Artigo da seção pessoas Miguel Faria Junior

Miguel Faria Junior

Artigo da seção pessoas
Cinema  
Data de nascimento deMiguel Faria Junior: 1944 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Miguel Faria Jr. (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1944). Diretor, produtor e roteirista. Realizador preocupado com a política cinematográfica brasileira, ocupa os cargos de presidente da Associação de Autores Cinematográficos no biênio 1992-1993 e de Secretário Nacional para o Desenvolvimento Audiovisual do Ministério da Cultura de 1994 a 1995.

O curta-metragem Arte-comunicação (1968) é sua obra de estreia no cinema. Faz, nesse formato, os documentários musicais Demônios da Garoa (1972) e Waldemar Henrique Canta Belém (1977). Seu primeiro longa é a fita policial Pedro Diabo Ama Rosa Meia-Noite, realizada em 1970, mesmo ano em que roda Pecado Mortal

A seguir, dirige Matei por Amor (1971), Um Homem Célebre (1974), Na Ponta da Faca (1977) e República dos Assassinos (1979). Neste período, atua como produtor no documentário Getúlio Vargas (1974), de Ana Carolina (1945). Também é produtor de Tensão no Rio (1980), de Gustavo Dahl (1938-2011); Mil e Uma (1994), de Suzana de Moraes (1940-2015), e Tieta do Agreste (1996), de Cacá Diegues (1940).

Inspirado na peça musical Pobre Menina Rica (1962), de Carlos Lyra (1939) e Vinícius de Moraes (1913-1980), faz o longa Para Viver um Grande Amor (1984). Começa os anos 1990 com Stelinha (1990), seu filme mais premiado. A película recebe os prêmios de melhor filme, diretor, roteiro, atriz, música original, som, ator e atriz coadjuvante, figurino e edição de som no Festival de Gramado.

Em 2001, dirige O Xangô de Baker Street, baseado na obra homônima de Jô Soares (1938). Vinícius (2005), seu último filme, é o primeiro documentário de longa-metragem.

Pedro Diabo ama Rosa Meia-Noite, uma prostituta violentada e morta por um doente mental. Após a morte do pai, Pedro mata um delegado e é procurado pela polícia. Segundo a crítica de cinema Ida Laura (1928-2008), uma das qualidades da fita é elaborar uma narrativa em flashbacks que reúne “episódios dispersos em torno de acontecimentos centrais e dando um todo inteligível”1.

Pecado Mortal remete a Teorema (1968), obra do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). Narra a história de uma família burguesa que tem o vazio de sua vida abalada pelo aparecimento de um rapaz. Este, por meio do sexo, transforma os personagens.

Matei por Amor segue a linha melodramática do primeiro trabalho. Nele, vemos a decadência de uma família burguesa: o irmão casa-se com uma amiga da irmã, provocando o ciúme desta que, posteriormente, cortará os pulsos; a mãe abandona a casa e o pai humilha-se diante da amante. Um homem Célebre, conta a história de um compositor que perde a única mulher que amou na vida.

A narrativa de Na Ponta da Faca desenvolve-se na Baixada Fluminense. Apresenta a cultura popular da região, caracterizada pela presença de migrantes nordestinos. Um deles é o protagonista, que se vê envolvido com pessoas desonestas que controlam o boxe. Neste filme, Faria Jr. aproxima-se de Nelson Pereira dos Santos (1928), que vai à mesma região para rodar O Amuleto de Ogum (1974), voltado para as expressões religiosas das camadas populares.

República dos Assassinos, inspirado na obra homônima de Agnaldo Silva (1943), retrata um grupo de policiais que age como esquadrão da morte, envolvendo extorsão, tráfico de drogas e outros crimes.

Stelinha trata da ascensão e queda de uma estrela do rádio dos anos 1950. Com a decadência, mistura depressão e álcool. Segundo Arnaldo Jabor (1940), o retrato da cantora abandonada é metáfora da melhor música brasileira sem espaço no rádio2.

