Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural

Amanda Carneiro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.01.2021
1985 Brasil / São Paulo / São Paulo
Amanda Carneiro Santos (São Paulo, 1985). Pesquisadora, curadora e educadora. Seus escritos e projetos abordam os trânsitos culturais, estéticos e discursivos que permeiam as produções artísticas a partir de perspectivas pós-coloniais e decoloniais, observando, por meio das diferentes vozes de resistência ao sistema colonial, as intersecções ent...

Texto

Abrir módulo

Amanda Carneiro Santos (São Paulo, 1985). Pesquisadora, curadora e educadora. Seus escritos e projetos abordam os trânsitos culturais, estéticos e discursivos que permeiam as produções artísticas a partir de perspectivas pós-coloniais e decoloniais, observando, por meio das diferentes vozes de resistência ao sistema colonial, as intersecções entre arte e os debates sociais.

Gradua-se em ciências sociais pela Universidade de São Paulo (USP) em 2011 e realiza intercâmbio no campo dos estudos africanos na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique. Na experiência, entra em contato com outras narrativas feministas, que compõem sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós-graduação em História Social da USP (2018). Detendo-se sobre a construção da figura simbólica e política de Josina Muthemba Machel (1945-1971), uma das fundadoras do destacamento feminino para a libertação de Moçambique, a pesquisa apresenta o debate travado pelos próprios atores do movimento, mesclando questões da luta anticolonial e por igualdade de gênero. 

Seu trabalho com arte-educação no Museu Afro Brasil (2012-2017) inspira a criação do projeto ÍRÈTÍ em 2014, em parceria com a artista e educadora Giselda Pereira, e com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Com o objetivo de formar educadores em história, arte e cultura africana e afro-brasileira, ÍRÈTÍ (esperança, em iorubá) ajuda a colocar em prática a exigência da Lei nº 10.639/2003, que inclui no currículo escolar nacional a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira.

Tais experiências em pesquisa e difusão da história e cultura afro-brasileira, bem como a pesquisa na coleção do Ethnological Museum of Berlin (2014-2015), com o apoio da Prussian Cultural Heritage Foundation, propiciam a Amanda diferentes perspectivas de reflexão sobre os discursos que se constroem em torno da cultura material e imaterial. Reflexões que a pesquisadora partilha enquanto integrante da edição de 2016 da Década Internacional Afrodescendente da ONU (2015-2024). Em sua apresentação no 16º encontro do Grupo de Trabalho para a Implementação da Declaração de Durban1, em 2018, em Genebra, Amanda reflete sobre a importância da Declaração de Durban para a luta por políticas de igualdade racial no Brasil, tais como a implementação da Lei nº 10.639/03. 

Com o objetivo de compreender as produções artísticas dentro dos processos históricos que permeiam nossa formação social, como as lutas contra a escravidão e suas consequências, seus textos de análises sobre obras de artistas como Tarsila do Amaral (1886-1973), Maria Auxiliadora (1938-1974), Rosana Paulino (1967) e Dalton Paula (1982) repensam a dimensão da produção e da representação negra na história da arte brasileira. As análises não se restringem à identificação de essencialismos culturais, mas refletem sobre os aparatos e discursos que circundam o sistema artístico e sobre a necessidade de interlocução com diferentes vozes. 

Em 2018, como curadora-assistente e coordenadora de mediação e de programas públicos do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), Amanda Carneiro articula projetos curatoriais, educativos e editoriais. Com o curador André Mesquita, organiza a antologia de textos referenciais sobre os trânsitos artísticos e culturais entre Brasil, Europa e África, discutidos na exposição Histórias Afro-Atlânticas, que se ramifica em diálogos com outras mostras, como a individual da artista Sônia Gomes (1948), Ainda Assim Me Levanto (2018), com curadoria de Amanda Carneiro. A exposição sobrepõe as esculturas de Sônia Gomes à paisagem da cidade, ao desvelar as paredes de vidro do museu e mesclar a leveza das obras com a arquitetura modernista de Lina Bo Bardi (1914-1992). O encontro conduz o debate sobre a abstração para além da tradicional oposição entre tendências construtivas e informais, estendendo-o para abrigar também a tensão entre arte e artesania na dimensão industrial e afetiva dos tecidos.

Integra o projeto Arte e Descolonização (2018), uma parceria entre Masp e Afterall – centro de pesquisa e publicação da University of the Arts, de Londres – para a investigação da produção artística e das novas abordagens que questionam os paradigmas coloniais, com foco em atores e saberes que circulam entre Europa, África e Américas nos séculos XIX e XX, e suas estratégias de resistência às imposições do sistema colonial.

Sem subestimar a materialidade e o diálogo entre as formas, os escritos de Amanda Carneiro compreendem os cânones artísticos como produtos de construções sociais. Questões como a arte popular e seus diálogos com a arte considerada erudita, o papel das mulheres nos processos histórico-culturais de descolonização e a visualidade e os discursos na produção artística são temas frequentes em seu trabalho.

 

Nota:

1. Declaração estabelecida em Durban, África do Sul, em 2001, que se constitui num programa de ação para a luta por direitos civis e combate ao racismo.

Exposições 4

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 9

Abrir módulo
  • CARNEIRO, AMANDA. Presentation by Amanda Carneiro Santos at the 16th Session of the Intergovernmental Working Group on the Effective Implementation of the Durban Declaration and Programme of Action. Geneva, 7 Sept. 2018.
  • CARNEIRO, Amanda. MASP Professores: por Histórias e Artes Afro-Atlânticas no currículo escolar – a Lei 10.639/03. In: MASP Professores. Histórias Afro-Atlânticas: Cultura afro-brasileira e educação antirracista. Seminário. São Paulo: Masp, set. 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=darK_Fw8ans&t=4463s. Acesso em: 3 abr. 2020.
  • CARNEIRO, Amanda. Maria Auxiliadora em duas telas. In: PEDROSA, Adriano; OLIVA, Fernando (org.). Maria Auxiliadora: vida cotidiana, pintura e resistência. 1 ed. São Paulo: Masp, 2018. v. 1, p. 41-47.
  • CARNEIRO, Amanda. Quem vem lá?: redes de circulação iconográfica. In: FONSECA, Raphael (org.). Vaivém. 1 ed. São Paulo: Conceito, 2019. v. 1, p. 194-196.
  • CARNEIRO, Amanda. Rosana Paulino: The Sewing of Memory. Terremoto, México, 14 fev. 2019.
  • CARNEIRO, Amanda. Tarsila do Amaral: descendente direta de Brás Cubas. In: PEDROSA, Adriano; OLIVA, Fernando (org.). Tarsila Popular. 1ed. São Paulo: Masp, 2019. v. 1, p. 76-83.
  • CARNEIRO, Amanda; FONSECA, Raphael. Sonia Gomes: a vida renasce/ainda me levanto. [S.l.]: MAC Niterói, 2018.
  • CARNEIRO, Amanda; PEDROSA, Adriano (org.); MESQUITA, André (org.). Histórias afro-atlânticas: v. 2 antologia. 1. ed. São Paulo: Masp, 2018. v. 2, 624 p.
  • Histórias das Mulheres, Histórias feministas. Organização editorial: Mariana Leme, Adriano Pedrosa e Isabella Rjeille. São Paulo: MUSEU de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, 2019.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: