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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Daniel Munduruku

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.09.2021
28.02.1964 Brasil / Pará / Belém
Registro fotográfico Agência Ophelia/Itaú Cultural

Daniel Munduruku, 2016

Daniel Munduruku Monteiro Costa (Belém, Pará, 1964) Escritor e educador. Sua literatura é predominantemente voltada para o público infanto-juvenil e remonta à tradição oral indígena, compreendendo fábulas, contos e mitos de criação. Já seus textos acadêmicos abordam principalmente questões educacionais, identitárias, culturais e linguísticas do ...

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Daniel Munduruku Monteiro Costa (Belém, Pará, 1964) Escritor e educador. Sua literatura é predominantemente voltada para o público infanto-juvenil e remonta à tradição oral indígena, compreendendo fábulas, contos e mitos de criação. Já seus textos acadêmicos abordam principalmente questões educacionais, identitárias, culturais e linguísticas do povo Munduruku.

Na escola, durante a década de 1970, Munduruku é proibido de falar sua língua original e de praticar sua cultura, além de sofrer com o preconceito e a incompreensão por parte dos não indígenas. Com o término do ensino fundamental, Munduruku segue os estudos no seminário Salesiano, com o objetivo de se tornar padre, o que o aproxima da literatura.

Ao término do seminário, o escritor deixa de lado o projeto sacerdotal e se torna professor em Manaus. Em 1987, muda-se para Lorena, em São Paulo, onde inicia sua graduação em filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal).

Em 1992, ingressa no mestrado em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP), com pesquisa sobre o povo Munduruku no contexto cultural do Alto Tapajós. Durante a pesquisa, Munduruku retorna ao seu povo, volta a dar aulas e percebe que as histórias que conta aos educandos não estão escritas. Em 1996, interrompe sua pesquisa de mestrado e publica seu primeiro livro literário, Histórias de Índio.

Aproxima-se da militância indígena em 2000, quando participa da fundação do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual (Inbrapi), para atuar na defesa dos direitos autorais da produção de povos indígenas, dos conhecimentos tradicionais e no combate à biopirataria.

No ano seguinte, publica o livro Meu Vô Apolinário (2001), uma narrativa de formação em que o narrador-personagem se confunde com o autor. O primeiro capítulo do livro se chama "A Raiva de Ser Índio", que narra o bullying sofrido pelo escritor na escola. A construção de sua identidade e a valorização de sua história se dá nos encontros com seu avô, sábio curandeiro que compartilha com o neto os ensinamentos de seu povo. A superação do preconceito da autodepreciação se dá a partir da relação de amizade e respeito mútuo entre a criança e o velho.

Em 2006, Munduruku retorna à USP, desta vez na Educação. Por conta de sua experiência fora da academia, a banca de avaliação recomenda seu projeto para o doutorado direto. Sua tese de doutorado O Caráter Educativo do Movimento Indígena Brasileiro (1970-2000) é defendida em 2010.

Escrito em formato epistolar e com linguagem próxima da oralidade, o trabalho se dirige inicialmente aos “parentes indígenas”, apresentando um panorama histórico do Movimento Indígena Brasileiro em direção à autonomia e à construção de uma consciência histórica crítica em relação ao processo de colonização. A superação de uma visão eurocêntrica dessa história passa pela formação dos povos indígenas para o protagonismo na luta por seus direitos e pela afirmação da diversidade cultural e linguística desses povos, cada um com suas tradições e seus saberes ancestrais particulares.

Na literatura para adultos, publica Todas as Coisas São Pequenas, em 2008. Nesse romance, Carlos é um empresário de posses que sobrevive a um acidente de avião enquanto sobrevoa a Floresta Amazônica. Socorrido por um homem indígena chamado Aximã, Carlos adentra a cultura daquele povo, deparando-se a todo o tempo com seus próprios preconceitos diante de uma realidade desconhecida, em uma jornada de descoberta e de superação de desafios. O livro apresenta a polarização entre valores, práticas e visões de mundo de Carlos e Aximã, que têm seus destinos unidos pelo acidente.

Em 2010, Munduruku publica Karaíba: Uma História do Pré-Brasil. No romance, o protagonista é um jovem guerreiro indígena contemporâneo que precisa deixar seu povo para descobrir o significado profundo de uma profecia. O jovem, então, torna-se um mensageiro entre diferentes culturas.

Realiza o pós-doutorado em linguística na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2012 e, no ano seguinte, assume o cargo de diretor-presidente do Instituto UK’A – Casa dos Saberes Ancestrais, instituição sem fins lucrativos voltada para a promoção de ações culturais e educativas nas temáticas indígenas. Munduruku atua em palestras, cursos e aulas sobre legislação e cultura, além de organizar o Encontro Nacional de Escritores e Artistas Indígenas, que acontece no salão da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Reunindo dez narrativas de dez povos indígenas, publica em 2016 Vozes Ancestrais. Para a escrita desse livro, Munduruku convida representantes dos povos, recolhe suas histórias e as transcreve, observando elementos originais da linguagem oral e da sintaxe de cada povo.

Paralelamente à sua atividade profícua de escritor, Daniel Munduruku desenvolve uma militância político-pedagógica constante na formação de professores e líderes indígenas. Sua motivação para a escrita é um combate ao esquecimento da cultura indígena, uma forma de tradução dos saberes ancestrais de seu povo.

Obras 4

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Encontros 1

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Fontes de pesquisa 6

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