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Dança

Luiz Mendonça

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.07.2020
1952 Brasil / São Paulo / Santos
Luiz Mendonça (Santos, São Paulo, 1952). Dançarino, coreógrafo e professor. Gradua-se em Educação Física, em Santos, em 1974. Transfere-se para o Rio de Janeiro para ensinar natação no Clube de Regatas do Flamengo. Um ano depois, inicia seus estudos de dança com o bailarino e coreógrafo tcheco Zdenek Hample, ex-integrante da companhia tcheca Lan...

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Luiz Mendonça (Santos, São Paulo, 1952). Dançarino, coreógrafo e professor. Gradua-se em Educação Física, em Santos, em 1974. Transfere-se para o Rio de Janeiro para ensinar natação no Clube de Regatas do Flamengo. Um ano depois, inicia seus estudos de dança com o bailarino e coreógrafo tcheco Zdenek Hample, ex-integrante da companhia tcheca Lanterna Mágica. No período de 1975 a 1978, estuda e atua com o coreógrafo em trabalhos para o programa Fantástico, da TV Globo. 

Instala-se na França durante um ano para realizar audições em grupos europeus. Ao retornar ao país, aceita o convite para ministrar aulas em Brasília, em 1979, em uma escola de modelos. O curso temporário transforma-se em residência na cidade, e a produção inicial de seus espetáculos dirige-se para a formação de um núcleo de dança na Universidade de Brasília (UnB). Em 1980, o empreendimento desdobra-se na fundação do EnDança, com Márcia Duarte. Essa iniciativa pioneira na capital federal busca profissionalizar a atividade e inaugura uma linguagem para a dança singular. No início, o grupo chega a reunir 12 integrantes e, no decorrer de sua profissionalização, estabiliza-se com cinco bailarinos.

No ano seguinte, Luiz Mendonça participa da abertura do Curso de Teatro da UnB e passa a lecionar na universidade. Durante o período em que ocupa a direção artística do EnDança (1980-1995), empreende a produção e a coautoria de 11 trabalhos com Cristina Moura, Giselle Rodrigues e Márcia Duarte. A trajetória do grupo constitui grande parte de sua trajetória artística.  

Com a trupe, apresenta-se em países da América Latina e da Europa. O prêmio Concorrência Fiat 89 ajuda na manutenção do grupo, e o patrocínio da Shell (1992-1994) possibilita a continuidade de novos projetos.

Com o encerramento das atividades do EnDança, em 1996, Mendonça transfere-se para o curso de Produção em Artes, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, Rio de Janeiro. O único dos trabalhos assinado por ele no EnDança é Triálogo (1992), que ganha nova montagem carioca em 2002, por iniciativa da dançarina Andréa Jabor (1969). 

Atualmente, o coreógrafo participa de diversos projetos de extensão e de divulgação da dança entre a universidade e as escolas públicas.

O processo de profissionalização, conduzido e liderado por Luiz Mendonça, com a  modernização dos procedimentos da dança no centro-oeste brasileiro, tem como resultado o pioneiro EnDança. Depois de abandonar o esporte e conhecer Zdenek Hample, Luiz Mendonça implementa em Brasília uma nova faceta na dança brasileira. Toma como base o núcleo que forma na Universidade de Brasília (UnB) com Cristina Moura, Giselle Rodrigues e Márcia Duarte. O grupo combina em seus espetáculos, técnicas de projeção cinematográfica com a dança, a música, as artes circenses, o canto e o teatro. Como declara Mendonça: “Sua lógica científica e seu entendimento filosófico da arte o remeteu a um terreno insólito, abriu caminho para muitos. Para mim, foi o principal e mágico impulso”1.

O repertório do EnDança é criado com a participação desse núcleo, sob coordenação de Luiz Mendonça. Ele é construído a partir de estímulos musicais para que o dançarino vivencie experiências sensoriais e delas surjam os temas específicos para criação de coreografias do EnDança. Mendonça ressalta o modo do processo de criação das coreografias do grupo: “É preciso que o bailarino viva, de fato, experiências sensoriais. É na reação a estes estímulos que eu me inspiro para criar o movimento”2.

