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Literatura

Flávio Moreira da Costa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.02.2020
01.1942 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
23.03.2019 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Flávio Moreira da Costa (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1942 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019). Antologista, contista, poeta, editor, crítico, jornalista, tradutor, biógrafo, roteirista, diretor de cinema. Criado em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul.

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Flávio Moreira da Costa (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1942 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019). Antologista, contista, poeta, editor, crítico, jornalista, tradutor, biógrafo, roteirista, diretor de cinema. Criado em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul.

Inicia o percurso literário na adolescência, escrevendo poemas e artigos para jornais e revistas de Porto Alegre. Findos os primeiros estudos, muda-se para o Rio de Janeiro e ingressa nos cursos de direito e filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas não conclui as graduações. Na cidade, aproxima-se do grupo de realizadores do cinema novo, dentre eles o cineasta baiano Glauber Rocha (1939-1981).

Após o golpe militar de 1964, envolvido com as lutas estudantis, é preso pela ditadura. Graças a uma bolsa concedida pelo governo francês, deixa o Brasil para estudar cinema na França. Aluno do Musée de l’Homme, assiste às aulas do cineasta Jean Rouch (1917-2004), do semiólogo Roland Barthes (1915-1980) e do filósofo Lucien Goldmann (1913-1970), enquanto esboça seus primeiros romances.

De volta ao Rio de Janeiro, edita, em 1970, a Antologia de Contos Gaúchos, inaugurando uma longa carreira como organizador de antologias. Estreia na ficção com o romance O Desastronauta (1971). Bolsista da Fundação Fullbright, viaja em 1973 para os Estados Unidos, onde participa do International Writing Program (The University of Iowa). É colaborador da revista Escrita (1975-1988), publica o romance As Armas e os Barões (1975) e o livro de contos Os Espectadores (1976). Em 1978, conquista o primeiro lugar no Concurso de Contos do Paraná com “Malvadeza Durão”, texto que dá nome à coletânea homônima lançada em 1982. Ainda na década de 1980, lança o policial Os Mortos Estão Vivos (1984). Entre as décadas de 1980 e 2000, organiza mais de vinte antologias literárias, quase todas dedicadas ao conto. Também ministra uma oficina de criação literária.

Com o romance O Equilibrista do Arame Farpado (1997), conquista o Prêmio Jabuti e o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Em 2000, lança a biografia Nelson Cavaquinho, resultado de sua convivência com o grande compositor carioca. 

Análise

Momento de legitimação da pluralidade, as décadas de 1960 e 1970 são palco de diversas experiências artísticas. Tropicalismo, literatura engajada, romance-reportagem e poesia marginal são algumas das manifestações características de uma década em que, a despeito da censura e da amargura política, a literatura brasileira é tomada por um impulso criativo. Desmonte de convenções, desarticulação narrativa, mistura de gêneros, coloquialismo, violência discursiva e temática são ponto de partida para o trabalho de escritores como Ignácio de Loyola Brandão (1936), Roberto Drummond (1933-2002), Rubem Fonseca (1925) e João Antonio (1937-1996).

A ficção de Flávio Moreira da Costa atravessa territórios semelhantes, aproximando-se daquilo que Antonio Candido, em ensaio sobre a literatura brasileira dos anos 1960 e 1970, define como “realismo feroz” – espécie de “reinvenção” da técnica realista tradicional, pela qual se constrói uma “prosa aderente a todos os níveis de realidade, graças ao fluxo do monólogo, à gíria, à abolição das diferenças entre falado e escrito”.1

Essas características podem ser encontradas na obra inicial de Flávio Moreira da Costa, sobretudo nos contos de Malvadeza Durão (1982). Histórias como “Sambista em Mesa de Botequim Bebendo Cerveja com Choro”, “Se Continuar Assim, Coisa Ruim Vai Acabar com a Boca Cheia de Formiga”, “Qual é o Babado?” e “Malvadeza Durão”, conto que dá nome ao livro, representam bem a nova orientação realista que move parte da literatura urbana da época. 

Neste último conto, narra-se a história do lendário criminoso carioca Malvadeza Durão. Seus feitos são descritos por um narrador em primeira pessoa, o qual, devido ao uso de gírias, palavrões e similares, parece ser tão malandro quanto seu personagem. O rápido painel da vida de Malvadeza evoca a crueldade de seus gestos até a morte vulgar por assassinato. Antes de se reduzir a um mero desfile de feitos pitorescos, o relato deste narrador dá história aos sem história – recurso presente nos demais contos, igualmente povoados por párias e “esquecidos” do mundo. Neles todos, é como se o exercício retrospectivo da memória garantisse aos personagens a cidadania que lhes é negada no plano social. 

Notas

1. CANDIDO, Antonio. A nova narrativa. In: A educação pela noite. Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, 2006. P. 210.

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