Artigo da seção pessoas Sandra de Sá

Sandra de Sá

Artigo da seção pessoas
 
Data de nascimento deSandra de Sá: 1955 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Sandra Cristina Frederico de Sá (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1955). Cantora, compositora, atriz.  Sua iniciação musical é autodidata, no violão, e compõe as próprias músicas na adolescência, incentivada pelo pai, baterista. No fim da década de 1960, frequenta os bailes de soul music promovidos pelo Movimento Black Rio e ganha prêmios como dançarina. Participa também da escola de samba Caprichosos de Pilares.

Em 1978, uma composição sua, “Morenando”, integra o álbum Metades, de Leci Brandão (1944). Em 1980, chega às finais do festival MPB 80 com a música “Demônio Colorido”, que alcança repercussão nacional. A canção dá nome ao primeiro disco, lançado no mesmo ano.

Em 1983, Sandra de Sá lança o álbum Vale Tudo com participação especial de Tim Maia (1942-1998) na faixa-título. Em 1984, a canção “Enredo do Meu Samba” [Dona Ivone Lara (1922-2018), Jorge Aragão (1949)] é tema de abertura da novela Partido Alto (1984), TV Globo, alcançando sucesso. Dez anos depois, “Picadinho de Macho” [Tavito (1948), Aldir Blanc (1946)] também vira tema do folhetim, Quatro por Quatro (1994) da mesma emissora.

O álbum Sandra Sá (1986), tem várias canções com repercussão nacional, como “Retratos e Canções”, “Joga Fora” [ambas de Michael Sullivan (1950) e Paulo Massadas] e “Solidão” [Chico Roque (1953), Carlos Colla (1944)]. No ano seguinte, leva o Troféu Imprensa1 pela música “Solidão”. Esse disco representa um marco na carreira de Sandra de Sá, quando se aproxima das canções de apelo popular, registrando sambas e baladas românticas que passam a ter maior difusão nas rádios de todo o país.

No disco de 1988, adota o nome Sandra de Sá e emplaca um de seus maiores sucessos, “Bye Bye Tristeza” [Marcos Valle (1943), Carlos Colla]. Em 1990, sob produção de Nelson Motta (1944), lança Sandra!, álbum com participações especiais de Djavan (1949), Marina Lima (1955) e Olodum e canções de Jorge Ben Jor (1942), Cassiano (1943), Cazuza (1958-1990), Frejat (1962), além de duas versões de músicas estrangeiras, feitas por Nelson Motta.

Nos anos 1990, a cantora cria a sigla MPB com outro significado: Música Preta Brasileira. O epíteto orienta seu trabalho durante toda a trajetória e batiza o disco de 2003, gravado ao vivo no Espaço Universal UP (Rio de Janeiro) com as participações de Alcione (1947), Toni Garrido (1967) e Gabriel o Pensador (1974). No álbum, registra clássicos de sua trajetória e da música black pop norte-americana em versões nacionais.

Sandra de Sá possui voz grave e suas interpretações são marcadas pelo suingue e controle vocal. Sua estética musical apoia-se na cultura negra norte-americana e brasileira, o que a torna uma das principais representantes femininas do soul brasileiro.

Sandra lança os três primeiros discos da carreira pela RGE, quando se aproxima de Cazuza que, à época, trabalha como divulgador na gravadora. O primeiro disco tem arranjos de Oberdan Magalhães (1945), saxofonista e multi-instrumentista criador da banda Black Rio e que, nos anos 1960, integra a banda Abolição, marco da entrada do soul e funk norte-americanos no Brasil. O movimento black é uma das bandeiras e referências da cantora.

A canção “Olhos Coloridos” [Macau (1952)], abre seu segundo disco, Sandra Sá (1982) e torna-se um hino do orgulho da negritude e da aceitação dos cabelos encaracolados no Brasil. A canção foi composta no calor da revolta depois de Macau ter sido preso por ser alvo de preconceito racial na cidade do Rio de Janeiro.

