Artigo da seção pessoas Camila Márdila

Camila Márdila

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deCamila Márdila: 1988 Local de nascimento: (Brasil / Distrito Federal / Taguatinga)
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Registro fotográfico Marcus Leoni

Camila Márdila dos Remédios Evangelista (Taguatinga, Distrito Federal, 1988). Atriz. Com experiência no teatro, no cinema e na televisão, é reconhecida, sobretudo, por sua atuação premiada no filme Que Horas Ela Volta? (2015), de Anna Muylaert (1964).

Seu interesse pelas artes cênicas surge quando tem cerca de dez anos. Com o apoio da mãe, começa a desenvolver a carreira na adolescência, por meio do estudo e da prática artística. Por viver, nessa época, em uma cidade-satélite, distante do núcleo de Brasília, precisa se esforçar para ir ao centro e realizar os cursos necessários à sua formação, conciliando-os com a escola regular.

De 2006 a 2011, estuda comunicação social na Universidade de Brasília (UnB). Durante o curso, realiza a pesquisa O lapso em Beckett e Cortázar como processo de pensamento do sujeito dialógico bakhtiniano. A principal ideia defendida na pesquisa é a de que o trabalho do ator necessariamente envolve trocas e interações diversas, dentro e fora da cena.

Camila participa, em 2011, do Núcleo de Pesquisa Resta Pouco a Dizer, criado pelos diretores teatrais Adriano Guimarães e Fernando Guimarães. Nesse ano, o grupo realiza uma ocupação Funarte, com o tema Teatro Visual – o que ainda não tínhamos visto?, em que promove diálogos, palestras, performances e oficinas. Também em 2011, Camila participa do intercâmbio Rumos Itaú Cultural Teatro, com a Cia. Teatro Autônomo, de Jefferson Miranda (1961). Na ocasião, torna-se responsável pela redação do material produzido durante o processo.

Para Camila, o caráter dialógico da atuação inclui, mas não se restringe à interação direta com o público. Os diversos elementos que integram a cena, como fundo, luz, texto e vozes têm a mesma relevância que a presença do ator. Essa visão sobre a produção artística é colocada em prática por ela no grupo Áreas Coletivo (Rio de Janeiro), do qual passa a fazer parte em 2012. O coletivo é formado pelas atrizes Liliane Rovaris, Maria Sílvia Siqueira Camposa e Miwa Yanagizawa (1965).

A pesquisa acadêmica da atriz dá origem à oficina Estudo para o Ator, produzida e ministrada por ela, em parceria com Miwa Yanagizawa. Fundamentando-se em exercícios de observação, improvisação e conversas, a oficina propõe aos atores ampliar sua compreensão do pensamento estético e ético das artes cênicas, ao conceber o trabalho em cena como uma prática fundamentalmente dialógica, caracterizada pelas relações com o outro.

Em 2015, a atriz ganha notoriedade por interpretar a personagem Jéssica Ferreira no filme Que Horas Ela Volta?. Jéssica é filha da empregada doméstica Val [Regina Casé (1954)]. Destemida, questiona as estruturas de poder e ultrapassa a área da casa reservada aos empregados: ocupa o quarto dos hóspedes, serve-se do sorvete de Fabinho [Michel Joelsas (1995)], filho dos patrões Bárbara [Karine Teles (1978)] e Carlos [Lourenço Mutarelli (1964)], e usa a piscina, provocando a ira da patroa. Essa nova moradora traz à tona diferenças sociais veladas existentes na casa. O filme estreia em 2015 no Festival de Sundance (Estados Unidos), e Camila Márdila ganha, com Regina Casé, o prêmio de melhor atriz.

Com o intuito de fazer das artes cênicas um lugar de encontro entre corpos e artefatos, atores e público, Camila Márdila desenvolve sua carreira investindo na pesquisa e na prática do dialogismo teatral, em diferentes meios de atuação.

Outras informações de Camila Márdila:

  • Outros nomes
    • Camila Márdila dos Remédios Evangelista
  • Habilidades
    • Atriz

Midias (1)

Camila Márdila – Série Cada Voz (2020)
Camila Márdila conta sobre o início de sua carreira, o interesse genuíno pela profissão de atriz, a rotina corrida com a realização de cursos de atuação desde a infância e a surpresa dos pais – apesar do apoio incondicional – com sua dedicação e determinação.

Ela também traz uma reflexão sobre o espaço ocupado pela mulher no mundo e dentro de seu meio, recordando seu discurso durante a premiação no Festival de Sundance. Na perspectiva da atuação, ela explica seu trabalho como uma ferramenta capaz de construir pontes ao oferecer para o público histórias que pertencem ao mundo.

ITAÚ CULTURAL

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Assistência e montagem: Renata Willig
Assistência de fotografia: Martha Salomão

Fontes de pesquisa (3)

  • AREAS Coletivo. Site oficial. Sobre o Areas. Disponível em: https://www.areascoletivodearte.com/sobre-o-areas. Acesso em: 03 fev. 2020
  • CIA de teatro autônomo irmãos guimarães. Em busca de um lugar para se aquecer a alma; mas que não para. Disponível: https://ciateatroautonomoirmaosguimaraes.wordpress.com/2011/01/. Acesso em: 03 fev. 2020
  • MÁRDILA, Camila. Currículo do sistema Currículo Lattes. 01 jun. 2014. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/8324739692052884. Acesso em: 03 fev. 2020

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CAMILA Márdila. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640302/camila-mardila>. Acesso em: 09 de Abr. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7