Essa estrutura adotada pelo EnDança salta aos olhos da crítica de dança Jennifer Dunning (1942), do New York Times, que comenta a passagem do grupo pela cidade norte-americana: “É surpreendente quando uma soberba companhia estrangeira vem a Nova York sem divulgação, para apenas duas apresentações, e se revela um pequeno milagre de paixão, sabor e imaginação”3. Ressalta ainda a particularidade coreográfica de Estranhos Hábitos, com torções concentradas no tronco, pequenas corridas, saltos e abraços suaves. Em especial, na cena “Ruídos”, que Mendonça assina e interpreta: “Sr. Mendonça move um pequeno feixe de algodão vermelho em torno de seu rosto, como se explorasse e saboreasse a beleza da terra; em seguida, prende-o sobre a cabeça e o comprime até descer dele um pequeno filete de água"4.

Triálogo é o único dos trabalhos em que Luiz Mendonça assume a total autoria. Neste espetáculo, o coreógrafo parece revelar “uma verve chapliliana” e “mostra que também sabe trabalhar com elementos dramáticos”5. Mas é com Animater, no qual assina uma das cenas, que se observa a culminância dos procedimentos e da singular organização temática. Ana Francisca Ponzio assinala: “o EnDança demonstra que ganhou fôlego e segurança para elaborar melhor suas ideias e seu desempenho”6. E continua: “Em Animater, o grupo evolui de um repertório de pelas curtas para um espetáculo de maior diversidade. Articulando diferentes temas sem perder a unidade”7.

A articulação das cenas que compõe cada um dos trabalhos do EnDança tem a costura de Luiz Mendonça. Quando se observa os produtos dela, pode-se entender o pioneirismo de seu trabalho, implementado fora do circuito centralizado no sudeste.

Notas

1. GIANNINI, Silvio. Saltos no planalto. Veja, São Paulo, 18 dez. 1991, p 112-13.

2. MENDONÇA, Luiz. Entrevista [cedida a] Marcos Bragato, set. 2013.

3. DUNNING, Jennifer. New York Times, Nova York, 28 out. 1991. Disponível em: http://www.nytimes.com/1991/10/28/arts/dance-in-review-119591.html. Acesso em: 12 set. 2013.

4. Ibid.

5. PONZIO, Ana Francisca. Um festival de diversidades. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 jul. 1992, Caderno 2, p. 2.

6. PONZIO, Ana Francisca. EnDança ganha fôlego pra evoluir. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 27 maio 1993, Caderno 2, p. 2.

7. Ibid.

Fontes de pesquisa 9

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  • DUNNING, Jennifer. New York Times, Nova York, 28 out. 1991. Disponível em: http://www.nytimes.com/1991/10/28/arts/dance-in-review-119591.html. Acesso em: 12 set. 2013
  • GIANNINI, Silvio. Saltos no planalto. Veja, São Paulo, 18 dez. 1991. p 112-13.
  • KATZ, Helena. Além das velhas capitais. BalletTanz – Movimentos, 31 jan. 1996, p. XI.
  • MARINO, Alexandre. EnDança mostra que tem originalidade. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 13 dez. 1991. Caderno 2, p. 46.
  • MENDONÇA, Luiz. Entrevista [cedida a] Marcos Bragato. set. 2013.
  • PONZIO, Ana Francisca. EnDança estreia Animater no Teatro Sérgio Cardoso. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 21 maio 1993. Caderno 2, p. 2.
  • PONZIO, Ana Francisca. EnDança ganha fôlego pra evoluir. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 27 maio 1993. Caderno 2, p. 2.
  • PONZIO, Ana Francisca. O sucesso internacional do endança. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 8 mar. 1992. Caderno 2, p. 2.
  • PONZIO, Ana Francisca. Um festival de diversidades. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 jul. 1992. Caderno 2, p. 2.

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