O disco Sandra Sá, de 1984,  marca a saída de Sandra de Sá da gravadora RGE rumo à Som Livre. Com produção de Guto Graça Mello (1948), o álbum reflete a busca pelo pop, reunindo composições de hitmakers como Nelson Motta, Lulu Santos (1953), Guilherme Arantes (1953) e uma “parceria” com a cantora estadunidense Billie Holiday (1915-1959) em “I’m a Fool To Want You”. Nela, Sandra de Sá coloca sua voz sobre a gravação de Holiday. Essa identificação com a música norte-americana fica mais evidente e melhor representada no disco Pare, Olhe, Escute: Sandra de Sá Traduz os Sucessos da Motown (2002), com versões de Nelson Motta, Thedy Corrêa (1963), Adriana Milagres, para músicas de artistas como Marvin Gaye (1939-1984), Stevie Wonder (1950), Smokey Robinson (1940). 

O músico Lincoln Olivetti (1954-2015) é o arranjador responsável pela sonoridade dançante com a utilização de sintetizadores e pelo groove, presentes em alguns de seus discos, entre eles, Sandra Sá (1984) e Sandra de Sá (1988). 

A cantora é uma das intérpretes com maior número de participações em trilhas sonoras de novelas brasileiras, pelo menos 17, no decorrer dos anos.

Na década de 1990, Sandra de Sá mantém sua visibilidade com menor fôlego. Quando ingressa na gravadora WEA, em 1996, consegue emplacar um disco de grande vendagem. A Lua Sabe Quem Eu Sou chega às 400 mil cópias. Em 1998, meses após a morte de Tim Maia, Sandra lança o tributo Eu Sempre Fui Sincero, Você Sabe Muito Bem, com produção e arranjos dos músicos norte-americanos Tim Pierce (1959) e o Jerry Hayes (do grupo Earth, Wind and Fire). No repertório, clássicos como “Azul da Cor do Mar” e “Sossego” e encerra com a paixão que unia os dois intérpretes, a canção “Flamengo”.

A cantora também atua em seriados televisivos. Tem destaque a participação na série Antônia (2006), produzida por Fernando Meirelles (1955) contando a história de rappers da periferia de São Paulo.

Nota

1. Troféu Imprensa é uma premiação criada em 1958 pelo jornalista Plácido Manaia Nunes (1934-2007), junto ao Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Inicialmente, os premiados eram escolhidos por votação entre os profissionais da área e os vencedores, anunciados pelos principais jornais. Em 1970, Plácido Manaia Nunes passa os direitos ao apresentador Silvio Santos (1930), que reformula o prêmio e inclui a estatueta e a cerimônia de entrega do troféu aos destaques da televisão brasileira.

Fontes de pesquisa (5)

  • INSTITUTO Cravo Albin. Sandra de Sá. In: DICIONÁRIO Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro. Disponível em: http://dicionariompb.com.br/sandra-de-sa Acesso em: 18 nov. 2016
  • INSTITUTO Memória Musical Brasileira. Disponível em: http://www.memoriamusical.com.br. Acesso em: 18 nov. 2016
  • NACKED, Rafaela Capelossa. Identidades em diáspora: o movimento black no Brasil. Desenredos, Piauí, ano 4, n. 12, 2012. Disponível em: http://desenredos.dominiotemporario.com/doc/12-artigo-Rafaela-BlackMusic.pdf. Acesso em: 18 nov. 2016
  • OLIVEIRA, Luciana Xavier de. O circuito cultural da Black Rio: Políticas de estilo, consumo e identidade negra. São Paulo, 2014. Disponível em: http://www.espm.br/download/Anais_Comunicon_2014/gts/gt_nove/GT09_Luciana_Xavier.pdf.   Acesso em: 19 nov. 2016
  • SANDRA DE SÁ. Site oficial da artista. Disponível em: http://sandradesa.com.br/. Acesso em: 18 nov. 2016

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • SANDRA de Sá. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640726/sandra-de-sa>. Acesso em: 08 de Ago. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7