Artigo da seção pessoas Theodor Heuberguer

Theodor Heuberguer

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deTheodor Heuberguer: 1898 Local de nascimento: (Alemanha / Bayern / Munique)

Theodor Heuberger (Munique, Alemanha 1898 – ?). Marchand, produtor e animador cultural. Heuberger vem ao Brasil pela primeira vez em 1924 para realizar uma mostra de pintores alemães. Inaugurada em 1924, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, a 1a Exposição de Arte Plásticas e Decorativas é levada a São Paulo, Campinas e Santos. A exposição rompe a hegemonia da arte francesa no país, equipara obras de arte a objetos de decoração e adota um partido expositivo mais despojado. 

Na década de 1920, o produtor abre a Galeria Heuberger. Localizada na avenida Rio Branco, torna-se ponto de encontro de artistas e intelectuais cariocas. Em 1928, Heuberger apresenta, na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), a Exposição de Arte Alemã no Brasil. Segundo o crítico Frederico Morais (1936), são reunidas 149 pinturas e esculturas de 92 artistas e 200 fac-símiles de gravuras de Albrecht Dürer (1471-1528). Em depoimento, Heuberger ressalta a dificuldade de fazer com que os brasileiros aceitem artistas alemães. Um ano depois, na Enba, realiza outra mostra de arte decorativa alemã. Os objetos são expostos em vitrines embutidas, de linhas retas e simples, no estilo Bauhaus. Esse tipo de disposição museográfica é inédita no Brasil. Em 1930, Heuberger traz ao país a Exposição Alemã de Livros e Artes Gráficas. Ela é apresentada na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro e passa por São Paulo, Montevidéu e Buenos Aires. São apresentadas gravuras, desenhos e aquarelas de 43 artistas, sobretudo do expressionismo alemão, como Ernst Barlach (1870-1938), Willi Baumeister (1889-1955), Max Beckmann (1884- 1950), Otto Dix (1891-1969),  George Grosz (1893-1959) e Käthe Kollwitz (1867-1945), com pouca repercussão.  

Em 1931, Heuberger funda, com ajuda da pianista Maria Amélia Rezende Martins e do frei Pedro Sinzig (1876-1952), a Sociedade Pró-Arte de Artistas e Amigos de Belas Artes. O objetivo é intensificar o intercâmbio artístico internacional, em particular, com a Alemanha. A sede localiza-se no mesmo endereço da galeria. A entidade promove diversos eventos artísticos. Em 1931, organiza a primeira individual de Guignard (1896-1962). Entre 1932 e 1937, o pintor torna-se o diretor artístico da sociedade e organiza, na Enba, uma mostra de artistas brasileiros formados na Alemanha e de alemães residentes no Brasil. Entre outros, participam Hans Nobauer (1893-1971), Max Grossmann (1897-1960), Friederich Maron (1887-1914), Rossi Osir (1890-1959), Leo Putz (1869-1940) e Guignard. Em 1935, a sociedade é presidida por Max Fleiuss (1868-1943), do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Além de organizar concertos, cursos e conferências, a entidade lança a revista Intercâmbio e, em 1938, abre sucursais em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

Nesse mesmo ano, Heuberger inaugura a galeria Casa & Jardim, na rua Barão de Itapetininga, 41, em São Paulo. De acordo com Frederico Morais, a galeria tem sede no Rio de Janeiro e uma filial em São Paulo [1].

Em 1942, a Pró-Arte, por causa do apoio financeiro do governo alemão e do teor de matérias publicadas no fim da década de 1930, é forçada a fechar.Reabre em 1947, quando é criada a Pró-Arte Internacional, que realiza os primeiros cursos musicais de férias em Teresópolis, Rio de Janeiro. Seu foco passa a ser a música. A revista Intercâmbio volta a circular e mantém-se até a década de 1980. A Pró-Arte é transformada em fundação em 1981 e até hoje promove cursos e concertos.

A atividade de Heuberger e da sociedade Pró-Arte tem impacto no ambiente artístico, pela divulgação da arte e de manifestações modernas alemães, pela museografia inédita e pelo impacto individual sobre a carreira de determinados artistas, como Guignard e Livio Abramo (1903-1992).

 

Notas

1. Guignard faz alguns cartazes para bailes de carnaval. Frederico Morais sugere que os bailes da Pró-Arte do Rio de Janeiro inspiram os da Sociedade Pró-Arte Moderna de São Paulo.

Outras informações de Theodor Heuberguer:

  • Habilidades
    • marchand
    • Produtor cultural

Fontes de pesquisa (9)

  • AMARAL, Aracy A. Arte para quê? A preocupação social na arte brasileira, 1930-1970: subsídios para uma história social das artes no Brasil. 3. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
  • AMARAL, Aracy. Do Modernismo à Abstração (1910-1950). In: AMARAL, Aracy. Textos do Trópico de Capricórnio – Artigos e ensaios (1980-2005), vol. 1: modernismo, arte moderna e o compromisso com o lugar. São Paulo: Editora 34, 2006. p. 119-131.
  • COUTO, André Luiz Faria. Pró-Arte (Sociedade Pró-Arte de Artes, Ciências e Letras). Brasil Artes Enciclopédias. Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/temas/pro-arte.html.  Acesso em: 18 jun. 2012.
  • LACOMBE, Marcelo. 1924: um exposição de arte decorativa alemã. Latin American Studies Association – LASA, 2009. Disponível em: http://lasa.international.pitt.edu/members/congress-papers/lasa2009/files/LacombeMarcelo.pdf.  Acesso em: 15 jun. 2012.
  • MORAIS, Frederico. Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: 1816-1994. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.
  • PALHARES, T. H. P. Modernidade, tradição e caráter nacional na obra de Veiga Guignard. Tese (Doutorado em Filosofia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.
  • VIEIRA, Lúcia Gouvêa. Salão 31: marco da revelação da arte moderna em nível nacional. Rio de Janeiro: Funarte: Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1984. (Temas e Debates, 3).
  • ZANINI, Walter (Coord.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Instituto Moreira Salles: Fundação Djalma Guimarães, 1983. v. 2.
  • ZANINI, Walter. A arte no Brasil nas décadas de 1930-1940: o grupo Santa Helena. São Paulo: Nobel: Edusp, 1991.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • THEODOR Heuberguer. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa640290/theodor-heuberguer>. Acesso em: 14 de Mai. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7