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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Kaká Werá

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.09.2021
1963 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Eduardo Fujise e Gideoni Junior/Itaú Cultural

Kaká Werá, 2016

Kaká Werá Jecupé (São Paulo, São Paulo,  1964-), escritor, ambientalista e tradutor. É descendente do povo Tapuia e acolhido pelos guarani, junto aos quais desenvolve uma extensa pesquisa histórica, linguística e cultural. Envolvido em processos educativos, atua na valorização, registro e difusão dos saberes ancestrais de povos indígenas.

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Kaká Werá Jecupé (São Paulo, São Paulo,  1964-), escritor, ambientalista e tradutor. É descendente do povo Tapuia e acolhido pelos guarani, junto aos quais desenvolve uma extensa pesquisa histórica, linguística e cultural. Envolvido em processos educativos, atua na valorização, registro e difusão dos saberes ancestrais de povos indígenas.

Nos anos 1980, Werá vive entre os guarani no bairro de Parelheiros, em São Paulo. Ele passa os 12 anos seguintes em uma iniciação espiritual, peregrinando entre diferentes aldeias do Brasil e Paraguai, onde aprende os fundamentos do bem-viver, a história, filosofia e os saberes ancestrais desse povo.

No início da década de 1990, cria a primeira editora indígena brasileira, chamada Nova Tribo. Em 1994 publica seu primeiro livro, Oré Awé – Todas as vezes que dissemos adeus. Neste romance autobiográfico, o autor aborda as questões identitárias de sua formação, que passam pela busca de suas raízes ancestrais e pelos conflitos entre seu povo e os não-indígenas.

A escrita é representada como uma conversa em torno da fogueira, com a proposta de um futuro mais harmonioso entre a cultura indígena e a ocidental, com respeito mútuo e coexistência das diferenças. Werá narra um percurso individual e coletivo por meio de experiências que moldaram a identidade do narrador-protagonista na relação muitas vezes conflituosa com a sociedade não-indígena. A questão ambiental se confunde com a existência do narrador, perpassando a narrativa a partir de experiências pessoais e afetivas.

A morte de pessoas queridas é recorrente na obra, associada de forma direta ou indireta com a opressão da cultura ocidental, seja pela ganância, pelos valores ou pela destruição do meio ambiente. A primeira delas acontece quando depois de nadarem na represa Billings, Kaká e um amigo logo adoecem. Ao melhorar de saúde, Kaká descobre que o amigo morreu em decorrência do envenenamento das águas poluídas.

A morte da mãe na infância e a do pai na adolescência também estão associadas ao distanciamento do bem-viver imposto pela sociedade ocidental, que perde o convívio harmonioso entre os seres viventes, humanos e não humanos. O aprendizado da cosmovisão guarani se intensifica a partir do ritual de acolhimento entre os guarani, quando o protagonista é nomeado Werá Jecupé.

Em 1998, Werá começa a lecionar na Universidade Holística Internacional da Paz (Unipaz). No mesmo ano, cria o Instituto Arapoty, com a proposta de difundir as culturas e tradições indígenas. Uma das frentes do Instituto é no estímulo à produção sustentável e trabalho comunitária.

Em 2001, Werá publica Tupã Tenondé: a criação do Universo, da Terra e do Homem segundo a tradição oral guarani. A edição bilíngüe apresenta um sistema de cantos tradicionais guarani acompanhados de suas traduções em português e dos comentários de Werá, que contextualizam a religiosidade e a cultura a partir de reflexões filosóficas e etimológicas dos termos presentes.

Os cantos, recolhidos a partir dos registros do pesquisador Léon Cadogan (1899-1973), estão divididos em quatro partes. A primeira parte é intitulada “Os primeiros costumes do colibri”, com cantos que abordam a criação do universo. A passagem do imanifestado para o existente se dá com o surgimento de Ñande Ru Tenondé, que literalmente significa "Nosso Pai Primeiro", mas que também pode ser compreendido como "Suprema Consciência".

A segunda parte, “Os fundamentos do Ser”, trata do surgimento do ser, tendo o amor como primeiro fundamento que se desdobra e abre caminho para os demais. A terceira parte é nomeada "A primeira Terra", que traz a cosmogonia da Mãe Terra. A quarta parte, chamada “Está-se a dar assento a um ser para alegria dos bem-amados”, aborda o mistério da encarnação e a missão humana na Terra.

Em 2014, Werá é candidato pelo PV ao Senado Federal e se torna o primeiro indígena a concorrer ao cargo. Em 2016, publica O trovão e o vento: um caminho de evolução pelo xamanismo tupi-guarani. A obra é dividida em quatro capítulos e traça um panorama da trajetória tupi-guarani, datada entre 12 e 15 mil anos, por meio de 50 cânticos fundadores e estruturantes desta cultura.

O primeiro capítulo, nomeado "Ancestralidade tupi-guarani", traz uma história da cultura e do território, anterior à chegada do homem branco. Trata-se de um momento de integração e culto à natureza, em que a relação entre os povos se dá principalmente pela camaradagem, pelo escambo ou pela guerra. O segundo capítulo, "Os princípios do trovão", narra o processo de expansão da atuação territorial, ainda anterior à colonização. No terceiro capítulo são apresentados os "Cânticos que educam os ventos". O quarto e último capítulo trata dos "Cânticos do fogo sagrado".

Werá desenvolve um extenso trabalho de pesquisa sobre a formação do Brasil, narrando do ponto de vista de povos indígenas ameríndios anteriores à colonização. É um importante difusor da cultura, história e tradições indígenas, em especial em relação ao cuidado e respeito pelo meio ambiente e todos os seres que nele habitam

Encontros 1

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Fontes de pesquisa 9

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  • KAKÁ Werá - Escritor e ambientalista, dirige o Instituto Arapoty. Revista Trip. Disponível em: https://revistatrip.uol.com.br/homenageados/2010/kaka-wera. Acesso em: 23 out. 2020.
  • KAKÁ Werá - culturas indígenas. Itaú Cultural. 05 out. 2017. Disponível em: https://www.itaucultural.org.br/kaka-wera-culturas-indigenas. Acesso em: 23 out. 2020.
  • KAKÁ Werá. Site oficial do artista. Disponível em: https://www.kakawera.com/about-me. Acesso em: 23 out. 2020.
  • Kaká Werá. Biografia enviada pelo artista para o evento Mekukradjá.
  • QUARESMA, Carline Cunha Ramos; LEAL, Izabela Guimarães Guerra. "Kaká Werá Jecupé e a tradução dos cantos sagrados Mbyá Guarani" Letras escreve Macapá, v. 8, n. 1, 1º sem., 2018. https://periodicos.unifap.br/index.php/letras.
  • SOUZA, Emilene Corrêa. "O colonialismo e o pós-colonialismo na literatura indígena: uma análise de Todas as vezes que dissemos adeus, de Kaka Werá Jecupé". BOITATÁ, Londrina, n. 14, p. 95-104, ago-dez 2012.
  • WERÁ, Kaká. O trovão e o vento: um caminho de evolução pelo xamanismo tupi-guarani. São Paulo: ed. Polar, 2016.
  • WERÁ, Kaká. Ore awé roiru’a ma – Todas as vezes que dissemos adeus – Whenever We Said Goodbye. Fotos Adriano Gambarini. 2. ed. rev. com novas fotos. SãoPaulo: TRIOM, 2002.
  • WERÁ, Kaká. Tupã Tenondé: a criação do Universo, da Terra e do Homem segundo a tradição oral Guarani. São Paulo: Peirópolis, 2001.

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