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Enciclopédia Itaú Cultural

Dona Onete

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.10.2019
1938 Brasil / Pará / Cachoeira do Arari
Registro fotográfico Marcus Leoni

Dona Onete, 2019

Ionete da Silveira Gama (Cachoeira do Arari, Pará, 1938). Compositora e cantora. Conhecida como “Rainha do Carimbó”, cativa o público pela originalidade de sua poesia, combinada com uma estética musical dançante. A sonoridade alterna o balanço do carimbó paraense1 e o ritmo dos boleros românticos.

Texto

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Ionete da Silveira Gama (Cachoeira do Arari, Pará, 1938). Compositora e cantora. Conhecida como “Rainha do Carimbó”, cativa o público pela originalidade de sua poesia, combinada com uma estética musical dançante. A sonoridade alterna o balanço do carimbó paraense1 e o ritmo dos boleros românticos.

Nasce em Cachoeira do Arari, município da Ilha do Marajó, e muda-se aos três anos para Belém. Aos 17, muda-se mais uma vez, agora para Igarapé-Miri, cidade às margens do Rio Tocantins, onde se casa e mantém o relacionamento por 25 anos. Trabalha como professora de história e de estudos paraenses, atividade pela qual se aposenta. Ocupa o cargo de secretária de cultura da cidade, organiza festas e rodas de dança.

Pinduca (1937), um dos artistas mais populares do carimbó dos anos 1970, procura a artista para conhecer suas composições. O marido, incomodado com o teor das letras, que abordam flerte e atração sexual, não permite que ela se dedique à carreira. 

O trabalho efetivo com música começa a partir dos anos 2000. Integrantes do grupo de rock Coletivo Rádio Cipó ouvem-na cantar em um bar e a convidam para participar de shows. Ela acompanha a banda por quase três anos e canta suas próprias composições.

Em 2006, o produtor musical Carlos Eduardo Miranda (1962-2018), diretor musical do festival Terruá Pará, escolhe Dona Onete para fazer o show de abertura. O evento acontece no Auditório Ibirapuera com objetivo de apresentar artistas do estado nortista ao público de São Paulo. 

A apresentação repercute positivamente, e sua música chama a atenção da mídia paulista. Ao evidenciar a produção cultural do Pará, estado com pouco destaque midiático e cuja produção musical é estigmatizada como “brega”, Dona Onete abre caminhos para que outros artistas paraenses ganhem visibilidade, como Felipe Cordeiro (1985) e Gaby Amarantos (1978).

Dona Onete quebra preconceitos sociais da cena musical brasileira: ao ser proclamada “rainha do carimbó”, interfere na predominância masculina que impera na história desse gênero musical; ao abordar o tema da sedução em suas composições, rompe o tabu sobre a vida sexual dos idosos.

O cineasta Beto Brant (1964) inclui a música “Paixão Cabocla e Amor Brejeiro” na trilha sonora do longa-metragem Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (2011). Dona Onete faz uma participação no filme, cantando a canção. Tanto o balanço dançante como a letra maliciosa chamam a atenção do público, e a carreira da artista ganha nova projeção.

Ainda em 2011, acompanhada do Trio Manari, apresenta 12 composições na abertura do show de Naná Vasconcelos (1944-2016). O cantor paraense Marco André (1963) assiste à apresentação e propõe produzir um disco apenas com repertório da artista. Feitiço Caboclo é lançado em 2012. As letras chamam atenção por tratarem de amor com malícia e não rejeitarem as nuances da libido, desafiando o preconceito de serem interpretadas por uma cantora da terceira idade.  

A música “Jamburana”, por exemplo, refere-se à cachaça de jambu, erva conhecida por amortecer a boca. Na canção, o verbo “tremer” e a expressão “a boca fica muito louca” sugerem conotação sexual e exaltam a cultura paraense, combinação que marca outras composições da artista. A levada caribenha com ênfase na guitarra, pontuada por frases de sopros e muita percussão, consagra Dona Onete como divulgadora do carimbó no Brasil e no exterior.

No segundo álbum, Banzeiro ( 2016), a identidade paraense mais uma vez é destacada nas letras, com uso de expressões locais. Em “Banzeiro”, por exemplo, o título da canção refere-se às ondas formadas pelo trânsito de grandes embarcações nos rios. Na faixa de abertura, “Tipiti” remete à prensa de palha usada para secar mandioca, maior cultivo do Pará.

Em 2018, a canção “Banzeiro” é regravada por Daniela Mercury (1965) e torna-se um sucesso do carnaval de Salvador.

Em 2019, lança o terceiro disco de estúdio, Rebujo. Além dos carimbós, lambadas e boleros, sempre presentes em seu repertório, a artista faz incursão pelo samba na faixa “Musa da Babilônia”, dueto com o rapper e compositor carioca B Negão (1974).

O potencial dançante do carimbó encontra na voz e no carisma de Dona Onete o veículo ideal para a combinação expressiva de referências indígenas, negras e caribenhas, pesquisadas e valorizadas por ela ao longo da vida e da carreira.

Notas

1. Gênero da região da Amazônia, de origem indígena, que surge no século XVII e  incorpora influência da música caribenha nos anos 1960 e 1970.

Mídias (1)

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Dona Onete – Série Cada Voz (2019)
Dona Onete fala sobre sua experiência no cinema com Camila Pitanga, em Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. A importância e o anseio de falar sobre o Pará para o mundo desde quando era professora de história e Secretária de Cultura.

Também conta que suas composições eram cedidas para outros cantores por ciúmes do marido. Com o divórcio, consolida sua carreira como cantora e, descrevendo-se como uma mulher apaixonada, fala da contínua busca pela felicidade e pelo amor.

A Enciclopédia Itaú Cultural produz a série Cada Voz, em que personalidades da arte e cultura brasileiras são entrevistadas pelo fotógrafo Marcus Leoni. A série incorpora aspectos de suas trajetórias profissionais e pessoais, trazendo ao público um olhar próximo e sensível dos artistas.

Créditos
Presidente: Milú Villela
Diretor-superintendente: Eduardo Saron
Superintendente administrativo: Sérgio Miyazaki
Núcleo de Enciclopédia
Gerente: Tânia Rodrigues
Coordenação: Glaucy Tudda
Produção de conteúdo: Camila Nader
Núcleo de Audiovisual e Literatura
Gerente: Claudiney Ferreira
Coordenação: Kety Nassar
Produção audiovisual: Letícia Santos
Edição de conteúdo acessível: Richner Allan
Direção, edição e fotografia: Marcus Leoni
Assistência e montagem: Renata Willig
Assistência de fotografia: Martha Salomão
Intérprete de Libras: Naiane Olah (terceirizada)

Fontes de pesquisa 3

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