Artigo da seção pessoas Penha de Souza

Penha de Souza

Artigo da seção pessoas
Dança  
Data de nascimento dePenha de Souza: 1935 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Penha de Souza (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1935). Coreógrafa, bailarina, diretora e professora de dança moderna. Inicia os estudos de dança com Madeleine Rosay (1924-1996), no Rio de Janeiro. Em 1947, transfere-se para Bauru, São Paulo. Dois anos depois, estuda balé com Zélia Gentil, no Centro Cultural da cidade. Em 1955, muda-se para São Paulo e estuda com Maria Olenewa (1896-1965). Dois anos depois, torna-se sua assistente.

Prossegue os estudos com Vaslav Veltchek (1897-1968) e Ismael Guiser (1927-2008) e atua em shows nas emissoras TV Rio, Tupi e Record. Entre 1962 e 1964, reside no Rio Grande do Norte, e ensina balé no Aeroclube de Natal. Ao retornar a São Paulo, estuda com Renée Gumiel (1913-2006) e ensina balé e ginástica para senhoras. Em 1965, inicia-se na técnica da dançarina estadunidense Martha Graham (1894-1991) com Clarisse Abujamra (1948), na escola de Marika Gidali (1937). 

Entre 1966 e 1969, atua como bailarina do Ballet Contemporâneo Brasileiro, de Renée Gumiel. Em 1971, abre a Escola de Dança Sobianeck. Posteriormente, a escola passa a se chamar Oficina de Dança Penha de Souza. Em 1972, participa do American Dance Festival, na Universidade de Connecticut, Estados Unidos, e estuda nas escolas de Martha Graham e Alvin Ailey Jr. (1931-1989). Durante a estadia de cinco meses nos Estados Unidos, frequenta cursos de aperfeiçoamento e consolida o interesse pela dança americana.

De volta ao Brasil, em 1973, funda o Grupo Experimental de Dança (GED) e estreia no Teatro Aquarius, em São Paulo, com quatro trabalhos: Quarteto, C. T. Ballet, Em Tempo de Jazz e Ritual para Dança. A partir do ano seguinte, o GED incorpora em seu repertório trabalhos de outros coreógrafos, como Antonio Carlos Cardoso (1939), Víctor Navarro (1944), Sonia Mota (1948), Judith Polgar, Renée Gumiel, Edgar Coronado, Cassia de Souza, Flávia Goldstein, Ana Maria Mondini (1953) e Zdenek Hampl (1946-2007). Em 1981, o grupo apresenta Encosta Pravesidá, de Umberto da Silva (1951-2008).

Em 1983, o GED encerra suas atividades. Dois anos depois, a dançarina funda o Grupo de Dança Penha de Souza, voltado ao circuito amador, que perdura até 1992. Em 1988, envolve-se na criação e direção do Ballet Teatro do Bixiga, cuja estreia dá-se no Centro Cultural São Paulo com Será que Alguém Morreu? de Cláudia de Souza e Val Folly. 

Durante dois anos ministra aulas de dança moderna no Projeto Dança, com sede no Teatro Sérgio Cardoso, e no Projeto Dança-Interior, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Entre 2002 e 2006, reside e atua como professora e coreógrafa em Florianópolis. Em 2004,  realiza os espetáculos Maracatu do Chico Rei, Urbanicidades e Tempo de Verão, para o Grupo de Experimentação Cênica da Sociedade Cultura Artística de Jaraguá do Sul e em seguida volta a São Paulo, 

 

Análise

Penha de Souza é uma das primeiras dançarinas a trabalhar com a técnica de Martha Graham no Brasil. Além disso, é responsável pela formação de dezenas de bailarinos interessados em outros procedimentos corporais não relacionados à dança clássica.

Em 1973, realiza os primeiros trabalhos com o Grupo Experimental de Dança (GED) e, em 1974, participa da fundação da Associação Paulista dos Profissionais de Dança (APPD). Depois de uma breve interrupção em 1976, o GED reformula-se em 1977, como assinala a crítica de dança Helena Katz (1950): “Entre uma fase e outra, os hiatos comuns às companhias que tentam sobreviver de verbas oficiais”1. O dramaturgo Linneu Dias (1927-2002) reconhece a reformulação ao assinalar: “A diretora e coreógrafa Penha de Souza alcançou com o atual conjunto – que guarda poucos elementos, se algum, dos anteriores – um bom nível de homogeneidade e afinação”2. E visualiza o vínculo que a dançarina mantém com a linhagem americana: “Percebemos a justeza da técnica moderna empregada, onde há a influência suavizada do estilo de Martha Graham”3. Na temporada de 1978, o crítico ressalta que as apresentações de Quinteto, Missa Breve, Ensaio e Sonho apresentam um ponto comum: “Como coreógrafa, Penha de Souza parece dar preferência às marcações lentas, acentuando mais os acompanhantes do que as melodias das belas músicas escolhidas. O rendimento obtido é fluente. Seu trabalho tem finura e dignidade”4. No entanto, Linneu Dias sugere: “Mas seria interessante, talvez, encontrar, em meio aos severos contrapontos de gestos, um corpo mais decididamente entregue à linha melódica”5. No período, cria Pulsación (1977) para o espetáculo da Cisne Negro Cia. de Dança.

