Artigo da seção pessoas Pinduca

Pinduca

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento dePinduca: 04-06-1937 Local de nascimento: (Brasil / Pará / Igarapé-Miri)

Aurino Quirino Gonçalves (Igarapé-Miri, Pará, 1937). Compositor, cantor e instrumentista. Conhecido como “rei do carimbó”, Pinduca é responsável por modernizar o ritmo paraense nos anos 1970, acrescentando-lhe instrumentos elétricos e bateria. Suas ações aproximam o público jovem do carimbó e expandem a popularidade do ritmo para além do estado do Pará. O compositor também é reconhecido por gravar a primeira música do gênero lambada, em 1976.

Filho do professor de música José Plácido Gonçalves, aprende a tocar percussão e bateria em casa, ainda criança. Aos 14 anos, muda-se para Belém para tocar pandeiro como músico profissional. Frequenta o Glória Café, ponto de encontro de músicos da cidade, e seu talento chama a atenção dos colegas. Integra a banda de Orlando Pereira, importante mestre e compositor de carimbó, como baterista. Ao longo dos anos 1960 e 1970, toca em outras bandas de baile e desenvolve intimidade não só com os ritmos paraenses (como o carimbó e o siriá) mas também com ritmos latinos como cumbia, mambo e merengue. Paralelamente à carreira de músico, trabalha como policial militar, profissão pela qual se aposenta.

Uma de suas inspirações é Luiz Gonzaga (1912-1989). Pinduca acredita que, assim como o pernambucano faz com o baião, ele pode tornar o carimbó um sucesso nacional, viajando e participando de programas de entretenimento na televisão. Em 1973, recebe um convite da gravadora Beverly para lançar seu próprio disco, Carimbó e Sirimbó do Pinduca. Até então, o carimbó se baseia em instrumentos acústicos, principalmente o tambor chamado de “curimbó”, que tem pele de onça e é tocado com ele deitado, com o músico sentado sobre ele e com as pernas envolvendo suas laterais. Pinduca decide modernizar o ritmo e adiciona a ele instrumentos elétricos (guitarra, baixo e teclado) e bateria. Essa mudança aproxima o carimbó do público jovem, e o álbum faz grande sucesso no Norte e Nordeste do Brasil, com 15 mil cópias vendidas, número considerado alto na época para um trabalho que não se identifica com a MPB, que domina o mercado fonográfico do período.

A modernização proposta por Pinduca se inspira em sua experiência nas bandas de baile. Por influência da jovem guarda, os instrumentos elétricos já são populares nas orquestras do Pará. Já o grande naipe de metais é influência da música caribenha. Na época, as estações de rádio paraenses sintonizam emissoras da América Central, e os ritmos dos países da região são absorvidos pelas bandas do Pará. Pinduca recebe críticas por deturpar as raízes originais do carimbó, principalmente dos mestres veteranos apegados ao formato acústico. Sua música, com o tempo, é identificada como carimbó elétrico.

No LP seguinte, Carimbó e Sirimbó no Embalo do Pinduca Vol. 2 (1974), Pinduca grava um dos seus maiores sucessos, “Sinhá Pureza”. A música é uma das mais conhecidas de todo o carimbó, sobretudo fora do estado do Pará. Seu refrão é conhecido por boa parte do público: “olelê, olalâ / misturei carimbó e siriá / carimbó e sirimbó é gostoso / é gostoso e ainda vem do Pará”. É muito comum a música ser incluída no repertório de outros artistas paraenses quando se apresentam em outros estados do Brasil. “Sinhá Pureza” é uma espécie de canção símbolo do carimbó e do estado do Pará.

Pinduca é também o primeiro músico a gravar um subgênero do carimbó, a lambada. Em seu quinto disco, No Embalo do Carimbó e Sirimbó Vol. 5 (1976), a música “Lambada” torna-se o primeiro registro fonográfico do gênero. Musicalmente, trata-se de um tema instrumental com a guitarra em primeiro plano e células rítmicas que misturam elementos do Pará (dos gêneros carimbó e siriá) com as referências latinas da cumbia colombiana e do merengue dominicano. Em 1978, o Mestre Vieira (1934-2018) lança um álbum chamado Lambada das Quebradas, que é importante para a difusão da lambada como gênero musical que se desenvolve com base nas invenções de Pinduca. Nos anos 1980, uma nova onda de lambada surge na Bahia, por intermédio de artistas como Gerônimo (1953) e Luiz Caldas (1963). A ênfase da lambada baiana, porém, é na percussão.

A lambada é uma das invenções de Pinduca que dá certo. Ao longo da carreira, no entanto, ele investe na criação de ritmos que não têm o mesmo êxito. Nos primeiros dez discos lançados, ele usa o termo “sirimbó” para batizar um gênero que ele tenta emplacar, com uma mistura dos elementos dos ritmos paraenses siriá e carimbó. Essa terminologia, no entanto, não evolui para além da discografia do próprio autor.

Pinduca grava intensamente até o fim dos anos 1980. Nos anos 1990, lança apenas dois discos. Nos anos 2000, uma nova onda de carimbó explode no Brasil com o sucesso de artistas paraenses como Gaby Amarantos (1978) e Dona Onete (1939), e a carreira musical de Pinduca ganha novo fôlego. Em 2017, lança o disco No Embalo do Pinduca, produzido por Manoel Cordeiro (1955).

Manifestada pelas composições e interpretações de Pinduca ou de outros artistas, a repercussão do carimbó se deve, de qualquer modo, ao trabalho do músico paraense. Sua determinação em modernizar o ritmo e divulgá-lo torna-se um ponto incontornável na história da música do Pará e do país.

Outras informações de Pinduca:

  • Outros nomes
    • Aurino Quirino Gonçalves
  • Habilidades
    • Compositor
    • Cantor/Intérprete
    • Instrumentista

Fontes de pesquisa (5)

  • CORDEIRO, Felipe. Felipe Cordeiro. [Entrevista cedida a] Ramiro Zwetsch. [s.l.],  maio 2020.
  • GABBAY, Marcello M. Representações sobre o carimbó: tradição x modernidade. In: IX CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORTE. 2010, Rio de Janeiro. Artigo. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2010. 15 p.
  • PAU & Corda: histórias do carimbó. Direção: Robson Fonseca. Pará: Independente, 2012. (51 min.), son., color.
  • ROSA, Fernando. Ondas tropicais: a invenção da lambada e do beiradão na Amazônia moderna. São Paulo: Senhor F Livros, 2019.
  • TELES, José. Pinduca, o eterno Rei do carimbó, faz a festa em Olinda. Jornal do Comércio, [s.l.], 16 mai. 2018. Disponível em: https://jc.ne10.uol.com.br/canal/cultura/musica/noticia/2018/05/16/pinduca-o-eterno-rei-do-carimbo-faz--a-festa-em-olinda-339436.php. Acesso em: 18 maio 2020

Como citar?

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  • PINDUCA . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640890/pinduca>. Acesso em: 17 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7