviada pelo artista para o evento Mekukradjá.
  • QUARESMA, Carline Cunha Ramos; LEAL, Izabela Guimarães Guerra. "Kaká Werá Jecupé e a tradução dos cantos sagrados Mbyá Guarani" Letras escreve Macapá, v. 8, n. 1, 1º sem., 2018. https://periodicos.unifap.br/index.php/letras.
  • SOUZA, Emilene Corrêa. "O colonialismo e o pós-colonialismo na literatura indígena: uma análise de Todas as vezes que dissemos adeus, de Kaka Werá Jecupé". BOITATÁ, Londrina, n. 14, p. 95-104, ago-dez 2012.
  • WERÁ, Kaká. O trovão e o vento: um caminho de evolução pelo xamanismo tupi-guarani. São Paulo: ed. Polar, 2016.
  • WERÁ, Kaká. Ore awé roiru’a ma – Todas as vezes que dissemos adeus – Whenever We Said Goodbye. Fotos Adriano Gambarini. 2. ed. rev. com novas fotos. SãoPaulo: TRIOM, 2002.
  • WERÁ, Kaká. Tupã Tenondé: a criação do Universo, da Terra e do Homem segundo a tradição oral Guarani. São Paulo: Peirópolis, 2001.

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