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Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Otto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.10.2019
1968 Brasil / Pernambuco / Belo Jardim
Otto Maximiliano Pereira de Cordeiro Ferreira (Belo Jardim, Pernambuco, 1968). Cantor, compositor e percussionista. Pioneiro na combinação da música eletrônica em voga nos anos 1990 com elementos rítmicos brasileiros, transita, ao longo da carreira, por arranjos sustentados em batidas digitais e criações instrumentais. As letras, inicialmente mi...

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Otto Maximiliano Pereira de Cordeiro Ferreira (Belo Jardim, Pernambuco, 1968). Cantor, compositor e percussionista. Pioneiro na combinação da música eletrônica em voga nos anos 1990 com elementos rítmicos brasileiros, transita, ao longo da carreira, por arranjos sustentados em batidas digitais e criações instrumentais. As letras, inicialmente minimalistas, incorporam o estilo romântico, com versos que traduzem sentimentos universais relacionados ao amor.

Criado em Recife, vive em Pernambuco até 1989, ano em que se muda para Paris. Toca percussão nas ruas e estações de metrô da capital francesa. Nos anos 1990, volta a Recife e  tem contato com os principais compositores do movimento manguebeat, Chico Science (1966-1997), da banda Nação Zumbi, e Fred Zero Quatro (1962), do grupo Mundo Livre S/A. Por um breve período, integra a primeira banda e grava dois discos como percussionista da segunda: Samba Esquema Noise (1994) e Guentando a Óia (1996).

Em 1998, com Samba Pra Burro, seu álbum de estreia, ganha o prêmio de melhor disco do ano da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). O trabalho é produzido por Apollo Nove (1969), profissional experiente em música eletrônica e conhecido pela combinação dos ritmos eletrônicos em ascensão nos anos 1990 (sobretudo drum and bass e jungle), com percussão baseada em ritmos nordestinos.

A música “Ciranda de Maluco” é um exemplo do caráter inovador da obra: a batida original do frevo é associada a efeitos digitais. Esse tipo de combinação torna-se uma referência para as criações de outros artistas brasileiros nos anos seguintes. Nesse disco, as letras de Otto são curtas e funcionam como elemento rítmico que potencializa a estética eletrônica.

Devido à repercussão do disco, Otto se apresenta nos Estados Unidos e na Europa. Na época, como sua experiência na música é a de percussionista, e não a de cantor, forma uma banda com músicos que o ajudam a aprimorar o uso da voz no palco. Nas apresentações, o trabalho ganha forma menos eletrônica e mais instrumental, o que influencia os discos seguintes do artista.

No segundo álbum, Condom Black (2001), as composições apresentam para letras mais pessoais, e as relações amorosas se tornam inspirações frequentes. As músicas exploram mais as melodias das canções, e o artista encontra o melhor jeito de usar a voz, sem o uso de programações eletrônicas. O trocadilho do título do trabalho é uma referência à religião do qual é devoto, o candomblé. Canções que fazem citação aos orixás tornam-se cada vez mais comuns em seu repertório.

Sem Gravidade (2003) se destaca pela presença da atriz Alessandra Negrini (1970) no processo de criação. Ela canta em quatro faixas e é coautora de “História de Fogo”. A maioria das composições surge em viagens do casal por lugares como Amazônia, Chapada Diamantina, Bahia e Death Valley, na Califórnia. O trabalho traz ainda participações vocais de Rita Lee (1947), em “Tento Entender”, e B-Negão (1972), em “Amarelo Manga”. A sonoridade do artista se aproxima cada vez mais do estilo rock.

Certas Manhãs Acordei de Sonhos Intranquilos (2009) traz no título a primeira frase do livro A Metamorfose (1915), de Franz Kafka (1883-1924). O disco, permeado por melancolia, oferece algumas das composições de Otto sobre sentimentos ligados ao fim de relacionamentos amorosos. Destaca-se no disco a canção “6 Minutos”, que começa com um solo de guitarra distorcida de Fernando Catatau (1971). O instrumento acompanha a melodia vocal, cantada pelo artista de forma ríspida e enérgica no refrão. O arranjo sugere agonia e instabilidade, com clímax de fúria e trechos calmos, apenas com piano e bateria. “Não precisa falar / nem saber de mim / e até pra morrer / você tem que existir”, dizem os primeiros versos da letra, que se torna uma das mais celebradas pelo público nos shows do artista.

A produção seguinte é mais uma vez inspirada em uma obra artística não musical. O pernambucano afirma que a concepção do disco The Moon 1111 (2012) traz referências do filme O Homem Que Amava as Mulheres (1977), do cineasta francês François Truffaut (1932-1984). O longa-metragem inspira o cantor pelas personagens femininas independentes, semelhantes às que são retratadas em suas músicas.

Ao longo da carreira, Otto desenvolve uma estética mais próxima do rock e da Música Popular Brasileira (MPB) e sua poesia encontra um público que se identifica com o modo como ele escreve sobre sentimentos associados às relações amorosas, do estopim da paixão ao luto da separação.

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