Entre a segunda metade dos anos 1970 e os anos 1980, Penha de Souza incentiva os novos coreógrafos que emergem na cena paulistana – como Clarisse Abujamra, Sonia Mota, Antonio Carlos Cardoso, Víctor Navarro, Umberto da Silva e Ana Maria Mondini – e serve como ponta-de-lança do trabalho artístico de sua filha Cláudia de Souza (1962).

Na temporada no Teatro de Dança Galpão, em 1980, Penha apresenta um programa composto por peças que se abrem para outras ideias de dança, “convidando não só o casal Ana Mondini–Umberto da Silva como também o coreógrafo Víctor Navarro para a sua caldeirinha de criação, e o resultado foi muito positivo”6. Linneu Dias ressalta o talento coreográfico de Umberto com Enconsta Pravesidá, as primeiras experiências de Mondini com Magia e o avanço de Navarro em Primavera, no intento de coreografar As Quatro Estações do compositor italiano Vivaldi (1678-1741).

Helena Katz também ressalta a presença na temporada de Mondini e Umberto da Silva como importante iniciativa em direção ao profissionalismo: “Entre os grupos que batalham por um caminho próprio, o GED, dirigido por Penha de Souza, deu um salto em direção ao profissionalismo quando contratou a dupla Ana Mondini/Umberto da Silva”7.

Repercute, também a experiência como diretora do Ballet Teatro do Bixiga, com a encenação de Será que Alguém Já Morreu?. Composto por três fragmentos, assinados por Cláudia de Souza e Val Folly, a apresentação é descrita por Marcos Bragato (1956) como: “Ora através de movimentos calculados, ora pela teatralização dos ‘clichês’ engendrados pela mídia na questão da sedução entre os pares adolescentes” e assinala a sapiência da diretora na utilização do palco diminuto do Teatro do Bixiga 8.

Como pedagoga, além de formar dezenas de bailarinos, Penha de Souza, desde o início de sua atuação profissional, dedica-se ao ensino de atividades físicas para pessoas idosas. Com base em alongamento corretivo postural, associado a aspectos da dança moderna e técnicas de Pilates e RPG, Penha trabalha com a reestruturação corporal e amplia o ensino de dança para outras faixas etárias e bailarinos. Entre suas contribuições na área do ensino, ressalta-se atuação como professora da técnica de Martha Graham no Colégio de Dança de Fortaleza, Ceará.

 

Notas

1. KATZ, Helena. Novo grupo faz a dança no Galpão. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1 out. 1980.

2. DIAS, Linneu. Pureza de intenções no balé moderno. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 set. 1978. Geral, p. 11.

3. Ibid.

4. Ibid.

5. Ibid.

6. DIAS, Linneu. A experiência do Teatro de Dança no Galpão. In: NAVAS, Cássia; DIAS, Linneu. Dança Moderna. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1992, p. 159.

7. KATZ, Helena. A dança incansável da cidade. Folha de S.Paulo, São Paulo, 7 jan. 1982. Ilustrada, p. 29.

8. BRAGATO, Marcos. A sedução sob dois prismas. Dançar, São Paulo, ano VI, n. 25, p. 7, 1988.

Outras informações de Penha de Souza:

  • Habilidades
    • Coreógrafa
    • Bailarina
    • professora de dança

Fontes de pesquisa (13)

  • BRAGATO, Marcos. A sedução sob dois prismas. Dançar, São Paulo, ano VI, n. 25, p. 7, 1988.
  • DIAS, Linneu. A Experiência do Teatro de Dança no Galpão. In: NAVAS, Cássia; DIAS, Linneu. Dança Moderna. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1992.
  • DIAS, Linneu. Pureza de intenções no balé moderno. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 6 set. 1978. Geral, p. 11.
  • FIGURAS da Dança. Penha de Souza. São Paulo: São Paulo Companhia de Dança, 2008.
  • KATZ, Helena. A dança incansável da cidade. Folha de S.Paulo, São Paulo, 7 jan. 1982. Ilustrada, p. 29.
  • KATZ, Helena. A estréia de jovens bailarinos. Jornal da Tarde, São Paulo, 22 jun. 1978.
  • KATZ, Helena. Dança brasileira tem festival em São Paulo. Folha de S.Paulo, São Paulo,14 out. 1981. Ilustrada, p. 29.
  • KATZ, Helena. Grupo procura local para dançar. Folha de S.Paulo, São Paulo, 16 mar. 1981.
  • KATZ, Helena. Novo grupo faz a dança no Galpão. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1 out. 1980.
  • KATZ, Helena. O GED, ao fim de 8 anos de trabalho. Folha de S.Paulo, São Paulo, 25 ago. 1981.
  • KATZ, Helena. GED dá um salto na direção do futuro. Folha de S.Paulo, São Paulo, 29 ago 1981.
  • O ESTADO de S. Paulo. Balé moderno no Paulo Eiró. O Estado de São Paulo, São Paulo, 15 jun. 1974. Geral, p. 8.
  • O ESTADO de S. Paulo. UCBEU vai encenar balé. O Estado de São Paulo, São Paulo, 18 jun. 1968. Geral, p. 8.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PENHA de Souza. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640295/penha-de-souza>. Acesso em: 08 de Jul. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7