Artigo da seção pessoas Carlos de Brito e Mello

Carlos de Brito e Mello

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deCarlos de Brito e Mello: 1974 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Carlos de Brito e Mello (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1974). Escritor, professor universitário e psicanalista. Com originalidade e inovação, sua literatura explora a criação de situações fantásticas ou hiperbólicas com efeitos de estranhamento. A morte e a presença e materialidade dos corpos são questões abordadas nos contos que se desdobram com maior complexidade em seus romances.

Em 1996, conclui a faculdade de jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e, em 2004, o mestrado em Comunicação Social pela mesma instituição. Em 2007, completa o curso de formação psicanalítica e lança seu primeiro livro literário, a compilação de contos O Cadáver Ri dos Seus Despojos. Nessa trama, a morte aparece em diversas situações: o desaparecimento, a loucura, a perdição. A obra lhe confere o prêmio Governador de Minas Gerais na Literatura, pela categoria Jovem Escritor Mineiro. 

Em 2009, lança A Passagem Tensa dos Corpos. Seu primeiro romance confere um ritmo inusitado ao formato. Subdividido em 156 capítulos curtos, o desenrolar de longo fôlego da trajetória do protagonista se desdobra de modo veloz e fragmentado. O narrador-personagem percorre várias cidades para registrar as mortes ocorridas. Seu objetivo é se apropriar da materialidade dos corpos para construir seu próprio organismo.

 Essa presença oscilante de quem está na cena, mas não tem um corpo, problematiza o ponto de vista da narração. Por um lado, remete ao caráter incorpóreo dos narradores oniscientes ou da linguagem objetiva de alguns ramos da ciência ou do jornalismo. Por outro lado, não deixa de marcar a inscrição da subjetividade na elaboração dessa voz que participa dos eventos. Embora o tema da morte seja universal, em A Passagem Tensa dos Corpos, Carlos o desenvolve sem perder de vista a paisagem geográfica, cultural e simbólica de Minas Gerais. 

Em 2013, lança seu segundo romance, A Cidade, o Inquisidor e os Ordinários, desenvolvido com o apoio da bolsa Funarte de Criação Literária. O livro faz uma crítica aos costumes e à moral da sociedade, e tem como ponto de partida uma cidade imaginada. Sua paisagem se assemelha à de Belo Horizonte, mas o autor não se restringe a retratá-la de modo realista. Distancia-se do naturalismo ao trabalhar com personagens caricatos, marcados por preceitos morais rígidos. O tom cômico exacerba o ridículo e o nonsense da vida cotidiana. Para o crítico Alcir Pécora (1954), A Cidade, o Inquisidor e os Ordinários se aproxima do gênero da farsa como recurso para o andamento da narrativa “conduzido pelo caráter bufão e caricato de personagens e por situações bem circunscritas”1. O investimento poético e em diálogo com a teatralidade tem como referência a escrita do autor irlandês Samuel Beckett (1906-1989).

Em 2019, Carlos tem sua tese de doutorado contemplada com o Prêmio UFMG de Teses. Seu objeto de estudo foi o trabalho do artista visual Arthur Bispo do Rosário (1909-1989). Na poética de Bispo, Carlos verifica como a palavra é tomada como elemento fundamental para elaborar a si mesmo. Encanta-se, ainda, com a ênfase na materialidade da linguagem tornada visível em suas explorações plásticas com objetos e costuras. A construção de si com base em uma relação preponderante com a linguagem se relaciona com a ocupação paralela de Carlos, a psicanálise. 

Para Carlos, a experiência da psicanálise apresenta profunda conexão com a leitura e a escrita literária. Em ambos os campos, desenrola-se uma relação com a linguagem que confere à palavra um estatuto especial, em que a presença e a força do ato importam tanto quanto os conteúdos transmitidos. Para ele, tanto na psicanálise como na literatura, as elaborações verbais rondam as zonas do inominável, do impossível de ser dito e conhecido, que constituem os sujeitos e também os textos. Essa percepção fundamenta sua aposta na literatura como algo capaz de abalar o cotidiano e evitar o comodismo mental ao investigar as potencialidades da escrita. 

A sensação de indeterminação provocada pelos seus contos e romances convocam o leitor a uma ruptura em sua percepção da realidade. Essa interrupção, quando compartilhada, pode construir um campo fértil de renovação dos olhares e questionamentos sobre as formas de organização social.

 

Nota

1. PÉCORA, Alcir. Crítica: Autor Carlos de Brito e Mello faz retrato cômico da humanidade. Folha de São Paulo, 21 dez. 2013. Ilustrada. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/12/1388473-critica-autor-carlos-de-brito-e-mello-faz-bom-retrato-comico-da-humanidade.shtml.

Outras informações de Carlos de Brito e Mello:

  • Outros nomes
    • Carlos de Brito e Mello
  • Habilidades
    • Escritor
    • Professor universitário
    • psicanalista

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Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLOS de Brito e Mello. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa641329/carlos-de-brito-e-mello>. Acesso em: 11 de Mai. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7