Xangô de Baker Street vê-se às voltas com a situação criada por Jô Soares, em que o personagem do escritor britânico Arthur Conan Doyle (1859-1930) é transportado para o Brasil do final do século XIX. O jornalista Luiz Carlos Merten (1945) observa que no texto de Soares há o debate da relação entre colonizado e colonizador. Já Farias lança seu olhar sobre o tema contemporâneo da globalização3. Segundo Mário Sergio Conti (1954), a qualidade da fita está na reconstituição de época4.

Se Miguel Faria Jr. volta sua atenção para o universo de Vinicius de Moraes com Pobre Menina Rica, o documentário de 2005 toma a vida do poeta como centro da narrativa. Vinícius é um retrato “sensível da complexa personalidade desse diplomata e poeta de formação erudita, que mudou radicalmente de vida ao se envolver com a música popular”5

Notas

1. IDA, Laura. Um decalque de ‘Teorema’. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 01 nov. 1970. Geral, p. 16.

2. JABOR, Arnaldo. ‘Stelinha’ transgride através da delicadeza e da sobriedade. Folha de S.Paulo, São Paulo, 10 set. 1991. Ilustrada, p. 5.

3. MERTEN, Luiz Carlos. O ex-genro, feliz com seu ‘Vinícius’. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 nov. 2005. Caderno 2, p. D-3.

4. CONTI, Mario Sergio. Faltou mais Jô Soares no filme. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 out. 2001. Ilustrada, p. E-2.

5. CALADO, Carlos. Compositor emociona em registro íntimo. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 nov. 2005. Ilustrada, p. E-5.

Outras informações de Miguel Faria Junior:

  • Habilidades
    • Diretor de cinema
    • Produtor
    • Roteirista

Fontes de pesquisa (13)

  • CALADO, Carlos. Compositor emociona em registro íntimo. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 nov. 2005. Ilustrada, p. E-5.
  • CAMBARÁ, Isa. Uma ‘República’ distante da utopia. Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 nov. 1979. Ilustrada, p. 19.
  • CONTI, Mario Sergio. Faltou mais Jô Soares no filme. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 out. 2001. Ilustrada, p. E-2.
  • FASSONI, Orlando L. Em busca de uma linguagem popular. Folha de S.Paulo, São Paulo, 11 mar. 1977. Ilustrada, p. 35.
  • IDA, Laura. Um decalque de ‘Teorema’. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 01 nov. 1970. Geral, p. 16.
  • JABOR, Arnaldo. ‘Stelinha’ transgride através da delicadeza e da sobriedade. Folha de S.Paulo, São Paulo, 10 set. 1991. Ilustrada, p. 3.
  • MERTEN, Luiz Carlos. Caipirinha e candomblé como Sherlock gosta. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 26 out. 2001. Caderno 2, p. D-3.
  • MERTEN, Luiz Carlos. O ex-genro, feliz com seu ‘Vinícius’. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 nov. 2005. Caderno 2, p. D-2.
  • MERTEN, Luiz Carlos. ‘Xangô’ chega para agradar ao grande público. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 26 out. 2001. Caderno 2, p. D-3.
  • ORICCHIO, Luiz Zanin. Um poeta que passou a vida tentando aprisionar a beleza. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 11 nov. 2005. Caderno 2, p. D-2.
  • RODRIGUES, Lúcia Valentim. Sherlock vem da praia. Folha de S.Paulo, São Paulo, 26 out. 2001. Ilustrada, p. E-1.
  • SANCHES, Ligia. Silvia Bandeira, uma moça rica no crime. Folha de S.Paulo, São Paulo, 12 nov. 1979. Ilustrada, p. 19.
  • VARTUCK, Pola. Apenas um policial bem feito. E um bom travesti. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 20 nov. 1979. Geral, p. 22.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MIGUEL Faria Junior. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640917/miguel-faria-junior>. Acesso em: 12 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7